O Jardim do Éden (The Garden of Eden) – Ernest Hemingway

Oi! A chuva chegou de vez, o ano está mais para o final do que para o meio e amanhã é meu aniversário. Tanta coisa está misturada em mim no momento, que me sinto meio melancólica, e escolhi um livro que me deixou exatamente assim quando o li, no início do ano. Foi meu primeiro Hemingway, emprestado por um amigo. Hoje é dia de “O Jardim do Éden”.

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O livro conta a história do escritor David Bourne e de sua esposa Catherine, que estão em lua-de-mel na Côte d’Azur. Os recém-casados são felizes e levam uma vida relativamente calma, comendo, bebendo, fazendo amor e aproveitando a companhia um do outro, até que David, após receber várias cartas de seu editor elogiando-o por seu último livro, resolve voltar a escrever. Com ciúmes do trabalho do marido, Catherine procura formas de atraí-lo para si novamente, e encontra a solução em Marita, uma jovem bela e atraente por quem os dois Bournes se apaixonam. O triângulo amoroso, no entanto, não parece ser do tipo felizes-para-sempre, e os jogos eróticos dos três dão lugar a ressentimentos e a conflitos, que alteram as vidas dos três inexoravelmente.

É importante conhecer algumas informações sobre o livro, para talvez compreender um pouco melhor seu autor e a mensagem que queria transmitir: Hemingway trabalhou neste livro por mais de quinze anos, e morreu sem concluí-lo. Foi seu segundo livro publicado postumamente, e, como boa parte de suas obras, tem muitos elementos autobiográficos (quando se casou com a primeira esposa, diz-se que o casal Hemingway estava acompanhado de uma mulher durante a lua-de-mel). Colocando-se essas informações em perspectiva, talvez fique mais fácil para o leitor encontrar as respostas que podem vir a faltar quando a leitura termina.

Como eu disse lá em cima, este livro foi meu primeiro Hemingway. Não ia ler nada dele este ano, estava na minha lista do ano que vem, mas fiz um amigo que gosta demais dele, e que um dia me trouxe o livro pra ler. Como sou que nem criança, que não pode ver o brinquedo e quer brincar, acabei por passar o livro na frente de todos os outros. Tinha um tempo que não me sentia tão em conflito por causa de uma história: Catherine, em especial, me despertou uma agonia sem tamanho, e, já que a menciono, começo pelas personagens. David é um zero à esquerda; tão egocêntrico, tão preocupado com o próprio prazer e a própria paz que parece não perceber que algo está seriamente errado com sua esposa, e acaba por deixá-la fazer as coisas como faz. Marita, a terceira ponta do triângulo, me fez rir: tenta agradar a David de uma forma tão óbvia que me deu ligeiro asco – e, ainda assim, admirei sua esperteza e como enganou a todos (imagino que inclusive a alguns leitores) por tanto tempo. Catherine é um mistério: não sei se ela é apenas uma pessoa perdida, querendo se encontrar, ou se tinha alguma coisa errada com ela, para se envolver na situação em que se envolveu. Pensar no livro, para mim, é pensar nela e na situação em que envolveu a si a ao marido, e em seus motivos para fazê-lo.

A história em si é até simples: triângulo amoroso, começa de forma consensual e até amorosa, e acaba por se tornar outra coisa. Foi bem interessante ler o primeiro momento em que Marita entra em cena e os momentos em que ela se adaptou à rotina do casal Bourne, aprendendo a jogar com ambos, e essa foi uma parte muito interessante da leitura. O livro é muito bom, e eu gostei muito, descontando-se, obviamente, a misoginia de Hemingway. É uma história difícil, que não agrada todo mundo, mas é muito bem escrita. Fiquei meio melancólica quando terminei o livro, porque, como disse, foi uma mistura de sentimentos muito grande, e eu ainda não me resolvi sobre Catherine e sobre como ela se sentia, no fim das contas. Recomendo o livro sim, mas aviso que pode ser uma leitura difícil – pra mim, em certos pontos, foi.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


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