Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) – Anthony Burgess

Oi! Brasília acordou com um ventinho mais frio que eu não estava esperando e que me deixou bem feliz! Apesar da seca, quem quer visitar a cidade nessa época do ano acaba por ter um espetáculo visual: os ipês estão em plena floração, e é tão lindo de se ver! Acho que essas devaneações sobre ipês, seca e frio assinalam uma melhora no meu humor, e é bom aproveitar! Em tempo, hoje é dia de “Laranja Mecânica”, um livro que eu tinha medo de ler e de que acabei por gostar!

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“Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex – soberbamente engendrada pelo autor – empresta uma dimensão quase lírica ao texto. “Laranja Mecânica” é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX.”

Desde que eu li uma das obras teóricas de literatura do Burgess, pra uma das minhas aulas, fiquei bem encantada com sua escrita e seu conhecimento, e resolvi que leria “Laranja Mecânica”. A sinopse da história, no entanto, ia me afastando dela mais e mais, já que eu tinha um receio bem grande de toda essa violência anunciada. Meu namorado já tinha visto o filme e comprou o livro uns dois anos atrás, e eu resolvi que pegaria emprestado e leria. Devorei em um dia – o livro não é grande – e gostei muito mais do que imaginava!

A história realmente tem uns traços de violência, mas, incrivelmente, eles foram atenuados pela linguagem que Alex usa. Não sei se vocês já pesquisaram sobre isso ou se no filme acontece (esse eu não sei se quero ver), mas no livro Alex usa uma linguagem bem particular, inventada pelo Burgess para ser a linguagem da gangue, e algumas palavras do nosso dia a dia são usadas de forma diferente durante a narrativa; me deu a sensação de que não era tudo tão violento, pelo menos em alguns momentos. O único problema, pra mim, é que li o livro em português, e por melhor que seja a tradução, gosto de ver as coisas no original, sempre que possível, então pretendo relê-lo em inglês assim que possível! O mais interessante em distopias como essa é ver como futuros de mundos distópicos podem ser interessantes e diferentes, trazendo críticas reais e não só triângulos amorosos (que, sabemos, têm seus méritos, mas pra quem diz que gosta de um gênero, tem que conhecer outras possibilidades).

As personagens aparecem e somem, então a única personagem recorrente, que aparece bastante, é o próprio Alex, e sendo o livro narrado em primeira pessoa, são os pensamentos dele que conhecemos bem. Os revolucionários que aparecem na terceira parte do livro foram minhas personagens secundárias preferidas, mas não por serem revolucionários que querem mudar o mundo de verdade, e sim por servirem como instrumento do autor pra mostrar que revoluções e mudanças muitas vezes são se manter na mesma situação usando um nome diferente. Gosto desse tipo de crítica porque tento não ser uma iludida, e vejo tanta gente sendo assim que me assusta. Acho que esse é, também, um grande valor da literatura: nos ajudar a perceber como funciona o mundo ao redor, ensinando-nos a crescer e a pensar criticamente. Claro que adorei o livro e que recomendo, mas aviso: se você vai ler só pelo entretenimento, pode não absorver bem as mensagens reais.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


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