O Totem do Lobo (Lang Tuteng) – Jiang Rong

“Avançar antes da hora é tão ruim quanto avançar tarde demais”

O Totem do Lobo – Jiang Rong

Oi! Enquanto eu crescia quem mais comprava livros pra mim era a minha mãe. Meu pai sempre adorou o fato de eu gostar de ler, mas não tinha a mesma paciência que ela de ir até a livraria e pesquisar algo que eu pudesse gostar. Alguns dos melhores livros que eu tenho, portanto, foram presente dela (obrigada, mamma!), e o livro da resenha de hoje é um deles! Eu ganhei “O Totem do Lobo” em 2008, com uma dedicatória linda na primeira folha – aliás, uma curiosidade: enquanto eu era mais nova, odiava dedicatórias escritas nos próprios livros, menos as da minha mãe; hoje em dia eu adoro, e gostei de ler uma matéria sobre o assunto que achei n’O Globo (para ler, clique aqui) – mas demorei mais de um ano pra terminar.

“Na década de 1960, em plena Revolução Cultural da China, o jovem estudante Chen Zhen parte para as estepes do Olonbulag, na Mongólia Interior. Sob a tutela do sábio Bilgee, Chen aprende muito mais do que pastorear ovelhas: ele descobre como superar as dificuldades da vida nômade e a sinergia milenar que une o povo aos lobos selvagens das planícies. Fascinado pela relação entre os homens e esses animais temidos e idolatrados, Chen compreende a rica relação espiritual que existe entre esses adversários e o que cada um pode aprender com o outro. No entanto, a paz da existência solitária de Chen é destruída quando membros da República Popular formam multidões nas cidades para levar modernização e produtividade aos campos, interrompendo o delicado equilíbrio entre os habitantes das estepes.”

Vou começar com as personagens. Chen Zen é um rapaz bem ingênuo, que demora a amadurecer o suficiente para compreender o modo de vida do povo das estepes, mas, ao contrário dos outros estudantes, ele parece compreender o amor, o respeito e o temor pelos lobos das estepes rapidamente, e passa a querer viver como o povo nômade que o abrigou. Bilgee pode parecer um pouco rude e seco no início, ou pelo menos pareceu pra mim, mas logo se percebe que é apenas o jeito dele; acabei me afeiçoando a ele também, e seu respeito pelo ciclo da vida e a natureza das estepes é inegável! Gasmai, a filha de Bilgee, também é uma personagem interessantíssima: é forte e corajosa, uma mulher admirável! Ajuda a caçar os lobos sem medo nenhum, e, segundo Bilgee, isso é comum entre as mulheres mongóis!

Sobre a história em si é um pouco complicado de falar. É ótima, meio autobiográfica, e bem diferente do que estamos acostumados a ver por aí, mas é uma história um pouco pesada. Foi muito difícil pra mim, que sou tão apaixonada por animais, ler sobre morte, caçadas e detalhes de brigas entre animais, mesmo entendendo que esse é o ciclo natural das coisas, e é como acontece na natureza. Durante a leitura, eu consegui ver o respeito do povo mongol pelos lobos e pela natureza que os cercava, mas cada vez que uma cena mais forte me aparecia, eu lia e logo depois colocava o livro de lado. Foi por isso que eu demorei mais de um ano pra ler esse livro: cada vez que uma cena dessas me perturbava, eu colocava o livro de lado por semanas, meses até.

Mesmo que possa parecer que não, eu adorei o livro. É bem diferente do que está na moda hoje em dia, mas eu garanto que é uma experiência única, e que se aprende muito! A quote do início do post foi minha favorita do livro, e eu escrevi num pedaço de papel que ficava constantemente no meu quadro de avisos magnético (eu tirei essa semana por já tê-la constantemente na cabeça). Leiam o livro, não vão se arrepender (e sejam mais corajosos que eu, pra não demorar tanto tempo!)!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana e até a próxima!


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