O Ladrão no Fim do Mundo (The Thief at the End of the World) – Joe Jackson

Oi! Depois da resenha ligeiramente “atacada” do início da semana, resolvi falar de um livro que gostei, mas que não é uma literatura de ficção. “O Ladrão no Fim do Mundo” é o escolhido da vez.

“A história de como o inglês Henry Wickham contrabandeou 70 mil sementes de seringueiras da Floresta Amazônica para a Inglaterra no século XIX é um dos casos mais ilustrativos de biopirataria de espécies amazônicas. Movido pela ambição de crescer na indústria da borracha, à época tão importante quanto a do petróleo hoje, Wickham decide explorar a selva amazônica na Venezuela e no Brasil. Após enfrentar todos os perigos da floresta, cobras e insetos gigantes, índios Yanomami e outras experiências que quase o levaram à morte, Henry Wickham retorna à Inglaterra com milhares de raras sementes de seringueira que produzia uma borracha super resistente. Estudadas no jardim botânico de Londres, as sementes foram enviadas para plantações nas colônias inglesas tropicais, e depois de trinta anos, a Inglaterra conseguiu superar o Brasil no monopólio da borracha, dominando os suprimentos mundiais.”

Esse não é o tipo de livro que eu costumo comprar. Não chego na livraria procurando por não-ficção investigativa pelo simples fato de que poucos me chamam a atenção; sou uma viciada em literatura, e acabo deixando livros como o de hoje para outras ocasiões. Ganhei este livro de presente do meu pai, que viu a sinopse em algum lugar e achou interessante, e acabei por gostar bastante.

Bom, como o livro não é de ficção, não há personagens para avaliar, então vamos direto para a narrativa. Joe Jackson fez o dever de casa e pesquisou absolutamente tudo que havia para saber sobre a vida de Henry Wickham, e seu livro cobre basicamente toda a vida do inglês. Isso é importante para delimitar os motivos que o levaram a procurar borracha na Amazônia, além de como sua vida mudou depois do roubo.

O livro é cheio de dados para explicar não só o que aconteceu na vida de Wickham (esse nome me dá nervoso, me lembra de “Pride and Prejudice”, e não de um jeito bom), mas também o contexto em que ele vivia, o que também esclarece a importância da borracha para o mundo à época. Dá pra ter um ligeiro vislumbre de como ficou o Brasil da época, depois de ter sido roubado, mas não é o foco do livro, então não é um aspecto muito explorado.

É uma leitura muito interessante, e acabou me fisgando pelo aspecto histórico. Se não tivesse feito Letras, talvez tivesse feito história, que é uma área de que gosto muito (não coincidentemente, meu pai é historiador formado, ainda que não exerça a profissão), e livros assim acabam por me chamar a atenção. O único problema é que com tantos fatos, tantos dados e tantos números, a história fica um pouco maçante, e eu acabei parando a leitura várias vezes para “tomar um ar”. Infelizmente a vida de Wickham não ajuda muito, já que ele fez as mesmas coisas várias vezes até acertar, o que acaba fazendo o livro parecer um looping sem fim.

Afora esses dois aspectos, o livro é muito bom, eu gostei bastante. Se história não te interessa, no entanto, procure outra leitura.

Espero que tenham gostado! Sexta feira vai ter um post extra, então fiquem ligados! Bom resto de semana, até a próxima!


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