Depois Daquela Viagem – Valéria Piassa Polizzi

Oi! Hoje eu vim falar de um livro muito especial, que mexeu muito comigo quando o li – não só porque eu era muito novinha, devia ter uns 12, 13 anos – mas porque tem um tema delicado. É dia de eu falar de “Depois Daquela Viagem”, a história da adolescente Valéria Piassa Polizzi e de sua luta com o vírus da AIDS.

“No tom coloquial próprio dos jovens, Valéria Polizzi relata com bom humor e descontração as farras com a turma de amigos, a dúvida entre “ficar” ou namorar, o despertar da sexualidade, a angústia diante do vestibular e muitas coisas que atormentam qualquer adolescente. Tudo isso seria perfeitamente natural se não fosse por um pequeno detalhe que iria fazer uma enorme diferença: Valéria contraiu AIDS aos 16 anos. A autora mostra como, de repente, por causa de quatro letrinhas, sua vida passou por uma reavaliação radical. Ela expõe, sem meias palavras, como a doença mexeu com sua cabeça e com os seus sentimentos, ficando claro a sua resolução de preservar sua condição de ser humano a qualquer custo.”

Quando comecei a ler esse livro, fiquei preocupada que ele fosse triste demais e que eu não conseguisse terminar. Aí li a primeira folha e vi que a autora falava de igual pra igual com o leitor, e me senti tão confortável que terminei de lê-lo bem depressa. A história dela me marcou muito, e desde que comecei o blog quero resenhá-lo, só que acabava por lembrar dele depois de concluir uma outra resenha.

A narrativa é realmente feita num tom bem coloquial, e às vezes até algumas gírias da época e do lugar onde Valéria viveu aparecem – ela é de São Paulo -, então dá pra ler depressa e sem dificuldades. E a história dela em si é muito interessante, ainda mais pra quem vive hoje, tem mais informações sobre DSTs e AIDS, ver como pra ela era difícil, já que foi bem na época do aparecimento da doença, quando todo mundo achava que “era coisa de gay” e que “camisinha era coisa de puta” – foi esse absurdo que o namorado dela, que a contaminou, disse quando eles transaram!

Não há que se falar de personagens, já que a história é real, mas dá pra dizer que, em meio a uma descoberta tão triste e complicada, a Valéria se mostrou, ainda que confusa e assustada com aquela situação – o que é perfeitamente compreensível – muito corajosa e determinada, já que foi lá, superando seus medos e aprendendo a viver com o vírus.

É, o livro não era triste como eu achava que ia ser, mas havia tristeza nele, obviamente. Que tipo de história onde uma menina de 16 anos é contaminada por uma doença sem cura pode ser totalmente feliz? É um livro, apesar de escrito por uma jovem adulta, com experiências vividas por ela ainda adolescente, que fala para todos. Fiquei muito tocada com a história, e nunca a esqueci. Hoje eu a recomendo, e muito, aqui no blog, e agradeço à Valéria (depois de ler o livro vocês vão ver que também vão falar dela assim: como se fosse uma amiga da vida toda!) por ter dividido sua história com o mundo. Tenho certeza de que conscientizou muita gente e que ajudou um tanto ainda maior!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos e até a próxima!


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