O Último Voo do Flamingo – Mia Couto

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Oi! Com o fim de mais uma semana, acordei saudosa. De lugares e de pessoas, e uma dessas pessoas é a Najla, que foi minha colega na faculdade. Ela me deu de presente, no dia da nossa formatura, um livro do Mia Couto, um escritor que eu nunca tinha lido, e esse livro foi tão diferente e tão maravilhoso, que eu não podia deixar de mencionar aqui! Hoje é dia de “O Último Voo do Flamingo”.

“Depois da guerra de Independência e dos anos de guerrilha, Moçambique vive um momento de reestruturação social e de reorganização das forças políticas. Na pequena vila de Tizangara, um rapaz negro é nomeado tradutor oficial a fim de recepcionar um italiano, integrante das forças de paz da ONU. O estrangeiro vai a Tizangara investigar estranhos acontecimentos que deixaram a população local aturdida: soldados das Nações Unidas começaram a explodir. Acompanhado do tradutor, o europeu terá de se entregar de corpo e alma à terra africana para desvendar o enigma das explosões.”

Quando comecei a ler esse livro, percebi que ele refletia muito quem o tinha me dado de presente: assim como a Najla, ele é politizado, inteligente e poético. Ela me deu esse livro como agradecimento pela minha ajuda na organização dos detalhes da nossa cerimônia de colação de grau, e eu devorei imediatamente. Nunca esqueci o gesto, e sabia que ele tinha que vir aqui pro blog.

A história é um típico Realismo Fantástico (como as do García Marquéz), então pra quem nunca leu pode ser meio diferente. Não é um livro onde cada pequena história que apareça vai ficar completamente explicada, bem mastigadinha e fácil para entender. Há que se dar um pouco de voltas em torno do que é apresentado ali e interpretar um pouco (bom exercício, hein?), mas ao final vale a pena – além de poder ser um pouco diferente se acostumar com o modo de escrever moçambicano, que a editora escolheu manter na edição brasileira. O livro tem críticas à essa forma de fazer política que vivemos hoje, e é um olhar bem novo: não é mais um colonizador narrando, é o próprio povo (através da voz do narrador, o tradutor) quem conta sua história e seu ponto de vista.

As personagens aqui são muito importantes para a história, pois cada uma delas traz um elemento diferente de si para contribuir com a obra. Massimo Risi, o italiano que vai para Tizangara em nome da ONU, está constantemente confuso e surpreso com os acontecimentos, e acabei por me sentir como ele muitas vezes. O Tradutor (seu nome não é revelado), é aquele que vive essas histórias na pele, mas ainda assim não acredita em tudo – até ter provas do contrário. Poderia falar um pouco de cada uma dessas personagens, pois todas são muito boas, mas queria destacar mesmo minha preferida, a prostituta Ana Deusqueira, que tem um papel importante para a história e uma personalidade honesta com traços de esquivez, e gostei muito do conjunto final.

No geral, a obra é fantástica. Faz pensar, envolve e encanta. Gostei demais e recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana para todos e até a próxima!


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