Jackie Editora (Jackie as Editor) – Greg Lawrence

Oi! Depois de algumas semanas de mini-férias, estou de volta! Como eu prometi, todos os posts que teriam sido feitos nesse período de descanso serão devidamente compensados. Pra voltar à ativa, escolhi um livro que não é de literatura, é uma biografia, que, pra quem não sabe, é um gênero que me interessa muito quando fala de alguém interessante e aborda um ângulo diferente, como é o caso de hoje. É dia de “Jackie Editora”.

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“Abordagem original sobre um capítulo pouco conhecido da vida de Jacqueline Kennedy Onassis: os dezenove anos de sua carreira como editora de livros. Aos 46 anos, Jackie começou a trabalhar pela primeira vez. No último terço de sua vida, ela adquiriu pleno domínio numa nova indústria e editou cerca de uma centena de livros no ambiente cada vez mais comercializado da Viking e da Doubleday, publicando autores tão diversos quanto Diana Vreeland, Louis Auchincloss, George Plimpton, Bill Moyers, Dorothy West, Nagib Mahfuz e até Michael Jackson.”

Quem gosta de livros como eu gosto, acaba por se interessar por todo o processo: a escrita, a luta para encontrar uma editora que o publique, a edição em si e todo o caminho que a história percorre para chegar às prateleiras. Sempre que encontro alguma coisa sobre edição, pesquiso e leio, porque realmente me interessa, e aí, um dia, estava andando pela livraria quando me deparei com esse livro na prateleira dos lançamentos. A vida de Jackie O nunca foi exatamente interessante pra mim, ainda que a personagem que ela se tornou me deixasse curiosa, e aí vejo que ela foi editora por mais tempo do que foi casada – e foram seus casamentos que a tornaram famosa – e tive que comprar o livro.

A proposta de Lawrence – que foi um dos autores publicados por ela – é falar sobre a biografia de Jackie nos 19 anos em que trabalhou como editora, e não de seus casamentos ou de seu status como ícone fashion, ainda que sejam assuntos inevitáveis quando se fala dela, e achei que a proposta foi cumprida: é claro que em determinados momentos seus casamentos ou suas reações sobre assuntos que envolviam os escândalos de sua vida são citados, mas, no todo, é sua carreira como editora que domina e que fascina. E que carreira! Jackie começou aos 46 anos (sem nunca ter trabalhado na área), pelo fato de que amava ler, amava os livros e conhecia tantas pessoas fascinantes – o que era um atrativo para qualquer empregador, já que ela poderia convencer essas pessoas a escreverem livros que venderiam muito. O livro é recheado de depoimentos de pessoas que trabalharam com Jackie e que contam sua trajetória nas duas editoras que trabalhou.

É um livro bem fascinante pra quem gosta de biografias ou simplesmente pra quem gosta de conhecer um pouco do processo de editoração e o trabalho em uma editora – ainda que o trabalho, aqui, possa não refletir nem o mercado brasileiro nem internacional como é hoje, já que bastante coisa mudou. Recomendo!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós, até a próxima e fiquem ligados porque agora todas as sextas terão resenhas até eu terminar de compensar os posts perdidos!


3 thoughts on “Jackie Editora (Jackie as Editor) – Greg Lawrence

  1. Pingback: Retrospectiva Literária de 2014 - O Mundo da Marina

  2. Realmente uma obra interessante que mostra a vida profissional da antiga primeira-dama, fase sempre pouco aprofundada nas biografias, filmes e documentários que contam sua história; mostra seu relacionamento gentil e amistoso com toda sua equipe como também com os autores que editou – ainda que tenha enfrentado alguns problemas no trabalho com os textos destes – nas duas editoras que trabalhou a Viking Press (1975-1977) e a Doubleday (1977-1994) e a forma leve como encarava seu próprio magnífico passado de esposa do Presidente dos EUA e do homem mais rico do mundo. É importante observar que ela fez um bom trabalho como editora, com extremo profissionalismo, o que pode ser verificado nos memorandos e anotações minuciosas que fazia nas margens dos originais dos escritores, segundo refere o autor da obra, Greg Lawrence (também ele editado por Jackie na Doubleday) e que teve acesso a esses documentos como também na edição de livros de grande relevância cultural abordando temas como gênero, escravidão, moda, guerra, religiosidade, de um ângulo que só foi possível graças à vasta erudição que cultivou ao longo da sua vida.
    Em termos de mercado editorial, sua inserção se deu em uma época de transição entre o modo artesanal de edição em que o editor acompanhava todo o processo editorial e inclusive tinha estreito contato com o autor e a era da departamentalização de funções e aquisição das editoras por grandes conglomerados internacionais, em meio a essa crise toda que modificou o fazer editorial, Jacqueline procurou resistir de todas as formas para preservar o modo clássico da função – inclusive utilizando habilmente seu imenso prestígio social – pois tinha um objetivo muito claro na sua profissão que era o de editar obras de relevância cultural contudo para alcançar essa meta também soube farejar a seara dos best-sellers o que a ajudou a sobreviver no meio do turbilhão que ocorreu justamente nos anos em que iniciou sua carreira.

    • Sim, também gostei de ver essa diferença entre o que era editoração antigamente em contraste com o que é hoje. Acho que havia um maior envolvimento dos editores no processo de trazer um livro a público era mais comum, e hoje, pelo menos no Brasil, parece que temos mais traduções de best-sellers do que qualquer outra coisa…

      Muito obrigada pela visita! Volte mais vezes, por favor 🙂

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