O Falecido Mattia Pascal (Il Fu Mattia Pascal) – Luigi Pirandello

Oi! O calor está menos insuportável em Brasília, e fico feliz de poder pelo menos dormir com a chuva batendo na janela. Pra minha felicidade ser completa, só falta chover o dia inteiro, aí posso resenhar algum livro que me fez voar de alegria e felicidade. Como ainda estou num meio termo de sentimentos (e mais pra triste que pra feliz), escolhi falar de um de que gostei, de que tenho boas lembranças, mas que não foi a melhor coisa que eu já li. Hoje é dia de conhecer Mattia Pascal.

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“A maioria das pessoas já pensou, em algum momento, mudar completamente sua vida. Mas, como o fazer? É possível se tornar outra pessoa? Em “O falecido Matia Pascal” Luigi Pirandello brinca com a realidade e faz da vida do protagonista, uma sequência de reformulações – da aparência, dos nomes, das roupas, dos pensamentos… No momento mais crítico de sua vida – desprezado por sua família, acossado por credores, com um trabalho num lugar medíocre -, um golpe do acaso muda a vida do jovem Pascal, que ganha uma pequena fortuna num cassino e, ao mesmo tempo, é tido como morto, pois o confudem com um cadáver achado em sua cidade natal. Decide assumir uma nova identidade e parte em viagem pela Europa, de modo aventureiro, envolvendo-se em contínuos contratempos. A originalidade do autor traz à tona um questionamento fundamental da existência humana: pode o homem viver sem uma identidade ou ele pode elaborá-la a partir de um marco zero, conforme, conforme lhe for agradável e conveniente?”

Comprei esse livro na Itália, quando fizemos uma visita guiada à Bologna. A visita foi acompanhada pela minha professora no curso que eu fazia, e, como estávamos meio apegadas uma à outra, ela foi super gentil e me acompanhou à livraria, e me ajudou a escolher vários títulos (além de ter me dado um papel com ainda mais dicas que pretendo ler!); entre esses livros, estava este.

Bom, a história em si é bem interessante, até porque é um conceito (agora, graças às novelas) bem comum, mas que se diferencia pela forma como Pirandello o trata: um homem que cansa de sua vida e que se aproveita de um mal entendido pra começar vida nova em outro lugar. Existem várias interpretações dos motivos de Pirandello e de Mattia Pascal nessa obra, mas uma que me interessa bastante é a de como acreditamos que podemos fugir dos problemas – e como isso não é verdade. Mattia foge, recomeça sua vida e está até feliz, mas percebe que não pode levar adiante sua farsa porque é ela mesma quem o impede de ser plenamente feliz na nova vida que inventou para si. Aliás o maior atrativo desse livro nem é a história: é a narrativa do Pirandello e como ele tece considerações ao longo da obra. Foi o primeiro livro que eu li dele, mas certamente não será o último!

As personagens são boas, e eu gostei do próprio Mattia, depois que ele assumiu uma nova identidade (antes não! Achei que sua primeira fase é oportunista e chata demais). Dentre as outras personagens gostei de don Eligio, ainda que ele não apareça quase nada na história – ou nada, a depender de como se interpreta sua passagem -; é que achei que sua influência sobre Mattia Pascal para que o segundo escrevesse a própria história foi significativa, e acabei por me afeiçoar. Em resumo, um livro excelente, que eu recomendo bastante (ainda que não tenha sido meu livro preferido deste ano).

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


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