A Insustentável Leveza do Ser (Nesnesitelná lehkost bytí) – Milan Kundera

Oi! Sabe quando chega aquele momento no ano em que uma semana abriga todos os problemas possíveis e você está exausto antes da quinta feira? Esta semana foi assim. Como não dá pra dormir o dia inteiro e ignorar tudo que eu tenho pra fazer, escolhi resenhar um livro especial, de que gostei demais, pra ver se crio ânimo. Hoje é dia de “A Insustentável Leveza do Ser”.

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“É um livro em que o desenvolvimento dos enredos erótico-amorosos se conjuga com extrema felicidade à descrição de um tempo histórico politicamente opressivo e à reflexão sobre a existência humana como um enigma que resiste à decifração – o que lhe dá um interesse sempre renovado. Quatro personagens protagonizam essa história – Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Por força de suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um deles experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida, esse permanente exercício de reconhecer a opressão e de tentar amenizá-la.”

Não sei como os livros vão parar nas mãos de vocês, mas pra mim eles vêm das mais diferentes maneiras. Alguns são presentes, outros são emprestados, outros são comprados, e outros, um pouco mais raros, são uma indicação; às vezes de alguém que leu e amou, às vezes de alguém que não leu mas vai fazê-lo no momento. Aí eu, curiosa, compulsiva, também já namorando a hipótese de ler o livro, cedo à tentação de passá-lo na frente de toda a lista de leituras, só pra saber se ele é tão bom quanto promete. A maior alegria acontece quando o livro é tão bom quanto – ou melhor do que – você esperava. Foi assim que eu acabei por ler esse livro, depois de tê-lo indicado por uma das pessoas mais seletivas – e enroladas – para leitura que eu conheço.

A narrativa do livro não é exatamente cronológica, já que vai e volta no tempo várias vezes, mas segue uma organização inteligível mesmo pra quem não está acostumado com narrativas não tão tradicionais. As histórias de Tomas, Tereza, Sabina e Franz se entrelaçam ao longo dos anos em que se passa a história, e os eventos históricos de Praga à época são pano de fundo e elementos de alteração essencial ao que acontece às personagens. O livro se passa durante a Primavera de Praga, em 1968, e as mudanças políticas pelas quais o país passa são mencionadas várias vezes no livro, especialmente através das ações políticas das personagens e o que essas ações acabam por alterar em suas vidas. Tomas é, para mim, a personagem mais interessante nesse sentido, já que não é o mais ligado em política, mas por uma ação acaba com a fama de ser exatamente isso, sendo mal julgado em diversos momentos.

O título que a princípio parece intrigante revela o outro grande motivo do livro: a discussão filosófica sobre o peso e a leveza, simbolismos para representar a ideia Nietzscheniana de “eterno retorno” e a ideia oposta, de que as coisas só acontecem uma vez. Eu ainda não li Nietzsche, mas achei o modo como as reflexões do Kundera se apresentaram bem inteligíveis, então talvez quando eu resolver ler as obras do alemão seja mais simples compreender suas proposições. Aqui as personagens (muito boas, muito interessantes) se dividem – Tereza e Franz são “pesadas” e Tomas e Sabina são “leves”, e essa diferença também guia boa parte dos conflitos do livro, já que os pesos e levezas alteram os relacionamentos interpessoais. É um livro curto, mas de mensagem densa: ler apenas para dizer que leu não ajuda ninguém, então sugiro que leiam, sim, pois é maravilhoso, mas que o façam pensando sobre o que estão lendo; talvez mude a vida de vocês!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para nós e até a próxima!


3 thoughts on “A Insustentável Leveza do Ser (Nesnesitelná lehkost bytí) – Milan Kundera

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