Romance do Pavão Misterioso – João Melchíades Ferreira

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Oi! É sexta, último dia de trabalho do semestre (mas, infelizmente – ou felizmente-, ainda não o último da faculdade). Estou aqui para compensar a resenha perdida na quarta feira passada, quando não pude vir aqui. Estou usando a história que tinha escolhido para aquele dia, uma que eu li quando criança e que tem um apelo estranho para mim. É dia do “Romance do Pavão Misterioso”.

pavão

Essa ilustração estava na edição que eu li, e eu nunca a esqueci!

“”O Romance do Pavão Misterioso” conta a história de amor entre um jovem turco e uma condessa grega, que vive presa em um quarto no alto de um castelo. Para poder chegar até a sua amada e salvá-la da terrível situação, o herói contrata os serviços de um artista-cientista e tem de lidar com as consequências de quebrar as leis do pai da condessa, enfrentando sua fúria.”

Eu li essa história quando era criança, além de ter ouvido a música baseada nela desde que me entendo por gente – influências de pai e mãe. Ela estava na biblioteca da minha escola, e eu me lembro de ter ficado muito impressionada com como tudo aquilo – a condessa que é tão bela que só é mostrada ao povo uma vez ao ano, o pai que a ama tanto (ainda que seja doido) que a protegia de todas as formas, do rapaz que tanto a amava que conseguia um jeito de ir vê-la… e de como a condessa, dividida entre a obrigação e o amor, acabava por não ter uma atitude tão corajosa (pra não dizer totalmente reprovável). Lembro que ler esse livro me deixou muito ansiosa, mas eu não entendia o porque – hoje, adulta, consigo identificar bem a razão para o meu desconforto: eu, na mesma posição que essa condessa, definharia de tristeza! Imaginem que terrível, viver presa, sem liberdade para viver e escolher as pessoas com quem conviver! Imaginem não poder escolher quem amar – e acabar por amar alguém apenas porque essa pessoa é a única que consegue chegar até você!

Tudo nessa história é lindo e tremendamente triste. Dizem que ela continha críticas ao governo militar, mas não me lembro de nenhum detalhe que indique isso – não que eu fosse conseguir lembrar, já que eu li quando era criança. Aliás, antes que eu me esqueça: existem versões diferentes dessa história, mas a original foi escrita em formato de cordel. Não acho que tenha sido essa que eu li originalmente, mas sei que em algum ponto da vida eu li e achei linda, com uma poesia enorme embutida ali. Além das influências do cordel, há muito de “Mil e Uma Noites” nessa história, e o resultado é uma narrativa bonita, realmente poética e com uma certa tristeza que eu não consegui ignorar quando criança. Talvez não consiga ignorá-la nunca, mas acho que ela é parte do que faz essa história tão bela!

No todo, essa história é imperdível. Recomendo para todos, sem restrições!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana para todos nós e até a próxima!


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