A Montanha e o Rio (Brothers) – Da Chen

Oi! Última resenha da semana e eu resolvi “desenterrar” um livro que li em 2007, presente da minha mamma. Mais um exemplo de como eu não consigo entender as traduções brasileiras, hoje é dia de “A Montanha e o Rio” (em tradução literal, o título original significa “irmãos”!) de Da Chen.

“No auge da Revolução Cultural chinesa, Ding Long, um jovem e poderoso general, gera dois filhos. Um deles, legítimo. O outro, nascido de uma jovem camponesa que se atira do alto de uma montanha pouco depois do parto. Tan cresce em Beijing, cercado de luxo, carinho e conforto, ao passo que Shento é criado nas montanhas por um velho curandeiro e sua esposa, até que a morte do casal o leva a um orfanato onde passa a viver sozinho, assustado e faminto. Separados pela distância e pelas condições de vida, Tan e Shento são dois estranhos, que crescem ignorando a existência um do outro, até que o destino os coloca em lados opostos, na política e lutando pelo amor de uma mesma mulher. ‘A Montanha e o Rio’ narra a saga desses dois irmãos que trilham caminhos distintos, mas cujas vidas se encontram quando se mesclam aos acontecimentos que marcam a história política e social da China no final do século XX.”

Ganhei esse livro porque minha mamma sabia o quanto eu tinha fascínio pela China e por sua história. Já tinha lido “Cisnes Selvagens” alguns anos antes, então o contexto histórico aqui apresentado não me era estranho, e ficou mais fácil posicionar os acontecimentos narrados na história do país. Já tinha lido histórias de amor – trágicas ou não – o suficiente para ser quase especialista no assunto, então tinha um prato cheio para gostar do livro.

A história é narrada sob o ponto de vista de três personagens, Tan, Shento e Sumi, a mulher pela qual os dois se apaixonam. Cada um tem seu estilo de narrar, e foi bom poder conhecer três pontos de vista sobre a mesma história. Dá pra tomar partido de alguém com um pouco menos de sentimento de estar sendo injusta com os outros. A narrativa de Da Chen me impressionou, é clara e interessante, prendendo o leitor até a última página. O desenrolar da história também é muito bom, ainda que o final tenha sido um tanto aquém do restante do livro; não pelo desfecho em si, mas pela sensação de que o autor correu um tanto pra terminar.

As personagens são a melhor parte desse livro. Gosto muito do conflito entre os irmãos, e escolhi um favorito bem depressa; na minha opinião, Tan é o melhor dos dois. É que Shento é cruel, chegando a ser maldoso, e mesmo tendo sido o primeiro a conhecer e se apaixonar por Sumi, senti o tempo todo que aquilo não ia dar certo: o amor dos dois era muito bonito e sincero, mas quando ela se apaixonou também por Tan, senti que eles se encaixavam melhor. As personagens secundárias não brilharam o suficiente para ficar na minha memória esse tempo todo, mas me lembro de que eram interessantes, ainda que não tão bem desenvolvidas e exploradas quanto os três protagonistas.

No geral esse é um livro belo, muito poético e difícil: escolher um lado em uma história como essa é missão quase impossível, e aí a gente fica se dividindo entre os dois irmãos o tempo todo, favorecendo quem está narrando a história naquele momento. Acabei torcendo foi pela felicidade de Sumi, já que os dois não poderiam ser felizes ao mesmo tempo. Muito mais do que recomendado, esse não é um best-seller bobo. É um livro pra devorar.

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana e até a próxima!


2 thoughts on “A Montanha e o Rio (Brothers) – Da Chen

  1. Oi, Nina.
    Quantas vezes já disse que fico admirada com os livros que você lê?! Pois é… eu sempre acabo me rendendo aos livros da modinha, mas acho muito bacana ler as suas indicações e conhecer livros tão diferentes do que estou acostumadas.
    Beijos
    Camis

    • Camis, eu gosto das suas leituras também! Justamente porque não leio tudo que sai, posso filtrar através de você! E prepare-se, que esse ano vai rolar bastante coisa diferente aqui no blog =)

      Beijos!

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