Cassino Royale (Casino Royale) – Ian Fleming

Oi! Sexta feira é sempre um dia feliz pra mim: é sinal que o sábado vem aí, trazendo minhas aulas de ballet e o descanso do fim de semana, mas essa sexta, em especial, traz minhas últimas férias do Ministério, então não estou tão empolgada assim. Pra contrastar com meu humor indefinido, mas “mais pra baixo que pra cima”, resolvi trazer o único livro de James Bond que li até hoje (por enquanto! Quero toda a coleção na minha estante “pra ontem”). “Cassino Royale” foi o primeiro livro a trazer uma história do agente secreto mais famoso do mundo; essa história ficou mais famosa depois do filme de 2006 estrelado pelo Daniel Craig e pela (diva) Eva Green (essa adaptação, no entanto, não foi a primeira a ser feita!).

Em “Cassino Royale”, o chefe de Bond e chefe do serviço secreto britânico, “M”, solicita que 007 jogue contra o banqueiro da organização criminosa (na realidade uma organização Soviética, já que era nesse contexto que Fleming vivia) SMERSH, Le Chiffre, no cassino de Royale-Les-Eaux, no norte da França, em uma espécie de torneio de baraccat (no filme de 2006, pôquer). O objetivo disso é que Le Chiffre perca o dinheiro da SMERSH nas apostas, ao invés de aumentar o lucro da associação, uma tentativa de que, sem os fundos, a SMERSH cesse suas atividades “criminosas”. Para acompanhar Bond e ajudá-lo a compor seu papel de playboy jamaicano, M envia Vesper Lynd, assistente pessoal do chefe da seção “S”, uma bela e misteriosa mulher, que atrai a atenção do mulherengo James Bond.

Bom, além de submundos, eu tenho uma quedinha por histórias de detetives, espionagem e investigação, e James Bond é um pouco de cada uma dessas coisas. Eu vi alguns filmes da franquia James Bond, então já tinha me interessado pela história, mas foi depois da adaptação de Cassino Royale, em 2006, que eu fiquei realmente louca pra ler as histórias que haviam inspirado filmes tão cheios de ação. A razão da minha preferência por CR é que ali, pela primeira vez, James Bond não era apenas uma máquina de matar na pele de um homem mulherengo: além de ser tudo isso ele era um homem atormentado, ligeiramente sombrio e cheio de segredos, que eu só podia entrever. A leitura desse livro foi uma grata surpresa, pois mesmo não sendo tudo que eu esperava, o livro é muito bom!

Vamos começar pelas personagens, ligeiramente diferentes da adaptação cinematográfica, mas ainda assim encantadoras. James Bond é um homem charmoso, machista (fazer o que? O livro é de 1953!), inteligente, bonito e arrogante. É o tipo de personagem que eu adoro (e que detestaria na forma de um homem de verdade), pois traz comportamentos inusitados para a história. Vesper Lynd é uma boa personagem, mas eu confesso que a Vesper de Eva Green é mais legal! Achei a versão literária meio chiliquenta, mesmo dando-se o desconto de mulher-frágil-desejada-dos-anos-50. Le Chiffre é um vilão muito bom, mesmo não sendo tão detalhado quanto é no filme.

O enredo em si é muito interessante. Cassinos me parecem lugares meio míticos, de vestidos estilo “sereia”, jóias cintilantes e mulheres e homens belíssimos e elegantes, e é exatamente isso que se vê no livro. Ian Fleming é um bom contador de histórias, e suas personagens interagem bem, criando uma história orgânica e interessante. Se tem uma coisa que pode parecer meio estranha é a ausência da tecnologia super avançada que vemos nos filmes, mas nada que atrapalhe a leitura, obviamente. Os hábitos de James Bond são, também, uma revelação dos costumes de sua época, e é uma forma interessante de saber como se comportavam (pelo menos alguns) homens dos anos 50.

Eu gostei bastante do livro, apesar de achar a história ligeiramente rasa; talvez por ter esperado demais dele, ou por ser o primeiro da série, mas é um bom livro sim. Ian Fleming escreve bem, então acredito que daqui pra frente seus livros podem melhorar aos meus olhos. Leitura obrigatória pra quem gosta de espionagem e tem um ligeiro fascínio pela história do espião mais famoso do mundo!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana e até a próxima!


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