A Feira das Vaidades (Vanity Fair) – William Makepeace Thackeray

Oi! Estou comemorando o fim da bota e do repouso, então escolhi um livro de que gostei muito e que conheci graças à maravilhosa biblioteca da UnB (ou pelo menos eu a achava a 8ª maravilha do mundo quando passei no vestibular…). Hoje é dia de “Vanity Fair”, do Thackeray.

O livro conta a história das vidas entrelaçadas de Becky Sharp e Amelia Sedley. Amigas de colégio, as duas têm perspectivas bem diferentes para quando se formarem: enquanto Amelia está noiva de um jovem tão abastado quanto ela, Becky é pobre e não tem perspectivas, e resolve começar sua vida – e sua longa escalada para ascender socialmente – junto à família de Amelia. Os anos passam e as histórias das duas se cruzam continuamente, sendo alteradas pela mão inexorável do destino.

A história é uma crítica de Thackeray à sociedade de sua época, mas bem podia ser uma crítica à nossa, pois muito do que é criticado lá acontece até hoje. O nome do livro também é bem apropriado, assim como o subtítulo “A Novel Without a Hero”, “Uma Novela sem Herói” (as classificações de gêneros literários são diferentes para cada sociedade. O que no Brasil chamamos “romance” e consideramos uma história grande é chamado de “novela” em outras classificações, especialmente a francesa); realmente, não há heróis nessa história, e o motivo é a escolha do narrador de acentuar as partes mais sombrias do caráter humano, chegando até a minimizar um pouco quando algo de bom é feito por suas personagens.

Falando em personagens, essas são o grande atrativo da história: Becky é tão vil, tão desprezível e ao mesmo tempo tão corajosa e bem resolvida, que mesmo a odiando não pude deixar de sentir certa admiração; não pelo que ela faz para melhorar de vida, e certamente não por ela querer ascender socialmente, mas por ela ser “despachada”, bem resolvida. Enquanto Amelia é seu oposto: um tanto virtuosa, um tanto simplória e certamente bem boba, daquele tipo que fica esperando as coisas acontecerem. Isso não quer dizer que gostei menos dela, pelo contrário! Como Becky era corajosa mas era vil, era bom ler sobre Amelia, que apesar de tudo era pelo menos doce e carinhosa. Os contrastes das duas e a combinação de suas personalidades criaram momentos interessantíssimos no livro. Quanto às personagens secundárias gostei de Miss Crawley, que não se deixa enganar por nada, e de William Dobbin, apesar de ser meio “tolo apaixonado”.

A história é BEM longa, já aviso de antemão, mas é o tipo de livro que vale a pena conhecer. Virou filme várias vezes, sendo que sua versão mais conhecida foi estrelada pela Reese Witherspoon em 2004. Eu assisti, mas isso tem anos e nem lembro se vi o filme todo ou se gostei, não dá muito pra recomendar, mas o livro eu recomendo com certeza!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos e até a próxima!


4 thoughts on “A Feira das Vaidades (Vanity Fair) – William Makepeace Thackeray

    • Verdade, Camis! Infelizmente não aprendemos com o passado, já que em bons livros mais antigos eu sempre encontro problemas que continuamos enfrentando…

      Não deixe de ler esse livro, se tiver a oportunidade! É muito bom!

      Um beijão!

  1. Um clássico inesquecível. Interessante como a obra desnuda as virtudes e mazelas da alma humana e nos mostra o que a sociedade é, foi e sempre será com as mascaras devidamente adequadas para o seu tempo.

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