Para Educar Crianças Feministas, Um Manifesto – Chimamanda Ngozi Adichie

Era domingo e eu já estava enjoada de ficar em casa. Marido tinha saído e eu resolvi ir passear com a cria, coisa que eu quase não faço. A verdade é que sair com um bebê é bem trabalhoso, envolve escolher o horário perfeito, o brinquedo adequado e o passeio ideal, ou você acaba com uma criança chateada nos braços e uma saída arruinada. Mas era domingo, eu não aguentava mais ficar em casa e sentia falta da Marina de antes, então esperei que ele acordasse do cochilo e fomos, nós e nossa parafernalha, pra livraria, uma das coisas que eu mais amei fazer a vida toda. Saí sem pensar em comprar nada em especial, só queria mesmo sentir o cheiro de livros novos, folhear as novidades e esperar que algo me chamasse a atenção. Chegamos, andamos e resolvi procurar o livro que é assunto de hoje.

Minha cria, passeando na livraria

Como disse no stories (já segue? @omundodamarina) sendo feminista e leitora voraz, não poderia deixar de ler algo da Chimamanda, uma autora tão aclamada e tão politizada, mas ainda não tinha tido a chance. Depois do nascimento do meu filho tenho sido bem seletiva com as minhas leituras, porque o tempo é pequeno e preciso guardá-lo para as coisas que realmente me chamam a atenção, e esse livro definitivamente foi um deles.

“Para Educar Crianças Feministas” é curtinho, minha edição tem menos de 100 páginas, então dá pra ler em uma sentada. O livro é uma versão um pouco maior de uma carta que a autora escreveu para uma amiga, respondendo à questão fundamental para toda mãe feminista: “como criar minha criança para que seja feminista?”. A amiga dela, em particular, tem uma filha, e  tinha a preocupação que sua filha não crescesse pensando em si mesma como inferior e sujeita às vontades dos homens. Eu, mãe de menino, tenho uma preocupação paralela: como criar o Leo para que ele soubesse respeitar as mulheres e, particularmente, para não se ver como superior pelo simples fato de ser homem?

Na minha busca incessante por material que me ajudasse nesse sentido encontrei este livro, e percebi que é interessante sim, mas que eu já praticava boa parte do que ela pregava ali, senão tudo. Meu marido também leu o livro e teve a mesma sensação. Isso significa que o livro é dispensável e que ninguém precisa ler? Não, definitivamente. Muita gente ainda não entende ou sabe exatamente o que fazer para evitar que as pequenas ações automatizadas do dia a dia reforcem a criação machista que todos recebemos e que prejudicam tanto a luta por igualdade, e o livro pode ajudar a ganhar uma certa luz, mas é, eu diria, apenas a porta de entrada: ainda requer mais leitura, mais pesquisa e mais mudança interior, apesar de ser um bom começo! Gostei muito e recomendo, fazendo uma ressalva: o livro não é apenas para pais e mães! Todo mundo deveria lê-lo e aplicar o que aprender nele em seu dia a dia, com as crianças com quem convive. Certamente, o mundo seria um lugar mais igualitário se assim fosse!

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