A Pequena Ilha (Small Island) – Andrea Levy

Oi! O livro de hoje foi “eleito o melhor romance da história do Orange Prize”, informação que está logo na capa, mas, surpreendentemente, não é tão conhecido aqui no Brasil (ou assim me faz crer a página do livro no skoob, já que até a publicação desta resenha, apenas 29 pessoas, eu incluída, o leram). Ainda assim é um livro muito bem escrito e belíssimo, que eu ganhei de presente da minha mãe em 2009 (e que, olha que beleza, faz parte do Desafio da Rory!). A história de hoje é “A Pequena Ilha”.

O livro conta a história de quatro pessoas cujas vidas se cruzam e que têm uma ligação no passado que elas nem imaginam. Queenie é uma inglesa que vive no interior, com os pais. Depois de se mudar para Londres para viver com uma tia, conhece Bernard Bligh, com quem se casa. Ela vive com o marido e o pai dele, um idoso já senil, Arthur, quando a II Guerra estoura, e Bernard se alista e vai combater. Mesmo depois do fim da guerra, no entanto, ele não volta para casa, e Queenie, procurando um modo de se sustentar, passa a alugar os quartos da casa para os soldados jamaicanos que vieram para a Inglaterra se alistar. Um deles é Gilbert Joseph, um homem divertido e humilde, que ela conheceu durante a guerra e que agora traz consigo a mulher, Hortense. Hortense é uma jamaicana formada para ser professora, e aprendeu durante a vida que a “pátria-mãe” Inglaterra era uma espécie de paraíso na terra – e fica desapontada ao perceber que não só não é assim como ela parece ser mais educada e evoluída do que as pessoas com quem tem que conviver. Quando Bernard reaparece, segredos são revelados e as vidas dos quatro mudam para sempre, sem chance de retorno.

O livro trata do preconceito que os jamaicanos sofreram dos ingleses após a II Guerra através da história dessas quatro pessoas. Vou começar com as personagens já que é o caráter de cada uma delas que molda os rumos da história. Queenie é uma moça ingênua e meio alienada no início do livro, mas que logo perde essa camada de infantilidade que a recobre quando a guerra se inicia e ela tem que cuidar do sogro, já que o marido está alistado. Não diria que ela é propriamente preconceituosa, mas é enganada pelos esteriótipos que se propagam sobre os jamaicanos. Seu marido, Bernard, no entanto, é racista e não esconde nem por um minuto, mas parece amá-la muito (ela não retribui seu amor, sente mais uma gratidão afetuosa por ele ter se casado com ela e impedido que ficasse sem casa). Gilbert Joseph é um bom homem, cheio de esperanças e com um bom coração, mas que vai se entristecendo e sendo minado lentamente pelo preconceito que sofre. Hortense é a personagem mais irritante da história, e por um longo tempo: sua ingenuidade a respeito da Inglaterra, mesmo quando já está vivendo lá e sofrendo o preconceito na pele, é de dar nos nervos, mas suas atitudes mais para o final da história a redimem um pouco.

Juntando todas essas personagens o resultado é bem incrível: as relações interpessoais são das mais diversas, e até dói ver as situações constrangedoras pelas quais Gilbert e Hortense têm que passar. O título do livro é ambíguo, já que, durante a leitura, é difícil apontar qual ilha é a menor: a Jamaica, com sua população iludida pelos britânicos (lembrando que a Jamaica era colônia da Inglaterra na época da II Guerra, e foi por isso que tantos jamaicanos se alistaram na RAF, a força aérea britânica, assim como fez a personagem Gilbert Joseph) que acredita que é especial entre as colônias, ou a Inglaterra, limitada por seus preconceitos, falta de educação e pobreza de espírito. O livro é lindíssimo, e faz um retrato bem realista da época (a autora é filha de jamaicanos, colheu a história da fonte). A história foi até adaptada para dois episódios de TV da BBC (adaptação muito boa, por sinal), tamanha a repercussão do romance na Inglaterra. Leiam! Não vão se arrepender!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana e até a próxima!

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