Psiquê e Eros (ψυχή και έρως) – Apuleio

Oi! Desculpem pela demora pra sair a resenha, mas a minha internet não estava colaborando. Hoje é dia dos namorados aqui no Brasil, então escolhi falar de uma história bonita e romântica, que conheço desde criança. É a primeira vez que vou falar de um mito grego no blog, então pode ser que a resenha seja um tantinho diferente do que todos estão acostumados a ver, mas vamos lá. Hoje é dia de “Psiquê e Eros”.

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“Psiquê e Eros” conta a história da jovem Psiquê, uma mulher tão linda que despertou os ciúmes da própria Afrodite, deusa do Amor e da Beleza. Indignada ao ver que a raça humana deixava de cultuá-la para admirar a beleza de Psiquê, Afrodite ordena a seu filho, Eros (o cupido), deus do Amor, que fleche Psiquê e a faça se apaixonar pelo mais feio dos mortais. Eros vai até Psiquê, mas se apaixona de tal modo pela moça, que resolve que ela será sua. Em conluio com Apolo, ele manipula a família da moça, que busca no oráculo de Delfos uma resposta sobre um possível casamento da filha, fazendo-os acreditar que ela se casará com um monstro. O monstro na realidade é o próprio Eros, mas ele não quer que sua esposa saiba, e é a curiosidade de Psiquê, e posteriormente seu amor, que fazem com que os dois fiquem juntos, depois de desafios e trabalhos para recuperar o amor perdido.

Esse mito é antigo e muito belo. Eu leio mitologia grega desde pequena, porque minha tia Jackeline, que morava com a minha avó, à época, tinha uma coleção com os principais mitos, e, para passar o tempo, eu me metia em um dos quartos e lia sem parar, até que sabia de cor todos eles. Só quando entrei na faculdade é que me dei conta do tesouro que tinha nas mãos, e até hoje esse tesouro me serve para o estudo e para a diversão, também.

Dessa vez eu não vou falar da narrativa, porque apesar de o mito de Psiquê e Eros ter sido narrado por Apuleio em seu livro “O Asno de Ouro”, eu não li a versão dele, e sim uma das várias recontagens da história. Queria falar, no entanto, sobre o que representa o mito de Psiquê e Eros do ponto de vista romântico e sob uma interpretação mais contemporânea – e situacional.

A história fala sobre amor, sobre confiança, e, de forma subjacente, sobre como é difícil manter-se fiel ao amor e ao que ele pressupõe. Existem trabalhos maravilhosos analisando os diversos temas e subtemas da obra, além de sua interpretação psicológica aplicada a diversos contextos, inclusive na educação de crianças (vide o maravilhoso livro do Bruno Bettelhein), mas hoje, em especial, eu gostaria de tratar do aspecto romântico dela. Eros e Psiquê são um casal incomum, com uma história bela e difícil, e, sendo Eros um deus, suas exigências são demais para sua esposa mortal, que acaba por  sucumbir aos defeitos da humanidade: desconfiança e curiosidade, e tem de passar por difíceis provações para recuperar aquilo que foi um dia seu. Assim é o amor de verdade: a parte mais difícil não é encontrá-lo, é mantê-lo apesar de todos os problemas e provações da vida cotidiana. É resistir às tentações diárias, à rotina e aos problemas, para manter aquela felicidade inicial, que nos faz suportar todas as provações para estar com a pessoa amada.

Para mim, um dos maiores méritos de uma história é ensinar alguma coisa, e o mito de Eros e Psiquê sempre me deixou estupefata com como o amor pode ser resiliente, especialmente quando confrontado com dificuldades que pareceriam intransponíveis. É uma história sobre nossas faltas e decisões, e como elas mudam o curso da nossa existência, e é, além de tudo, muito bela. Recomendo, afinal, histórias de amor são ótimas para acalentar o coração, especialmente quando são lindas como esta!

Espero que tenham gostado! Um bom resto de semana para todos, boa Copa pra quem curte futebol e um feliz Dia dos Namorados! Até a próxima!


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