A Bússula de Ouro (Northern Lights) – Philip Pullman

Oi! Parece piada cósmica: fico mais de duas semanas tristes e o universo resolve me mostrar que as coisas podem piorar, ou seja, devo parar com minha auto-piedade e enfrentar a vida. Sou dessas que escuta os próprios instintos e lê os sinais, então, pra combater esse período estranho (e a porcaria do resfriado que está querendo morar em mim), escolhi começar uma série especial. “A Bússola de Ouro” é o primeiro livro da trilogia “Fronteiras do Universo”, que vocês logo entenderão porque me cativou tanto.

bussola

“A órfã Lyra Belacqua está satisfeita em correr solta entre os estudiosos da Faculdade Jordan, com seu familiar dæmon, Pantailamon, sempre a seu lado. Mas a chegada de seu temível tio, Lorde Asriel, a atrai para o coração de uma luta terrível – uma luta de Papões e crianças roubadas, clãs de bruxas e ursos de armadura. E enquanto ela se precipita em direção ao perigo no frio do extremo Norte, Lyra não suspeita da chocante verdade: sozinha, ela está destinado a ganhar ou a perder esta batalha mais-que-mortal.”

Essa trilogia veio parar nas minhas mãos quando eu estava no Ensino Médio. Entrei de férias no meio do ano e minha mãe chegou em casa com os três livros, que colocou nas minhas mãos com o pedido que eu, por favor, os lesse devagar – digamos que ser tão fominha de livros poderia ter levado minha família à falência facilmente, não fossem as várias bibliotecas a que eu me afiliei ao longo dos anos. Abri o primeiro livro naquela mesma hora e comecei a ler, sem saber o que esperar. Nunca tinha ouvido falar daquela série, e a internet não era exatamente algo comum no meu dia a dia – e mesmo que fosse, duvido que eu fosse pensar em procurar um livro por lá. Quando dei por mim, era (bem) menos de uma semana depois e eu estava olhando atordoada para o terceiro livro, que tinha acabado de terminar. Claramente os pedidos para que lesse devagar foram solenemente ignorados, já que a história era boa demais…

Essa série é distópica, mas de qualidade, ao contrário da maioria das narrativas do gênero que vemos por aí hoje em dia. A história de Lyra se passa em um mundo muito parecido com o nosso, mas paralelo (nosso mundo, aliás, aparece na narrativa, eventualmente), e uma das diferenças essenciais desse mundo é que a alma dos seres humanos mora fora do corpo, na forma de animais chamados dæmon – uso a palavra animais na falta de uma melhor, já que dæmons são amorfos, podendo assumir qualquer forma animal instantaneamente durante a infância e depois da puberdade se fixando para sempre. Dæmons são sempre do sexo oposto da pessoa, por isso Pan é “macho” enquanto dæmons de homens são “fêmeas”. Outra coisa muito importante a levar em consideração quando lendo a série é a relação da Igreja e da Ciência no mundo de Lyra – é muito semelhante à relação que existia em nosso próprio mundo durante a Idade Média, em que experimentos científicos podem ser considerados heréticos se vão contra os preceitos religiosos. É nesse contexto que Lyra descobre que seu tio está fazendo pesquisas sobre uma misteriosa substância conhecida como “Pó”. É também nesse contexto que ela descobre sua origem, luta contra inimigos para salvar a quem ama e começa a descobrir o motivo da tristeza e da morte – não só em seu mundo, mas em todos os que se tocam, de forma paralela.

“A Bússola de Ouro” conta uma história complexa dentro de um universo ainda mais complexo, mas a leitura é fácil e completamente viciante. São muitos detalhes e pequenos elementos, mas em nenhum momento me senti totalmente perdida, já que o autor ancorou tanto em nossa realidade, fazendo com que a compreensão fosse não só possível mas simples. Devia ter 15 anos, 16 no máximo, quando li a trilogia, e mesmo tendo tanto ainda para aprender do mundo – e das valiosas lições que os livros instilavam – pude entender o que acontecia sem traumas, então acredito que idade não seja um problema para compreender o que está se passando. Só fiquei com a ligeira impressão de que esse livro é bem mais adulto que sua classificação, mas vou falar disso mais pra frente, nas próximas resenhas. Sei que esta resenha está batendo o recorde de “giganteza”, mas não posso deixar de falar que as personagens são excelentes, especialmente Lyra: pra uma menina de 11 anos ela é muito bem resolvida e corajosa, e fiquei admirada com a capacidade dela de sair das confusões em que se mete – não sem motivo ela acaba por ganhar o apelido “Língua Mágica” (em inglês é mais legal, “Silvertongue”, ou “Língua de Prata”). Acho que ficou bem óbvio que recomendo muito o livro, né? Certamente é uma das melhores coisas que eu já li na vida!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!

Trilogia “Fronteiras do Universo”:

01- A Bússola de Ouro

02- A Faca Sutil

03- A Luneta Âmbar

P.S.: A quem interessar possa, o primeiro livro virou filme. Aqui o trailer:


2 thoughts on “A Bússula de Ouro (Northern Lights) – Philip Pullman

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