A Megera Domada (The Taming of the Shrew) – William Shakespeare

Olá! Abril é um mês cheio de comemorações para leitores. Hoje, por exemplo, é Dia Mundial do Livro, e por isso mesmo fiquei em dúvida sobre qual seria a resenha do dia. Queria um autor que fosse bem representativo para a literatura mundial em geral, e de que eu gostasse muito, obviamente. Optei por um dos meus preferidos, com uma peça que li pela primeira vez para um trabalho da faculdade: “A Megera Domada”.

“A Megera Domada” conta a história de Katherine (em português Catarina) Minola, uma jovem que não pretende se submeter ao casamento (e aos homens no geral). Com sua língua afiada afasta todos os pretendentes, desesperando a irmã mais nova, Bianca, que só pode se casar, de acordo com a vontade do pai das duas, Baptista, depois que a irmã mais velha o fizer, mas que já tem três pretendentes. Ninguém quer se casar com Catarina, e toda a cidade conhece sua fama, ou seja, a possibilidade de um casamento se distancia cada vez mais. Tudo muda com a chegada de Petrucchio, um rude cavalheiro de Verona que deseja se casar. Ele é amigo de um dos pretendentes de Bianca, e diz que quer se casar com uma moça rica, independentemente de sua aparência ou temperamento, e, informado de que Catarina obedece sua única exigência e que é uma moça “difícil”, resolve se casar com ela. A história se foca principalmente no ato de Petrucchio de domar Catarina, até que ela se torne o epíteto da esposa perfeita e bem-mandada – ou até que ela o enlouqueça.

Se a história parece familiar, não é surpreendente, já que inspirou diversas adaptações, tanto para o cinema quanto para a TV – a novela “O Cravo e a Rosa” e o filme “10 coisas que eu odeio em você” são apenas dois dos vários exemplos mais populares. A história, na realidade, se inicia com Sly, um bêbado que é vítima de uma peça pregada por um lord: o tal lord veste Sly de nobre e o convence de que toda sua vida como pobre e bêbado foi um sonho ruim, e que Sly é, na verdade, um homem riquíssimo. Ele diz a Sly que uma companhia de teatro vai apresentar uma peça – A Megera Domada – especialmente para ele, e é aí que a história da peça se inicia. Esse prólogo não é retomado, e só se pode imaginar o que foi feito de Sly e cia.

O que mais me atrai nessa peça, é o motivo para Catarina ser considerada uma megera. Ela é assim chamada por ter um temperamento terrível, ser dada à ataques de raiva e não querer se casar, mas logo na primeira análise percebemos que não é exatamente esse o problema. O fato é que ela não é tratada da mesma forma que a irmã, e é insegura da possibilidade de conseguir um marido; ao mesmo tempo, é uma mulher à frente de seu tempo, no sentido de que diz o que pensa, e que quer para si um homem que a interesse; um homem que, de certo modo, se pareça com ela. O problema é que na sociedade em que vive, mulheres devem ser submissas e quietas. Um círculo vicioso se forma, então: quanto mais insegura fica sobre si mesma, mais enraivecida fica, e quanto mais enraivecida, menores as chances de ter um marido – e é só através do casamento que ela poderia ter uma posição em que pudesse ter alguma voz, ao contrário de sua situação de solteira, em que, apesar de gritar e espernear, não tem absolutamente nenhum controle de sua vida (não que fosse ter muito como casada, mas, para a época, já seria mais respeitada e ouvida do que como solteira). Petrucchio a atrai justamente por estabelecer, desde a primeira conversa dos dois, que é seu igual intelectual, uma mudança dos pretendentes de sempre que ela recebe e de quem não gosta: ele se mostra uma chance, para ela, de ter alguém interessante com quem dividir a vida. Para analisar toda a peça, precisaria de um post gigante e bem específico, e a ideia do blog não é essa, então paro por aqui. Se quiserem falar mais sobre isso, no entanto, estou aberta ao debate, com todo o prazer do mundo!

Apesar de todo o absurdo da situação da peça, é uma história divertida. Catarina é muito engraçada antes de ser “domada”, e sua discussão com Petrucchio, logo que os dois se conhecem, é muito boa. Bianca é a própria menina sonhadora, cheia de ideais românticos, e, apesar de seus pretendentes a idolatrarem, percebemos que são como os homens de sua época: querem uma esposa obediente, que não questione suas vontades. Uma peça muito boa, que vale conhecer!

Espero que tenham gostado! Boa semana e até a próxima!

P.S.: Aqui uma lista de adaptações da peça.


2 thoughts on “A Megera Domada (The Taming of the Shrew) – William Shakespeare

    • Oi Camis!

      Não precisa invejar, é só você alternar entre os livros que já estão na sua lista atual e alguns que você sempre quis ler! Shakespeare é bom porque são peças, então não são muito grandes, dá pra inserir no meio daquelas leituras de sempre!

      Força que você consegue!

      Beijos! =)

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