…e o vento levou (Gone with the Wind) – Margaret Mitchell

Oi! Ontem tive “problemas técnicos” com o computador e fiquei preocupada de não conseguir fazer as resenhas da semana, mas, felizmente, o responsável pela manutenção dos meus gadgets e do funcionamento técnico do blog veio me resgatar (Amor, você arrasa!). A resenha de hoje é uma forma de enlouquecer minha melhor amiga, a Ivy. Explico: ela está doida pra ler “…e o vento levou” e ainda não conseguiu, então quero deixá-la ainda mais agoniada! 😉

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Capa maravilhosa de “…e o vento levou”

A história de “…e o vento levou” é conhecida pela maioria das pessoas por sua adaptação cinematográfica, magistralmente interpretada por Vivien Leigh (diva) e Clark Gable. A história do livro foi impressionantemente bem adaptada, já que não foge muito dos eventos do livro (coisa rara de acontecer é eu gostar de adaptações, essa é uma das poucas exceções): durante o período da Guerra Civil Americana e da Reconstrução, acompanhamos a história de Scarlett O’Hara, filha de um rico proprietário irlandês, que vive em Tara, uma plantation (desculpem o termo em inglês, mas não acho nenhuma correspondência de sentido boa o suficiente para esse caso em português) de algodão. Scarlett não é propriamente bonita, mas é ligeiramente ousada para os costumes da época, e tem um charme inexplicável, que faz com que seja a moça mais cortejada da região. Ela está apaixonada por Ashley Wilkes, herdeiro de uma propriedade vizinha, Twelve Oaks, mas descobre que ele está noivo de uma prima distante, Melanie Hamilton. Após declarar seu amor por Ashley e ser rejeitada, ela conhece Rhett Butler, um homem não muito bem visto na sociedade, mas que se parece bastante com ela em personalidade e pensamentos (ainda que ela não perceba isso). A partir desse primeiro encontro, ao longo de anos, a relação de cão-e-gato dos dois vai se desenvolvendo e mudando junto com os Estados Unidos da época, e cada vez que os dois se encontram, faíscas de emoções novas aparecem, e, com caracteres tão parecidos e tão passionais, criou-se uma das mais belas, envolventes e explosivas histórias de amor que esse mundo conheceu.

Esse é um livro pra quem tem muita paciência para descrições. Margareth Mitchell é uma autora excelente, e com certeza soube pintar o sul dos EUA de uma forma tão bela que nos sentimos andando pelo chão vermelho, sentindo o sol quente na nuca e vestindo as roupas sofisticadas da época. Pode ser cansativo, no entanto, para quem não gosta de páginas e páginas falando sobre a aparência de um prado ou de uma fazenda. Afora isso, para quem quer ler um estudo acurado sobre a escravidão, esse não é um bom livro, já que Mitchell pinta suas personagens negras quase como sedentas pela eterna servidão aos brancos – e ela é tão boa nisso, que quase nos engana! Afora isso, é um retrato interessante sobre a Guerra da Secessão, um romance arrebatador e muito bem escrito!

As personagens são incríveis, e é quase inevitável gostar mais dos “tortos” do que dos eternos bonzinhos: Ashley e Melanie me deram nos nervos, de tão nobres, mas Scarlett e Rhett, com suas paixões desenfreadas, suas ambições e até mesmo seus egoísmos me arrebataram! Gostei bastante de Mammy, a escrava de casa de Scarlett, que apesar de saber que a menina/mulher (visivelmente sua preferida entre as irmãs O’Hara) não é lá muito cheia de caráter, tenta de tudo para ajudá-la a alcançar seus objetivos e (o que ela pensa que será) sua felicidade. Scarlett foi minha personagem preferida: à frente de seu tempo, trabalhadora e corajosa, ainda que egoísta, mimada, cheia de frescuras. Gostei de Rhett, claro, mas ela é quem me chamou a atenção de verdade!

A história de “…e o vento levou” foi tão bem adaptada que entrou no roll dos meus filmes preferidos, assim como o livro também é um dos melhores que já li! Recomendo com paixão, e Ivy, espero que você fique mais desesperada ainda e leia o livro logo, assim posso falar sobre ele com alguém!

Espero que tenham gostado! Boa semana e até a próxima!


4 thoughts on “…e o vento levou (Gone with the Wind) – Margaret Mitchell

    • Oi Camis! Eu te entendo, viu? Até eu, que geralmente gosto, e muito, de descrições, me cansei em alguns momentos! Ficava pensando um pouco “ok, já saquei como é a terra de Tara, vamos adiante, por favor?” haha!

      Mas se tiver a chance – e a paciência – não deixe de ler, é uma história belíssima! =)

      Beijos!

  1. Ah, agora que eu li eu posso falar e falar! hahahaha As descrições são fantásticas (embora algumas vezes cansativas), eu me sentia como se estivesse na Rua dos Pessegueiros em Atlanta, ou em Tara e sua vasta plantação de algodão. Amei a Scarlett e o Rhett igualmente. A Scarlett por se reconhecer exatamente como é, saber o que quer, sem máscaras e disfarces. Ela sempre idealizava ser como a mãe, Ellen, mas no fundo sempre soube que não poderia ser, ao menos em alguns aspectos. Adoro a força dela, a determinação, o egoísmo e a impaciência com pessoas não práticas. Já o Rhett… Posso me apaixonar pelo Rhett? Amei o sarcasmo, o humor, o jeito prático de ver a vida, as pequenas boas ações que ele tentava disfarçar de todas as formas, o jeito espertalhão, o amor sem limites pela Bonnie, a ambição, a franqueza desmedida, o egoísmo.

    Não tinha a menor paciência pro Ashley, fiquei imensamente triste quando os irmãos Tarleton morreram, me amarrava na Mammy. Até que gostava da Melanie! E o melhor detalhe do livro: a rua Ivy, em Atlanta! 🙂

Tem algo a acrescentar?