Como Água para Chocolate (Como Agua para Chocolate) – Laura Esquivel

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Oi! Minhas leituras estão atrasadas, e fiquei me perguntando sobre o que resenhar hoje. Estava no clima de reavivar meu (semi-abandonado) espanhol, então escolhi o único livro mexicano que li até hoje (eu sei, é uma vergonha!), “Como Água para Chocolate”.

O livro conta a história de Tita, seu amor por Pedro e sua relação com sua família. Tita é a filha mais nova de Elena, e vive com a mãe e as irmãs mais velhas, Rosaura e Gertrudis, a cozinheira da família, Nacha, e os empregados da fazenda onde moram. Tita e a mãe não se dão muito bem, e Nacha é sua verdadeira figura materna. Com Nacha, Tita aprendeu a cozinhar, e é tão boa nisso que o que ela está sentindo enquanto cozinha, influencia o sabor da comida e a reação de quem come. A família tem uma tradição segundo a qual a filha mais nova não deve se casar, pois sua obrigação é cuidar dos pais na velhice – no caso de Tita, que é órfã de pai, da mãe. Tita conhece Pedro em uma festa, e os dois se apaixonam. Ele vai até a casa dela pedi-la em casamento para mamá Elena, que diz a ele sobre a tradição da família. Quando percebe que Tita nunca poderá se casar, Pedro pede a mão de Rosaura em casamento, com o objetivo de ficar perto da amada, já que vão todos morar na mesma casa. O problema é que Rosaura sabe que o marido não a ama, e sente ciúmes da irmã. Tita, enquanto isso, sofre por ver Pedro casado com a irmã, e vê sua relação com a mãe se deteriorando mais e mais. Colocando seus sentimentos naquilo que cozinha, Tita vai mudando, sem saber a vida daqueles que a cercam, enquanto sua própria vida vai tomando rumos inesperados.

Conheci esse livro quando li “Julie e Julia”, e fiquei curiosa para saber como a história acontecia. Quando o li, fiquei impressionada com como a Laura Esquivel colocou sentimentos em uma história. O termo “novela mexicana” passou pela minha cabeça várias vezes durante a leitura, já que tudo é bem dramático, bem exagerado. Cada capítulo abre com uma receita (uma mais absurda que a outra!) que teoricamente vem do acervo pessoal de Tita e Nacha. A história se passa durante a Revolução Mexicana, e a narração se toca com supostos fatos históricos em alguns momentos – digo supostos porque não sou versada no assunto, então não saberia dizer se são fatos verdadeiros.

As personagens são bem humanas, mas há um quê de fantástico e sobrenatural em cada uma delas. Acho que a intenção da Esquivel foi direcionar a leitura para que o leitor soubesse quem ela queria como “vilão” e “mocinho”, mas eu, pelo menos, acabo sempre vendo os dois lados, então mesmo que Rosaura tenha sido pintada como uma chata, posso ver o motivo da tristeza dela, e o que a levou a ser tão amarga. Gostei de Tita, é uma jovem mulher trabalhadora, corajosa, e descobrindo o que tem de belo dentro de si. Pedro é um frouxo, só fez me dar raiva o livro inteiro, e mamá Elena e Nacha são os dois opostos da relação com Tita – uma a defende sempre, a outra a condena sempre. A personagem mais divertida foi Gertrudis, a irmã do meio, mas não dá pra dizer o motivo sem contar uma parte importante da história. “Como Água para Chocolate” é um livro interessante, bem diferente do que a maioria das pessoas conhece, e eu gostei bastante! Recomendo tanto o livro quanto a adaptação cinematográfica de 1992, que ficou até bem razoável!

Espero que tenham gostado! Boa semana e até a próxima!


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