O Amante de Lady Chatterley (Lady Chatterley’s Lover) – D.H. Lawrence

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Oi! Hoje estava em dúvida do que resenhar até que me lembrei que havia recomendado um livro para uma amiga, a Vivian, que terminou de lê-lo recentemente e que me disse que gostou muito. Resolvi, então, que seria o livro da resenha de hoje: vamos de “O Amante de Lady Chatterley” (que também ganhou várias adaptações cinematográficas e televisivas).

“Poucos meses depois de seu casamento, Constance Chatterley, uma garota criada numa família burguesa e liberal, vê seu marido partir rumo à guerra. O homem que ela recebe de volta está paralisado da cintura para baixo, e eles se recolhem na vasta propriedade rural dos Chatterley. Inteiramente devotado à sua carreira literária e depois aos negócios da família, Clifford vai aos poucos se distanciando da mulher. Isolada, Constance encontra companhia no guarda-caças Oliver Mellors, um ex-soldado que resolveu viver no isolamento após sucessivos fracassos amorosos.”

Se a sinopse pareceu muito “moderninha” para um livro publicado em 1928, não se assuste, afinal, a escrita é ainda mais! O livro foi publicado secretamente em Florença, e circulava entre os interessados nas novelas de Lawrence em sigilo, e só foi publicado integralmente no Reino Unido em 1960. Antes disso, criticavam-se as escolhas do autor, não só de tema, personagens e enredo, como também de escrita, já que o sexo é bem explícito no livro.

Bom, a história é boa, bem narrada, e traz reflexões muito interessantes, já que as personagens fazem frequentes comparações entre uma Inglaterra vitoriana e o futuro dessa mesma Inglaterra (e do mundo), baseando-se no presente que vivem; durante a leitura, fiquei surpresa por encontrar menções à fertilização in vitro (que obviamente não existia de fato, mas a mente das personagens já maquinava algo nesse sentido), por exemplo. Além disso, discussões sobre qual tipo de arte é mais significativa – Lawrence emprestou suas convicções à personagem de Mellors, criticando a arte abstrata -, o que é mais importante, a mente e a intelectualidade ou o amor romântico e a sensualidade, a relação entre a classe trabalhadora e a classe nobre e até mesmo uma comparação com a suposta impotência dos homens e a industrialização. Honestamente nada do que eu esperava quando comecei a leitura, já que acreditava que o livro trataria mais da relação extra-conjugal de Lady Chatterley e das consequências psicológicas dessa relação.

As personagens são muito boas, mas algumas são irritantes. Clifford, Lord Chatterley, é um homem maçante e meio “morto por dentro” depois da guerra, e até a chegada de sua enfermeira, Mrs. Bolton, a história dele não me interessou muito; o “combo” Mrs. Bolton+Clifford, no entanto, é interessantíssimo, já que ela o odeia e adora ao mesmo tempo, e ele a despreza mas necessita dela, criando uma relação meio doentia e estranha entre os dois (que eu adorei). Connie (é assim que é chamada, durante a novela, Lady Constance Chatterley) é uma mulher diferente da maioria que vemos na literatura: quando se casa, aos 23 anos, já teve experiências sexuais, e fala sobre o assunto livremente, assim como sua irmã mais velha, Hilda, diferentemente da maioria das mulheres da época. Mellors é um pouco maçante, e a não ser por sua relação com Connie, que é o tema central do livro, não é a melhor personagem de todas. Das personagens secundárias, gostei muito do pai de Connie e Hilda, Malcolm Reid, um homem até bem moderno pra época – é ele quem diz para Connie que o casamento dela vai fracassar e ela será infeliz, já que não há escape para sua tensão sexual (afinal, o marido é impotente).

A história, no geral, é muito boa, mas se você não tem muita paciência para aquelas reflexões sobre o estado do mundo, discussões sobre o que triunfará: sexualidade ou intelectualidade e outras do gênero, esse livro pode ser um pouco maçante. Ainda assim, acho que é interessante para a maioria, afinal, não ia se tornar um clássico à toa! (nem ser proibido! Sou da teoria que se o livro foi proibido deve ser muito bom ou muito interessante pra isso!)

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana, desculpem pela resenha gigante, e até a próxima!


3 thoughts on “O Amante de Lady Chatterley (Lady Chatterley’s Lover) – D.H. Lawrence

  1. Muito bem!!!
    Adorei o livro, como te disse! Realmente com o inicio dele você não espera todas as análises que ele carrega ao longo da história. E são bem interessantes as análises!
    E eu gostei do Mellors! hehe Ele tem uma visão interessante da vida, diferente dos demais.
    Ah, na minha versão do livro a parte mais picante é no prefácio! kkkk Por isso que, quando comecei a ler, falei que era impróprio para ler no ambiente de trabalho. Mas a historia em si é super tranquila! hehe
    beijos

    • Eu acho que ele não é adequado para o ambiente de trabalho por causa do título! Se você tiver chefes gaiatos como eu tinha, não vai prestar! hahaha!

      Eu também gostei muito do livro, fico feliz que você tenha aceitado uma sugestão minha =)

      Beijos! =)

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