Senhora – José de Alencar

“Sou rica, muito rica; sou milionária; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o.”

José de Alencar – Senhora

Oi! Essa vai ser uma semana especial no blog, teremos três resenhas: uma hoje, uma na quarta, uma na sexta. São três livros muito bons e muito especiais, então aguardem! Começamos a semana com um clássico que deveria ser mais lido, e espero convencê-los a isso. Vamos de “Senhora, Perfil de Mulher”.

senhora

“Senhora” conta a história de Aurélia Camargo, uma mulher pobre que se apaixona por Fernando Seixas; ele também se apaixona por ela e os dois chegam a ficar noivos. Seixas, no entanto, é um homem de pouca fortuna e caráter volúvel, que desmancha o compromisso para noivar com uma moça que tem por dote 30 contos de réis. Aurélia, que já tinha perdido o pai e o irmão, se vê só com a mãe, que logo falece, deixando-a sozinha no mundo. É quando uma reviravolta acontece em seu destino: sem esperar por isso, ela recebe uma imensa herança do avô, e passa a ser a “nova estrela” do céu fluminense. Fernando, que está em Pernambuco em missão, não vê essa ascensão, e só a descobre quando volta de viagem, 8 meses depois. É quando recebe a proposta de casar-se com uma moça, que não poderá saber quem é até depois de firmado o compromisso, por uma quantia de 100 contos de réis. Abandonado pela noiva, Adelaide, Fernando aceita, e descobre, feliz, que a noiva é Aurélia, apenas para voltar a sofrer quando percebe que a moça não se casou por amor, e sim para vingar-se de seu abandono.

Percebem como um clássico não necessariamente é algo maçante? Se essa história fosse escrita nos dias de hoje, tenho certeza, venderia como água, mas por ter sido escrita há mais de 130 anos, a maioria das pessoas sequer lhe dá uma chance. Para refletir, não é?

A escrita é muito boa, cheia de diálogos ácidos e bem construídos entre o casal principal, que tem uma relação de amor e desprezo tão forte, que passa boa parte do tempo sem saber discernir o que sente de verdade. Apesar de ser um livro romântico (leia-se, da época do Romantismo), não é tão exagerado e cheio de meandros quanto seus contemporâneos. O livro é dividido em quatro partes, que representam as fases de uma negociação: “O Preço”, “Quitação”, “Posse” e “Resgate”, e em cada uma delas passa-se uma fase do relacionamento de Aurélia e Fernando.

As personagens são muito boas, mas não adianta, aqui o baile fica por conta dos protagonistas. Aurélia é descrita como uma moça belíssima, inteligente e perspicaz, ligeiramente endurecida pelas provações que passou, mas que sabe ser agradável como ninguém, se assim quer; seu caráter abriga, também, uma capacidade de amar incrível, já que toda ela é dedicada ao amor por Fernando, ainda que de formas estranhas. Ele, aliás, é uma criatura bem abjeta no começo do romance, e quando foi descrito pela primeira vez, pensei logo que era um mauricinho preguiçoso. Sua mudança ao longo do livro é muito impressionante, e sua personagem é fascinante, no mínimo. Não houve espaço para coadjuvantes, pelo menos para mim: Aurélia e Fernando ocuparam tudo com suas brigas disfarçadas e sentimentos abafados.

Já tinha lido José de Alencar antes, mas esse livro me arrebatou. Recomendo, recomendo, recomendo! Leiam e surpreendam-se com um clássico tão atual que deveria vender como vendem os best sellers de hoje em dia.

Espero que tenham gostado! Boa semana para nós e até a próxima!

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