O Primo Basílio – Eça de Queirós

“…tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!”

Eça de Queirós – O Primo Basílio

Oi! Hoje escolhi falar de um livro que li por dois motivos: um, porque eu tinha lido “Anna Kariênina” há pouco tempo e tinha adorado; como esse tinha um tema principal semelhante, fiquei curiosa pelo tratamento português. Dois, porque um trecho dele – devidamente transcrito na quote que abre o post – é declamado no meio de “Amor I Love You”, da Marisa Monte. Adoro a música e a cantora, e sempre quis ler aquela obra declamada ali. Pois bem, chegou a hora de eu contar o que achei da tal obra, que atende pelo nome de “O Primo Basílio”.

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A jovem e bela Luísa é casada com o engenheiro Jorge, e leva uma vida tranquila em Lisboa. Com criadas que fazem o serviço da casa, um marido amoroso e amigos que cercam a família, Luísa é feliz, e não tem do que se queixar em sua vida, a não ser a falta de um filho, que ela espera conceber logo. Quando Jorge é chamado a trabalho para o Alentejo, ela é deixada só em casa por alguns meses, e começa a se entediar com a falta do que fazer, e é exatamente nesse meio tempo que seu primo Basílio aparece para visitá-la. Charmoso, bonito e bon vivant, Basílio teve um namorico com Luísa antes que ela se casasse com Jorge, e conhecendo bem a prima, logo usa a personalidade romântica e sonhadora dela para reconquistá-la e convencê-la ao adultério. O caso bem poderia ficar por isso, mas Juliana, uma das empregadas da casa, que foi “herdada” da mesma tia que deixou a casa para Jorge, e que não gosta da patroa, descobre o romance. A partir daí Luísa sofre nas mãos da criada, que a chantageia e que muda o destino de toda a família.

A história me pareceu interessante quando comecei a ler, mas quando terminei o livro estava profundamente decepcionada. A começar pela narrativa, que não me agradou nem um pouco. À parte algumas passagens mais poéticas, Queirós é maçante e cansativo, além de, lamento informar, nojento. Não vejo absolutamente nenhuma necessidade em explicitar os problemas intestinais de que sofria uma das amigas da casa, mas isso é feito com tanta frequência que me deixou com asco. Isso sem contar a quantidade de personagens que não fazem absolutamente nada na vida, a não ser viver em círculos. Sabendo que o livro é uma crítica justamente a esse marasmo, a única coisa que posso dizer é que senti, ao longo de toda a leitura, que essa fixidez foi incentivada pelo modo como é descrita. As personagens são um híbrido de maçantes e irritantes, e não consegui gostar de nenhuma! Coisa muito rara, já que geralmente me apego pelo menos a uma, que seja mais redentora.

Como um todo fiquei extremamente decepcionada com o livro, e diria que, a não ser que você queira ler os clássicos, faça muita questão de conhecer a literatura portuguesa ou só queira mesmo ler Eça de Queirós, deixe esse livro de lado. Não é porque é um clássico que é bom, e esse, definitivamente, entrou para o roll dos meus maiores desenganos!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana e até a próxima!


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