Cisnes Selvagens, Três Filhas da China (Wild Swans) – Jung Chang

Oi! Já que tivemos uma resenha curtinha na segunda feira hoje resolvi falar de um dos livros mais marcantes que eu li na vida, “Cisnes Selvagens”. Pra quem não me conhece é bom explicar que eu tenho, desde pequena, vontade de conhecer o mundo todo. Sempre fico obcecada por um determinado país por um determinado período de tempo, e quero saber tudo sobre ele. Isso começou na infância com dois países, a China e o Japão (que, na minha cabeça de menina de 10 anos eram absolutamente iguais – ledo engano); depois disso minha obsessão se virou para o Egito (ainda falo do Christian Jacq aqui!), depois para a Itália (país dos meus ancestrais e obsessão constante desde então), depois para quase todo o Reino Unido.

Bom, como eu era muito novinha quando me apaixonei pela China/Japão da minha cabeça, não li tanto e nem pesquisei tanto assim (até porque internet não era assim tão comum). Quando eu tinha entre 12 e 13 anos, no entanto, minha tia Marta (que de vez em quando “desapega” de alguns livros aqui em casa) me emprestou esse livro. Acho que foi o primeiro livro “grande” que eu li, e o que eu absorvi daquela história acabou formando uma parte de mim. Sem mais delongas e desabafos, hora da resenha em si.

“Cisnes Selvagens” não é ficção, é uma biografia de três mulheres: Jung Chang (a autora do livro), Bao Qin/De-hong (a mãe de Chang) e Yu-fang (avó de Chang). A narração se inicia contando a história da avó da autora, passando o foco, então, para a vida de sua mãe, e, por fim, para a vida da própria autora. O que torna essas três histórias tão especiais não é só a descoberta dos costumes chineses ou mesmo a mudança desses costumes ao longo do tempo, mas a visão, através dos olhos de pessoas comuns e que estavam diretamente envolvidas, da Revolução Comunista que acontece na China.

A primeira protagonista da narração, Yu-fang, vive em uma China de costumes que já estão se tornando ultrapassados, e sua própria família é um exemplo disso: ela tem os pés quebrados e enfaixados para manter a antiga noção de beleza chinesa de que pés pequenos são mais belos; sua irmã mais nova não tem que passar pela mesma (traumática) experiência. Sua família era pobre, e só ascende (pouquíssimo) socialmente após seu casamento arranjado – e ela sequer é uma esposa. É apenas mais uma das concubinas de um General – e sua vida, até o nascimento da filha, não é das mais felizes.

Bao Qin (depois chamada de De-Hong) é criada pela mãe para não ser uma concubina (nem para um homem, nem para a vida), e acaba se tornando parte do Partido Comunista Chinês, onde acaba conhecendo o futuro marido, Wang Yu/Shou-yu, com quem tem cinco filhos que são criados sob o regime e sob a crença de que estão tornando o país um lugar melhor. Quando a narrativa está chegando à história de Jung Chang, no entanto, podemos perceber como esse regime afeta negativamente grande parte dos chineses, mesmo aqueles que lutaram pelo regime, como os próprios De-Hong e Shou-yu.

O livro é incrível, muito bem escrito e bastante revelador. Não se pode dizer que tudo o que Chang narra é a verdade absoluta para todos aqueles que viveram a experiência da Revolução (afinal, autobiografias são, logicamente, parciais), mas o quadro é bastante coerente e realista, ainda que não necessariamente feliz. Um livro para ler e pensar sobre. Se vocês permitirem, pode alterar a vida de vocês tanto quanto alterou a minha.

Espero que tenham gostado! Até a próxima!

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