A Casa dos Budas Ditosos – João Ubaldo Ribeiro

Oi! Para a última resenha da semana resolvi falar de um livro que vi  pouca gente ler até hoje. Eu o li no comecinho da adolescência, quando o encontrei em uma estante em casa. Uma prova de como eu leio basicamente qualquer coisa que me cair nas mãos, hoje é dia de “A Casa dos Budas Ditosos”, do João Ubaldo Ribeiro.

“Ao receber, segundo afirma, um pacote com a transcrição datilografada de várias fitas, gravadas por uma misteriosa mulher, o escritor João Ubaldo Ribeiro não podia imaginar o que o esperava; e o inocente leitor, que sequer pode suspeitar o que o aguarda em cada uma das páginas deste livro. Nelas se conta uma vida. E a suposta autora teria enviado seu testemunho para que fosse utilizado para o volume sobre a luxúria da Coleção Plenos Pecados. O escritor aceitou o oferecimento e o resultado final está agora diante de você. Que deve preparar-se para um relato pouco comum, às vezes chocante, às vezes irônico, sempre instigante. Na verdade, dificilmente a ficção poderia alcançar os limites do que a devassa senhora viveu e narra em detalhes riquíssimos. Se o leitor tem alguma dúvida, ela logo se dissipará, neste fascinante mergulho na vida espantosa de uma mulher sem dúvida excepcional, cuja narrativa alcança as dimensões de um retrato sociológico de toda uma cultura e uma geração, envolvendo um dos pecados mais indomáveis, e capitais. A luxúria.”

Bom, a “Coleção Plenos Pecados” tem sete livros, cada um sobre um pecado capital, escritos por pessoas diferentes. Não é uma série, não conta uma história contínua e os livros podem ser lidos de forma completamente independente. Eu li o volume da Luxúria porque é o que tinha na minha casa. Recentemente ganhei o Avareza da minha prima Tati, que “desapegou” de alguns livros aqui em casa, mas ainda não tive a chance de lê-lo.

As histórias – sim, são várias anedotas – são narradas pela mulher que supostamente as viveu. Uma baiana de 68 anos, que quer contar para o mundo, através de Ubaldo, o quanto aproveitou sua vida e como viveu sua sexualidade livremente, sem repressões. Aliás, sem repressão nenhuma mesmo, já que o livro tem de tudo: incesto, homossexualidade, experiências com animais, drogas, posições pouco ortodoxas… o que existe para experimentar, foi experimentado por essa senhora, e o livro mostra, de forma bem explícita, como essas experiências a afetaram.

Como as personagens entram e saem durante as anedotas, vou dizer que gosto da narradora, que é uma mulher franca e direta, que não tem vergonha nenhuma do que viveu e que não se prende a culpas nem ao que considera falsos moralismos. Como personagem, cumpre bem a função de levar o leitor a refletir sobre o que é o pecado para nós, o quanto ele nos desafia e o quanto ele altera nossas vidas.

O livro é bem diferente, e na primeira vez que o li – com mais ou menos 12, 13 anos – não pude entender a crítica que ele fazia, ou pelo menos não pude entender totalmente. Eu reli alguns pedaços anos depois, já mais velha e capaz de compreender a mensagem que ele deveria passar, e isso fez toda a diferença para que eu gostasse do livro. No geral eu gostei do livro, e recomendo para uma reflexão, mas já aviso que é o tipo de livro em que se tem que saber como se distanciar dos seus pré-conceitos, ou a narrativa não vai alcançar seu objetivo. Um último comentário: 50 tons de cinza uma ova, erotismo mesmo é isso aqui.

Espero que tenham gostado! Bom final de semana e até a próxima!

Coleção Plenos Pecados:

– Mal Secreto (Inveja)
– Xadrez, Truco e outras Guerras (Ira)
– O Clube dos Anjos (Gula)
– A Casa dos Budas Ditosos (Luxúria)
– Canoas e Marolas (Preguiça)
– Terapia (Avareza)
– Voo da Rainha (Soberba)

10 Comments

  1. Legal, se não me engano foi adaptado em monólogo pro teatro, confere? Apesar do título algo obscuro e algo cacofonico, me chamou a atenção. Quem sabe não leio qualquer dia. Sugestão para seus futuros posts: selecionar um trechinho da narrativa, para que possamos ter um gostinho. Que tal?

    • Helder, foi mesmo adaptado para o teatro, esqueci de mencionar isso na resenha! Fernanda Torres o representou, deve ter sido bem legal!

      Se eu fosse você, leria. Acho que vai gostar do livro!

      Achei uma boa sugestão, vou aceitá-la e tentar colocá-la em prática =)

  2. VIvian

    Oi Marina!!
    Eu já ouvi falar nesse livro, mas faz muito tempo, então não lembro bem o que… kkkk
    Vai pra minha lista de leituras!
    Ah, resolvi ler o 50 tons de cinza para entender sobre o que tanto falam! hehe Ainda estou no início, página 80, então por enquanto só acho graça de alguns trechos, mas nada demais.
    beijos

  3. Vivian

    Marina! Acabei de ler esse livro e não poderia de vir aqui comentar o que achei! hehe
    Eu adorei! A narradora é maravilhosa! Gostei do jeito descontraído dela de contar os seus causos de forma bem livre.
    O livro realmente tem uma crítica bem interessante e nos leva a refletir várias coisas. Teve até algumas que eu já pensava às vezes sobre e que o livro que ajudou a confirmar meu ponto de vista.. hehe
    Enfim, é um livro muito interessante! Mas é importante lê-lo desprendido de preconceitos.

    beijos

Tem algo a acrescentar?