Um novo ano e uma nova vida – ou – Uma carta

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Oi! É, eu sei. Desde outubro não dou as caras, não teve post de Natal nem de Ano Novo, nem teve Retrospectiva. 2016 foi um ano movimentado e estranho, e o segundo semestre dele foi incrivelmente agridoce pra mim. Ainda estou me recuperando das porradas emocionais e psicológicas que tomei, então nem eu sei bem o que estou fazendo aqui. Não saberia dizer se é um pedido de desculpas, um retorno (ou uma tentativa de retorno), uma tentativa desesperada de me apegar em algo que pode sumir. Talvez seja um misto de tudo isso.

Já tem seis anos (quase sete!) que eu escrevo aqui no blog. Já tivemos pausas antes, já tivemos posts programados quando eu fazia longas viagens, já tivemos férias e afastamentos por outros motivos. Independente do que aconteça, eu sempre volto. Estou aqui, não estou? A verdade é que estou tentando melhorar, tanto a mim quanto àquilo que me cerca. Ontem, pela primeira vez em MUITO tempo, fui à livraria, comprei um livro e fiquei até tarde lendo. Pela primeira vez em muito tempo, quero terminar essa postagem para saber o que acontece nas próximas páginas. Quero mergulhar numa história, pegar a estrada e viajar, ir pra minha aula de ballet, pra minha aula de francês. É a primeira vez em muito tempo que me sinto estimulada pelas coisas que eu amei a vida toda, e quero aproveitar isso. Me deu vontade de escrever aqui também, mas como eu não queria fazer uma resenha, veio esse desabafo. Não vou prometer as resenhas duas vezes por semana nem todas as outras coisas que eu fazia antes. Preciso de um tempo pra colocar minha cabeça no lugar, e resolvi que não vou me pressionar: apareço sempre que der, mas não vou embora.

Como não tivemos post de Ano Novo, ficam aqui meus desejos pra 2017: que seja mais calmo, mais doce e mais alegre. Que sejamos mais tolerantes, que saibamos ver aquilo que está bem na nossa frente, e que possamos encontrar soluções para todas essas coisas que nos sufocam. Mais livros, mais ballet, mais francês e mais viagens pra mim. Pra vocês também, se vocês gostam dessas coisas. Que seja um ano mais tranquilo. E que eu venha aqui mais vezes e com mais resenhas. Feliz 2017, gente.

Marina


Sobre as Fases

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Oi! Este texto foi escrito ontem para ser publicado hoje. É mais uma das minhas reflexões sobre leitura, e um post que já tinha sido prometido há tempos!

É uma tarde quente em Brasília – bela novidade! Essa cidade só vive no calor, me parece… – e eu me pego pensando sobre como minhas leituras andam paradas. Tenho livros da biblioteca do trabalho esperando por mim, além de outros que eu já tinha em casa, mas nada parece me despertar o interesse. Olho para os meu livros e me sinto culpada, porque não quero ler nada – ou, melhor dizendo, o que eu quero ler nunca parece estar por perto, e nem eu sei o que é. Percebo, então, que entrei em outra fase e que preciso me culpar menos, porque tudo é tempo.

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A vida é feita de ciclos. Acredito que percebamos este fato ainda crianças, e vamos convivendo com ele até nosso último dia nesta terra. Eu, pelo menos, sempre me pego pensando, em momentos de extrema felicidade, que devo me controlar, porque aquilo não durará para sempre (pena que não consigo dizer o mesmo em momentos de tristeza). Existe, inclusive, uma fábula sobre um rei que pediu a um sábio que cunhasse uma frase que o animasse nos momentos de tristeza e segurasse sua euforia nos momentos de felicidade extrema. A frase cunhada é “Isto também passará”. É, tudo passa, e se aprendi a respeitar os ciclos da vida já há tempos – pelo menos no plano teórico – não pareço lidar tão bem com as minhas fases de leitura.

É que eu leio muito – já ganhei mais alcunhas e apelidos por causa disso do que poderia contar – mas também passo por momentos em que parece que nenhum livro me chama a atenção, ou eu simplesmente não tenho vontade de ler nada. Passo dias, semanas assim – já cheguei a emendar uns meses -, e aí, um dia, acordo desesperada pelo meu primeiro amor e corro para todos os livros que me esperam; devoro-os um atrás do outro, feliz, sedenta, arrependida. A típica amante que se arrepende da traição ao ser amado e busca seus braços para pedir perdão e implorar amor. Minha relação com a leitura é cada vez mais visceral e cheia de meandros, e percebo que preciso respeitar os momentos desta que é minha maior história de amor: eu e minhas várias vidas, minhas várias viagens, minhas várias personalidades – todas adquiridas nas histórias que leio e que vêm morar em mim.

"Livro. Do latim, "liber", "ser livre"."

“Livro. Do latim, “liber”, “ser livre”.”

Existem as fases de gêneros específico, quando me afundo em romances, ou não consigo pensar em outra coisa que não investigações policiais; existem aquelas em que um país me atrai tanto que não consigo ler algo que se passe fora dele; existem, ainda, aquelas em que quero personagens com características específicas, que supram minha vontade de conviver com pessoas como elas; e existem as fases em que eu quero ficar sozinha, longe de tudo e de todos, e em que meus livros ficam relegados ao silêncio e à espera.

