O Apanhador no Campo de Centeio (The Catcher in the Rye) – J. D. Salinger

Oi! Com esse semestre correndo do jeito que está, mal me dou conta dos meses voando, mas, olha só, já estamos em setembro! E quase no meio do mês! Toda vez que eu me dou conta disso fico meio pra baixo, sentindo que não estou aproveitando o ano (mesmo que esteja. Acho que é algum tipo de complexo!). Pra combinar com essa sensação esquisita, um livro esquisito. Clássico da literatura norte-americana, não conquistou meu coração, e hoje é dia de contar os motivos. “O Apanhador no Campo de Centeio” é o livro de hoje.

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““O Apanhador no Campo de Centeio” narra um fim-de-semana na vida de Holden Caulfield, jovem de 16 anos vindo de uma família abastada de Nova York. Holden, estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Holden vai refletindo sobre a sua curta vida, repassa sua peculiar visão de mundo e tenta definir alguma diretriz para seu futuro. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si (um professor, uma antiga namorada, a sua irmãzinha) e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça.”

Bom, o livro é considerado um clássico por representar a adolescência e o alcançar da vida adulta. Holden Caufield, o protagonista, passa um fim de semana andando pela cidade de Nova York (que saudades ♥) e o livro acompanha a mente de Holden enquanto ele faz isso. Pra quem não está acostumado com narrativas em fluxo de consciência pode ser um problema, já que o livro é todo narrado assim.

Pra mim o maior problema da história foi ver como Holden é fresco. É, isso aí mesmo que você leu, FRES-CO. Adolescentes são criaturas sensíveis, passando por grandes problemas emocionais pra se adaptar ao mundo, todos sabemos disso  pois passamos por esse período; quem tem um mínimo de noção histórica, sabe, também, que até não muito tempo atrás, a adolescência não era levada em consideração como é hoje, com pais preocupados com os filhos passando por essa fase, e é nesse período que se passa o livro, ou seja: devemos levar em consideração que a confusão mental de Holden é justificada, já que ele está confuso e perdido, precisando de ajuda para se encontrar… ou será que é isso mesmo? A verdade é que durante o livro, dá pra notar que a família dele se preocupa e quer ajudá-lo, mas que o caríssimo protagonista só quer saber de reclamar de sua vida e de absolutamente tudo a sua volta!

A maioria das críticas que eu li sobre o livro falavam sobre como ele é genial ao representar os conflitos internos dos adolescentes, e eu até posso concordar com parte disso, mas, pra mim, o fato de esse livro ter sido citado em nada mais nada menos do que dois casos de assassinatos e uma tentativa de assassinato famosos só mostra que Holden não é apenas um adolescente em conflito, mas sim uma pessoa com algum tipo de distúrbio, que deveria receber atenção especializada. Não me importo com o tipo de narrativa, com o fato de que a história é um recorte da realidade dele (sem grandes reviravoltas ou finais felizes) ou que Holden fique dentro de sua cabeça a maior parte do tempo: o que mais me incomodou no livro é ver que tem gente nascida nos anos 90 e que acha que esse livro é o grande representante de sua juventude. Prefiro adolescentes mais corajosos e menos egoístas representando a minha, afinal, eu não nasci na época em que os adolescentes eram tratados como mini-adultos ou apenas ignorados, e sim em uma onde eles lutavam por seus direitos e começavam a ser mais independentes.

Pra resumir: o livro é muito bom sim, e traz reflexões interessantes sim, mas não pode ser considerado um retrato da juventude atual. Se for lido e analisado sob a ótica do que representou quase 70 anos atrás, aí sim, pode ser um retrato fiel. Recomendo, mas não espere que mude sua vida.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos e até a próxima!


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