Casa de Bonecas (Et dukkehjem) – Henrik Ibsen

Oi! Já queria resenhar essa peça há um tempo, mas sempre acabava passando outros livros na frente; hoje quase aconteceu a mesma coisa e eu quase comecei uma série nova, mas só quero fazer isso depois de encerrar pelo menos mais duas aqui no blog. Sem mais delongas, um pouco de teatro, um pouco de Ibsen. Hoje é dia de “Casa de Bonecas”.

“Casa de Bonecas” conta a história de Nora Helmer, uma esposa e mãe de família que, à primeira vista, é avoada, superficial e consumista, não se preocupando com nada a não ser fazer compras, além de uma mãe carinhosa e uma esposa dedicada. Ela é casada com Torvald, um homem que acredita que Nora é, acima de qualquer coisa, mãe e esposa, devendo cuidar de sua família e nada mais. Os dois vivem um momento tranquilo, perto do natal, esperando felizes a promoção de Torvald, que trabalha em um banco, e que deve sair depois do ano novo, quando uma ação de Nora no passado – ela pegou dinheiro emprestado sem que o marido soubesse, fingindo que era um empréstimo do pai, para levar a família ao sul da Itália, já que Torvald estava doente e precisava viajar para se tratar – volta para assombrá-la, ameaçando mudar para sempre a vida da família.

Na primeira vez que ouvi falar sobre essa peça estava no segundo ano do ensino médio. Minha professora de Artes Cênicas tratou superficialmente da história para ilustrar algumas possibilidades cênicas e fiquei fascinada, mas só consegui ler a peça quando entrei na faculdade, no fim do ano seguinte. Fiquei ainda mais apaixonada, não só pela história, pelas possibilidades cênicas e pelas personagens, mas também pela escrita de Ibsen.

Como é uma peça, o formato é o tradicional: falas e rubricas que formam a teia necessária para que cada leitor construa sua própria interpretação, mas o modo como Ibsen escreve é sensacional. Fiquei grudada na peça até terminar, só pra depois ficar olhando pro livro, atordoada. Gostei especialmente de como ele tratou do feminismo, já que não fez politicagem desorganizada, apenas mostrou, na prática, como era a situação das mulheres norueguesas (e, convenhamos, da maioria das – se não todas – mulheres do mundo). A história era tão desagradável aos olhos dos homens, que na Alemanha foi apresentada com um final alternativo, que Ibsen depois afirmou ser um “ultraje bárbaro”, uma desgraça para a peça original.

As personagens são fascinantes, e eu gostei muito de Nora. Mesmo quando ela era superficial e tola, sujeitando-se ao tratamento infantilizado dado a ela pelo marido – incluindo os apelidos mais ridículos, do tipo “meu esquilinho” e “minha pombinha”. Quando a peça atingiu o clímax seu comportamento me deixou orgulhosa, e gostei da personagem ainda mais. Torvald, no entanto, é insuportável desde o início, e não gostei dele. Não gosto de pessoas que inferiorizam as outras, independentemente de sexo, e não podia, assim, gostar dele; como personagem, no entanto, cumpre bem seu papel e não é tão revoltante quanto os seres humanos que representa.

A peça é boa, não é longa e é interessante. Fiquei apaixonada pela narrativa, pelo desenvolvimento da história, pelas personagens… Ibsen sabe o que está fazendo, é um excelente escritor! Espero que leiam, é imperdível!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana e até a próxima!


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