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No meio dos ciclos da minha vida, meus ciclos de leitura se misturam, e eu me pego pensando que forçar um ciclo de não-leitura é me obrigar a passar por um momento que não deveria acontecer ainda, além de arriscar pegar raiva de uma história que não estava pronta para ser conhecida. Isso me leva ao total silêncio ou à releitura e às palavras já familiares e cativas. Se mais alguém se sente assim, fica meu conselho: não forcem a si mesmos. Respeitem os ciclos, da vida e das leituras. O tempo é cura para tudo e respeitá-lo é ser sábio. Vivamos com calma e não tenhamos pressa: o que for pra ser, será, e isto tudo, também, passará.


Sobre o Desapego Literário

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Oi! É segunda feira e a semana começa. Pra mim, na realidade, as semanas começam aos domingos: é quando organizo minha vida para a semana de trabalho, faço faxina e deixo tudo no seu devido lugar. Ontem, enquanto terminava um trabalho no computador, resolvi que era chegada a hora de falar sobre um assunto que anda morando no meu coração e que eu ainda não tinha abordado aqui. É o momento, e hoje eu estreio uma nova categoria aqui no blog, “Reflexões Literárias”, que vai sendo inaugurada com o que eu ando pensando sobre livros – e minhas estantes e meu consumismo. (E não se preocupem, que vai ter resenha na sexta pra compensar hoje!)

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Minhas estantes me fazendo companhia enquanto leio. Já segue o insta do blog? (@omundodamarina)

Estou sentada no meu quarto, no calor de Agosto de Brasília, olhando para as minhas três estantes. Estão abarrotadas de livros, cheias das histórias que eu tenho lido ao longo dos anos, que me fizeram companhia e que eu colecionei vorazmente. Sempre disse para as pessoas que gostava de ter os livros que eu lia porque eu tenho o hábito de relê-los, e é verdade. Mas, de mais ou menos um ano para cá, tenho pensado na minha vida, no que quero para o meu futuro e onde (e como) me vejo daqui alguns anos. A verdade é que, por mais que eu me veja como uma velhinha daquelas que mora num chalé de contos de fada, cheios de livros até o teto, percebo que nem tudo que mora na minha estante atualmente vai caber na minha vida no futuro – e que antes de ser essa velhinha, quero ser uma jovem adulta diferente. É hora daquilo que eu temi por tanto tempo (que ainda temo um pouco, pra ser franca): é hora de desapegar – dos meus livros.

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Meu companheiro kindle – que deve passar a ser mais companheiro ainda…

Vejam bem, não é que eu não queira meus livros à minha volta. Não é que vou deixar de reler meus preferidos – qualquer dia vou falar disso num post, prometo -, mas é que eu me dei conta de que não preciso ter todos os livros que eu leio em versão física – e, francamente falando, isso nem caberia nos planos que eu tenho pra minha vida. Resolvi, então fazer uma seleção do que sai e do que fica, e talvez seja por isso que, há meses, não compro livro nenhum, e tenho aproveitado bastante a biblioteca do meu trabalho. Ando me sentindo mais leve sem a obrigação de comprar livros. Sim, porque deixou de ser um prazer, já que parte do que eu queria era ter tudo que eu já li – o que significa que tenho várias coleções iniciadas que eu nunca completei, além de outras tantas que eu comprei num impulso mas que nem fazia questão de ter, hoje em dia. Não estou nem me cobrando nem me culpando, afinal, tudo na vida são fases, e eu apenas cheguei em uma em que só quero comigo o que amo mais, e se essa triagem tem me feito bem em várias frentes, porque não fazer o mesmo com as minhas estantes?

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Quando ainda tinha um espacinho na estante…

Vou admitir que o prospecto de não ter meus bebês de papel ao meu redor é um tanto apavorante, mas é também um tanto libertador saber que vou manter apenas os que se encaixam em determinados critérios – e, sabe-se lá, esses critérios também podem mudar daqui um tempo. Há mais ou menos um ano eu comecei a mudar radicalmente a minha vida, e meus livros também entraram na baila: agora é começar o processo de categorizá-los e decidir o que fazer com eles. Já dei o primeiro passo: minha coleção (incompleta) da Jane Austen foi dada pra Su, uma amiga minha que eu já até citei aqui no blog (e que me fez prometer que diria, na próxima vez que o nome dela aparecesse, que ela trabalha como faxineira na minha casa desde que eu tenho uns 12 anos). Ela adorou “Orgulho e Preconceito”, e acabou lendo outros, e achei que ela seria a melhor dona pra esses bebês em particular.

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Depois dessa catarse e da libertação que eu sinto no momento, é hora de, efetivamente, começar o processo. Talvez volte pra contar como foi, o que fiz e mostrar o resultado final das estantes. Talvez só mencione casualmente, no meio de uma resenha, como as coisas ficaram. De qualquer modo, parece até que é algo maior que eu que me move e me motiva a mudar. Talvez seja mesmo, ou talvez seja só uma Marina que eu tinha sufocado até agora. Veremos!

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Os livros da faculdade também vão entrar na baila!

Pra se inspirar ainda mais em minimalismos, leiam esses posts da La Cucinetta, onde a Ana Elisa fala sobre a experiência dela de passar adiante boa parte da coleção de livros de culinária dela. Eu já amava o blog dela por diversos motivos, mas tem sido ainda mais incrível lê-la, porque ela parece ter as mesmas visões de mundo que eu em muita coisa, e isso é muito legal!