Madame Bovary (Madame Bovary) – Gustave Flaubert

Oi! Desculpem pela demora da resenha de hoje. Ando com enxaqueca, e ficar na frente do computador me faz mal; fiquei pensando se deveria adiá-la para quarta (e a de quinta para sexta) mas achei que não era uma boa ideia, então tentarei escrever depressa, para não piorar. Hoje é dia de “Madame Bovary”.

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“O romance conta a história de Emma, uma mulher sonhadora pequeno-burguesa, criada no campo, que aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao indissolúvel casamento ao qual a protagonista se sente presa. Emma, cada vez mais angustiada e frustrada, busca no adultério uma forma de encontrar a liberdade e a felicidade.”

Eu li este livro na UnB. Não para uma matéria, só porque alguém o havia mencionado em sala e minha curiosidade cresceu. Corri para a biblioteca, e, salvo engano, li em inglês, não sei o motivo. À época, pesquisei muito sobre o romance, que havia levado seu autor à aclamação popular e ao escracho do governo francês, que processou Flaubert por sua obra. Mesmo sua absolvição, no entanto, não o livrou da condenação que sofreu dos puritanos da época. Com um background assim, como eu poderia não me interessar pela história?

A narrativa de Flaubert é bem particular. Não acho que tenha lido nada como o que ele escreveu, ainda que tenha lido outras obras realistas. Gostei muito da narrativa dele, e de como a história se desenvolve. Muitos leitores conseguem se identificar com a situação de Emma, ainda que nunca tenham traído: são as motivações dela que criam empatia por uma personagem que, à primeira vista, pareceria superficial e sonhadora. A história é uma crítica à estupidez burguesa e a tudo que essa estupidez implica. É impossível não ler o livro e se comparar com algumas das personagens e situações que Flaubert cria.

Quanto às personagens, gosto de Emma. Ainda que seja uma mulher que vai contra alguns dos meus princípios mais fundamentais, não pude deixar de perceber que isso acontece porque ela é iludida, infeliz e ingênua, o que faz com que sua vida pareça vazia, levando-a a buscar e buscar uma felicidade que ela não alcança nunca, muito semelhante àqueles que tentam chegar ao fim do arco-íris. Ainda que o marido, Charles, seja visto por muitos como um homem chato e incapaz de fazer Emma feliz, eu gosto dele. Acho que é só uma vítima de si mesmo, e, ainda que, realmente, jamais pudesse fazer a esposa feliz, ele a ama, e faz o que pode por ela. Nem sempre, no entanto, isso é o suficiente.

Recomendo esse livro sem restrições. Acho que todo mundo deveria lê-lo e conhecer um pouco mais a personagem que inspirou a frase clássica – e dramática – de Flaubert em seu julgamento (“Emma Bovary c’est moi“).

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


2 thoughts on “Madame Bovary (Madame Bovary) – Gustave Flaubert

  1. Oi, Nina.
    Eu sempre tive curiosidade de ler esse livro e acabei achando uma edição baratinha, mas bem feita, que saiu em uma coleção qualquer de livros clássicos. Obviamente ainda não tive tempo de ler, mas quero ver se faço uma semana especial de clássicos no blog, justamente para poder me dedicar a ler esses livros que estão parados na estante! hehehe
    Beijos
    Camis

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