Gabriela, Cravo e Canela – Jorge Amado

Oi! Não sei vocês, mas eu estou bem animada essa semana (espero que essa sensação dure a semana toda!), aí resolvi falar de um livro divertido, de que eu gostei. Foi o primeiro livro que eu li de Jorge Amado, e claro que comecei com a obra mais conhecida: Gabriela, Cravo e Canela.

“Gabriela” conta a história de uma retirante sertaneja chamada (duh!) Gabriela, que se muda para a cidade de Ilhéus procurando uma vida melhor. Ela é contratada como cozinheira pelo sírio Nacib, dono do bar Vesúvio, que a leva para casa sem se dar conta de que ela é belíssima; tão logo a sujeira e os trapos da viagem somem, no entanto, os encantos da cozinheira o conquistam, e os dois se tornam amantes. Todos os homens da cidade também percebem e namoram de longe a beleza da moça, que os conquista não só com a aparência, mas também por ter um espírito livre e ser diferente das moças da cidade, obrigadas a viver numa sociedade rígida e preconceituosa. Nacib, apaixonado, decide se casar com Gabriela, que estranha as regras rígidas da vida conjugal na sociedade ilheense, colocando seu relacionamento com seu “moço bonito” em xeque. Simultaneamente, a cidade vivencia a briga política entre o reacionário Coronel Ramiro Bastos, que manda nos coronéis da cidade (e, com isso, manda na cidade toda) e o jovem idealista Mundinho Falcão, que se muda para Ilhéus e tenta fazer seu nome na política fora da sombra do pai e do irmão, também figuras públicas. Em pleno 1925, na era de ouro do cacau, a cidade de Ilhéus ferve com disputas políticas e amores mal resolvidos, e é nesse cenário que muita coisa muda, prenunciando uma nova era na cidade (e, quiçá, no país).

Bom, além das duas histórias principais o livro traz várias histórias paralelas, como a do doutor Osmundo e de Sinhazinha, a da estudante Malvina e a do entrave entre as “moças-damas” do Bataclã, o bordel da cidade, e as beatas ilheenses. Gostei das histórias do livro, e, por incrível que pareça, a que menos me interessou foi a de Gabriela em si! Não é que não seja boa, mas a personagem não me conquistou, e a história dela com Nacib, se narrada individualmente, é até bem curtinha, sem nada de tão surpreendente. Eu nunca tinha lido nada de Jorge Amado e, no início, estranhei um pouco a escrita dele. É bem adjetivada, descritiva; em alguns momentos parecia que ele estava vendo Gabriela ali, na frente dele, e se derramando em tamanhos elogios que eu me senti meio voyeur!

As personagens são bem marcantes e interessantes, e eu gostei muito de Malvina e das moças do Bataclã! Adorei ver como elas lutaram pelo direito de participar da procissão da santa, que, afinal, ia beneficiar todo mundo na cidade, de forma mais ou menos direta. Gostei de ver Mundinho Falcão tentando transformar a cidade em um lugar mais moderno, menos dependente dos coronéis (alô Brasil, alguém vê semelhanças com nosso momento atual?). Gostei de ver um coronel sendo julgado por um crime que, antes dele, era perdoável, já que era considerado como “lavar a honra” e não como crime em si. Em resumo, o que mais gostei no livro foi de ver as lutas e mudanças pelas quais a cidade passou, e não a narrativa ou o romance Gabriela-Nacib.

Pra ser sincera eu achei que Jorge Amado e eu ainda não nos acertamos 100%. Pra ver as coisas sob um prisma positivo nesse livro é importante lembrar, sempre, que é uma obra sobre os anos 20, e que preconceitos antigos estão aqui perpetuados, então sejam leitores críticos e percebam as diferenças de época. Se foram capazes disso, vão poder identificar que as revoluções e mudanças, por menores que sejam, sempre estiveram no sangue dos brasileiros. Às vezes só precisamos de um empurrãozinho para lutar por aquilo em que acreditamos! Recomendo o livro, Jorge Amado até que me agradou, mas recomendo ainda mais a reflexão e a comparação (sempre sempre) com o que vivemos agora. Que tal traçarmos paralelos e copiar o que deu certo, mudando o que deu errado?

Boa semana para todos nós! =)


2 thoughts on “Gabriela, Cravo e Canela – Jorge Amado

Tem algo a acrescentar?