A Vida Imortal de Henrietta Lacks (The Immortal Life of Henrietta Lacks) – Rebecca Skloot

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Oi! Começou julho, o ano está oficialmente na metade, e agora começaremos as resenhas dos livros lidos na primeira metade de 2015. Pra hoje escolhi um que me foi recomendado há anos e que eu sempre enrolei pra ler, por um motivo ou outro, mas que finalmente tive a chance de conhecer. É dia de “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”.

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“Henrietta Lacks era descendente de escravos e nasceu em 1920, numa fazenda de tabaco no interior da Virgínia. Aos trinta anos, casada e mãe de cinco filhos, Henrietta descobriu que tinha câncer. Em poucos meses, um tumor no colo do útero se espalhou por seu corpo. Ela se tratou no Hospital Johns Hopkins, e veio a falecer em 1951. No hospital, uma amostra do colo do útero de Henrietta havia sido extraída sem o seu conhecimento, e fornecida à equipe de George Gey. Gey demonstrou que as células cancerígenas desse tecido possuíam uma característica até então inédita – mesmo fora do corpo de Henrietta, multiplicavam-se num curto intervalo, tornando-se virtualmente imortais num meio de cultura adequado. Por causa disso, as células ‘HeLa’, logo começaram a ser utilizadas nas pesquisas em universidades e centros de tecnologia. Como resultado, a vacina contra a poliomielite e contra o vírus HPV, vários medicamentos para o tratamento de câncer, de AIDS e do mal de Parkinson, por exemplo, foram obtidos com a linhagem ‘HeLa’. Apesar disso, os responsáveis jamais deram informações adequadas à família da doadora e tampouco ofereceram qualquer compensação moral ou financeira pela massiva utilização das células. ‘A vida imortal de Henrietta Lacks’ reconstitui a vida e a morte desta injustiçada personagem da história da medicina.”

Esse livro me foi recomendado por uma amiga querida, a Cynthia. Nós nos conhecemos no curso de italiano, e ela é aquele tipo de pessoa que faz jus ao ditado “cerque-se de pessoas melhores que você”: além de ter um coração enorme e cheio de coisas boas, é tão inteligente que me dá medo. Como é doutora em microbiologia, ela leu este livro e me disse que eu gostaria. Demorei a conseguir acesso a ele, mas por fim o fiz e cá estou para falar de uma história que me emocionou muito.

Primeiro é importante lembrar que é uma história real, então não há uma romantização das situações que aconteceram: todo o abuso que a família de Henrietta viveu, todo o mau uso das células dela e a má fé dos médicos que a trataram é retratada, além de ser traçado um panorama muito interessante das lutas e mudanças judiciais relativas às doações e usos médicos de partes do corpo. Debates éticos, decisões judiciais e as opiniões de várias pessoas estão recolhidas no livro, e é um tanto assustador ver como essas células influenciam nas nossas vidas e nós nem nos damos conta. Um outro ponto muito importante (e interessante) abordado no livro é, logicamente, a luta racial: Henrietta recebeu o tratamento que recebeu por ter sido uma mulher negra, ou seja, mandada para outro hospital, onde os tratamentos eram diferentes e os procedimentos ainda menos humanos do que seria comum num hospital da época.

Não é um livro fácil, mas é simples. A escrita é compreensível e a narrativa é tão bem amarrada que até quem não entende nada de biologia vai poder compreender o que a autora está argumentando e mostrando. Gostei muito da experiência e de tudo que aprendi com esse livro e essa autora. Não esperava nada diferente de uma recomendação da Cynthia! Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


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