Incidente em Antares – Érico Veríssimo

Oi! Hoje está tão quente que fiquei um tempo sentada, olhando pra tela do computador e sem nenhum ânimo para começar a escrever. O livro de hoje, no entanto, é muito divertido, bom para me tirar da indisposição em que o tempo quente me deixa – não consigo gostar de calor! Vamos de “Incidente em Antares”.

“Em dezembro de 1963, uma sexta-feira 13, a matriarca Quitéria Campolargo arregala os olhos em sua tumba, imaginando estar frente a frente com o Criador. Mas logo descobre que está do lado de fora do cemitério da cidade de Antares, junto com outros seis cadáveres, mortos-vivos como ela, todos insepultos. Uma greve geral na cidade, à qual até os coveiros aderiram, impede o enterro dos mortos. Que fazer? Os distintos defuntos, já em putrefação, resolvem reivindicar o direito de serem enterrados – do contrário, ameaçam assombrar a cidade. Seguem pelas ruas e casas, descobrindo vilanias e denunciando mazelas. O mau cheiro exalado por seus corpos espelha a podridão moral que ronda a cidade.”

Bom, a história, como eu já disse lá em cima, é divertidíssima. Assim como o filho, Luís Fernando, Érico é genial, e eu sou fã de seus trabalhos. O enredo da greve, da briga entre as duas famílias ricas da cidade – os Campolargo e os Vacariano – representando os conflitos vividos no país à época, além das tiradas geniais dos defuntos, criaram uma história original, criativa e hilária. Foi muito bom ir lendo e descobrindo todos os segredos de cada família, investigados e expostos pelos próprios mortos, além de ver como os próprios mortos se comportavam com suas situações.

Em termos de personagens, gostei de dona Quitéria, uma daquelas matriarcas tradicionais das histórias: cheias de vontades, de não-me-toques e que acaba por se surpreender com o que as pessoas pensam a seu respeito. Ainda entre os mortos, achei que o maestro falido, Menandro, era mais chatinho e sua história menos legal que a dos outros. A história do – também morto – João Paz, agitador político que foi torturado pela polícia, parece ser um retrato da época de uma forma mais óbvia.

Li esse livro para a última etapa do PAS, em 2007, e me encantei com a história. Já tinha lido “Clarisse”, também do Veríssimo, e já era leitora voraz de seu filho, Luís Fernando; “Incidente em Antares” foi um alívio em meio à pressão do fim do Ensino Médio, do desespero do vestibular e das minhas preocupações da época, e só tenho lembranças muito boas dessa leitura. Muito mais do que recomendado, com certeza!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos e até a próxima!

P.S.: Caro São Pedro, favor mandar a chuva de volta! Muito obrigada =)

2 Comments

  1. Ivy

    Olha, é o livro que eu li no ensino médio pro PAS!
    Lembro que eu fiquei surpresa porque gostei bastante e o livro que eu tinha lido antes (casa de pensão) tinha me traumatizado muito 😀

Tem algo a acrescentar?