Sobre o Desapego Literário

Oi! É segunda feira e a semana começa. Pra mim, na realidade, as semanas começam aos domingos: é quando organizo minha vida para a semana de trabalho, faço faxina e deixo tudo no seu devido lugar. Ontem, enquanto terminava um trabalho no computador, resolvi que era chegada a hora de falar sobre um assunto que anda morando no meu coração e que eu ainda não tinha abordado aqui. É o momento, e hoje eu estreio uma nova categoria aqui no blog, “Reflexões Literárias”, que vai sendo inaugurada com o que eu ando pensando sobre livros – e minhas estantes e meu consumismo. (E não se preocupem, que vai ter resenha na sexta pra compensar hoje!)

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Minhas estantes me fazendo companhia enquanto leio. Já segue o insta do blog? (@omundodamarina)

Estou sentada no meu quarto, no calor de Agosto de Brasília, olhando para as minhas três estantes. Estão abarrotadas de livros, cheias das histórias que eu tenho lido ao longo dos anos, que me fizeram companhia e que eu colecionei vorazmente. Sempre disse para as pessoas que gostava de ter os livros que eu lia porque eu tenho o hábito de relê-los, e é verdade. Mas, de mais ou menos um ano para cá, tenho pensado na minha vida, no que quero para o meu futuro e onde (e como) me vejo daqui alguns anos. A verdade é que, por mais que eu me veja como uma velhinha daquelas que mora num chalé de contos de fada, cheios de livros até o teto, percebo que nem tudo que mora na minha estante atualmente vai caber na minha vida no futuro – e que antes de ser essa velhinha, quero ser uma jovem adulta diferente. É hora daquilo que eu temi por tanto tempo (que ainda temo um pouco, pra ser franca): é hora de desapegar – dos meus livros.

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Meu companheiro kindle – que deve passar a ser mais companheiro ainda…

Vejam bem, não é que eu não queira meus livros à minha volta. Não é que vou deixar de reler meus preferidos – qualquer dia vou falar disso num post, prometo -, mas é que eu me dei conta de que não preciso ter todos os livros que eu leio em versão física – e, francamente falando, isso nem caberia nos planos que eu tenho pra minha vida. Resolvi, então fazer uma seleção do que sai e do que fica, e talvez seja por isso que, há meses, não compro livro nenhum, e tenho aproveitado bastante a biblioteca do meu trabalho. Ando me sentindo mais leve sem a obrigação de comprar livros. Sim, porque deixou de ser um prazer, já que parte do que eu queria era ter tudo que eu já li – o que significa que tenho várias coleções iniciadas que eu nunca completei, além de outras tantas que eu comprei num impulso mas que nem fazia questão de ter, hoje em dia. Não estou nem me cobrando nem me culpando, afinal, tudo na vida são fases, e eu apenas cheguei em uma em que só quero comigo o que amo mais, e se essa triagem tem me feito bem em várias frentes, porque não fazer o mesmo com as minhas estantes?

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Quando ainda tinha um espacinho na estante…

Vou admitir que o prospecto de não ter meus bebês de papel ao meu redor é um tanto apavorante, mas é também um tanto libertador saber que vou manter apenas os que se encaixam em determinados critérios – e, sabe-se lá, esses critérios também podem mudar daqui um tempo. Há mais ou menos um ano eu comecei a mudar radicalmente a minha vida, e meus livros também entraram na baila: agora é começar o processo de categorizá-los e decidir o que fazer com eles. Já dei o primeiro passo: minha coleção (incompleta) da Jane Austen foi dada pra Su, uma amiga minha que eu já até citei aqui no blog (e que me fez prometer que diria, na próxima vez que o nome dela aparecesse, que ela trabalha como faxineira na minha casa desde que eu tenho uns 12 anos). Ela adorou “Orgulho e Preconceito”, e acabou lendo outros, e achei que ela seria a melhor dona pra esses bebês em particular.

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Depois dessa catarse e da libertação que eu sinto no momento, é hora de, efetivamente, começar o processo. Talvez volte pra contar como foi, o que fiz e mostrar o resultado final das estantes. Talvez só mencione casualmente, no meio de uma resenha, como as coisas ficaram. De qualquer modo, parece até que é algo maior que eu que me move e me motiva a mudar. Talvez seja mesmo, ou talvez seja só uma Marina que eu tinha sufocado até agora. Veremos!

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Os livros da faculdade também vão entrar na baila!

Pra se inspirar ainda mais em minimalismos, leiam esses posts da La Cucinetta, onde a Ana Elisa fala sobre a experiência dela de passar adiante boa parte da coleção de livros de culinária dela. Eu já amava o blog dela por diversos motivos, mas tem sido ainda mais incrível lê-la, porque ela parece ter as mesmas visões de mundo que eu em muita coisa, e isso é muito legal!


3 thoughts on “Sobre o Desapego Literário

  1. Oi, Nina.
    Adorei essa sua reflexão.
    Há algum tempo comecei a ter problemas para guardar meus livros e fico muito chateada de ter que colocá-los em caixas porque não cabem na estante (que é gigante mas está abarrotada!). Então comecei um processo de desapego e sempre que posso tiro alguns livros da estante.
    Comecei a trocá-los no skoob ou fazer promoções no blog.
    Tenho livros que comprei em 2009 e nunca cheguei a abrir… Hoje não tenho nem mais interesse em ler, então não faz sentido ficar com eles na estante!
    Os livros digitais também são uma mão na roda! É uma pena que só a Leya manda livros digitais para seus parceiros! Estou torcendo para que outras editoras façam isso, porque 90% dos meus livros novos hoje em dia são os de parceria!
    Beijos
    Camis

    • Oi Camis!

      Pois é, acho mesmo que estou ficando cada vez mais minimalista! Não sei se vou documentar todo o processo de desapego dos meu filhos de papel, como sempre chamei meus livros, mas espero passar pelo processo bem e dar bons rumos para eles! Penso seriamente em substituir grande parte do que tenho hoje na minha coleção por ebooks, já que meu kindle é meu companheirão já há um tempo… veremos, né?

      Um beijão!

  2. Pingback: I Encontro Nacional de Blogueiros Literários – Minhas Impressões | O Mundo da Marina

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