Uma Confraria de Tolos (A Confederacy of Dunces) – John Kennedy Toole

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Oi! É a primeira resenha de 2016, então, antes de mais nada: Feliz Ano Novo! Espero que possamos todos aproveitá-lo com leituras incríveis e bem divertidas! Pra começar o ano, escolhi um dos livros mais estranhos que eu já li – mas também um dos mais engraçados. Foi uma das últimas leituras do ano que passou e está abrindo os trabalhos aqui no blog. É dia de “A Confederacy of Dunces” (que só depois de ler eu descobri ter sido traduzido para o português!).

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“O protagonista é Ignatius J. Reilly, intelectual glutão, preguiçoso, egocêntrico, desagradável, um herói solitário em sua cruzada contra a modernidade. Como um Dom Quixote do século XX, Ignatius desbrava as ruas de Nova Orleans dos anos 1960 e enfrenta todo o tipo de tolos, malandros, aproveitadores e policiais desonestos depois de sua mãe bater o carro e ter de pagar o prejuízo, insistindo para que ele renuncie à sua rotina de se irritar diante da televisão, criticando o mundo em folhas de caderno, e vá procurar emprego. Perambulando de um trabalho a outro, Ignatius vai de Calças Levy, onde lidera uma revolta de operários, ao Bairro Francês, onde usa uma carrocinha de cachorro-quente como escudo para se defender.”

Pra ser muito honesta vou dizer logo de cara que não teria lido esse livro se não fosse pelo Desafio da Rory, simplesmente porque não o conhecia antes! Nunca tinha ouvido falar no autor e sequer o tive mencionado na universidade, acredito que por não caber em um currículo já extenso – vejam bem, eu não acho que seja tão extenso assim, mas certamente essa seria a desculpa. De qualquer modo, eu o peguei emprestado na biblioteca do meu trabalho quando reconheci o título da listagem do desafio, e demorei um bom tempo para terminar a leitura, por um motivo ou outro.

A narrativa é bem simples, e os – relativamente – vários núcleos que a compõem se interligam muito bem no final. Pra quem lê no original em inglês e não está acostumado a ler em representação de dialetos, pode ser um pouco complicado de entender – não tenho ideia de como é a tradução para o português -, mas nada de impossível ou que deva desanimar: é uma obra cheia de sátiras inteligentes e tiradas hilárias. Boa parte disso se dá, logicamente, por causa de Ignatius, o protagonista pomposo desde o nome até o chapéu ridículo, que se acha inteligente e superior mas vive com a mãe e é incapaz de trabalhar. Minha personagem preferida, no entanto, foi Myrna Minkoff, rival intelectual e contra-parte interessante de Ignatius: Myrna é tão fraude e tão profunda quanto Ignatius, mas é mais independente, então me deixou menos agoniada, além de ter mostrado boa parte das melhores análises do livro. Não é uma história pra qualquer um: há que se ter senso de humor e paciência para entendê-la, mas vale totalmente a pena. Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós, um 2016 incrível e até a próxima!


Bridget Jones: Louca Pelo Garoto (Mad About the Boy) – Helen Fielding

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Oi! Hoje não deveria ser dia de série, mas ando com vontade de deixar tudo em pratos limpos, e, para mim, uma boa parte disso é ter todas as séries devidamente organizadas. Achei melhor começar pela Bridget, já que li o terceiro livro logo no início do ano e ele é o único faltante. Vem ver como anda a mais famosa personagem de chick-lit de todos os tempos em “Bridget Jones: Louca Pelo Garoto”.

Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“Em seus 50 anos, viúva, mãe de dois filhos na Londres contemporânea, Bridget retoma seu diário abandonado e mostra que continua a mesma, e ainda mais viva – e ativa – do que nunca. O tempo se encarregou de trazer à sua vida outros dramas e dilemas, mas não levou embora seu jeito estabanado e a personalidade luminosa sem a qual ela não poderia enfrentar os momentos comoventes que a aguardam. Além de não descuidar da balança e manter-se longe dos cigarros, agora ela também precisa se preocupar com sites de relacionamentos, o número de seguidores no Twitter e os perigos de trocar mensagens de texto depois de algumas taças de vinho. Ainda às voltas com os amores, Bridget tropeça em novas confusões e tenta em vão se esquivar das gafes que ajudaram a consagrá-la como uma das personagens mais divertidas da literatura feminina, enquanto figuras antigas e recentes desfilam por sua vida – sobretudo um garoto misterioso que vem para balançar seriamente suas certezas.”

Vou admitir que no começo eu estava bem receosa em ler este livro. Tinha gostado muito do primeiro e nem tanto assim do segundo, e definitivamente esperava ficar deprimida ao ver que o Mark tinha morrido, afinal, passei o tempo todo torcendo por ele, que era uma personagem realmente boa. Não vou mentir: começar o livro foi mergulhar numa ligeira nostalgia e num bocado de tristeza, porque quando a Bridget menciona o marido é com dor e saudades, e não pude deixar de me colocar o lugar dela e em pensar como seria difícil ter filhos e perder o marido amado de uma maneira trágica. Não deve mesmo ser fácil, e acho que o grande mérito do livro – que até o redimiu do segundo, bem mais fraco, – foi mostrar que até dentro de uma personalidade estabanada e distraída pode se esconder uma pessoa que toma as rédeas da própria vida.

A narrativa é boa e as personagens – tanto as que já conhecemos quanto as que aparecem aqui pela primeira vez – são boas e consistentes, e achei que a combinação foi bem apropriada para formar um livro que se passa tantos anos depois do anterior mas mantendo a essência do que veio antes. “Louca Pelo Garoto” é bem melhor do que “No Limite da Razão” e, guardando-se as devidas reservas e mudanças, tão bom quanto “O Diário de Bridget Jones”. Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!

Bridget Jones:

01- O Diário de Bridget Jones

02- Bridget Jones: No Limite da Razão

03- Bridget Jones: Louca Pelo Garoto


A Garota Americana (All-American Girl) – Meg Cabot

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Oi! O tempo em Brasília está do jeito que eu amo: chuvoso, cinza, friozinho. Queria poder ficar deitada lendo, mas como tenho que trabalhar e viver, resolvi pelo menos trazer a resenha de um livro que, pra mim, combina com o tempo. Nem acredito, aliás, que não resenhei esse livro até hoje, já que é um dos meus livros de adolescência preferidos! Vem conhecer “A Garota Americana”!

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“Samantha Madison é uma menina ruiva e rebelde de 15 anos, cheia de problemas. Filha do meio, vive oprimida pela beleza da irmã mais velha Lucy e a inteligência de Rebecca, a caçula. Para piorar, ainda está apaixonada por Jack, namorado de Lucy. Em Washington, capital dos Estados Unidos, leva uma vida muito parecida com a de tantas outras garotas de sua idade. Até que um dia resolve matar uma aula de arte e, por acaso, salva o presidente americano de uma tentativa de assassinato. Samantha logo se transforma em uma celebridade internacional. E vê sua vida virar de cabeça para baixo ao ser nomeada embaixadora da ONU, sem saber exatamente o que o cargo significa. As coisas ficam ainda mais enroladas quando descobre que aquele colega de sala bem bonitão é o filho do presidente. E está apaixonado por ela. Um romance muito divertido sobre os problemas, desejos e anseios de uma garota americana, que bem poderia ser uma típica adolescente como muitas que conhecemos.”

Eu ganhei esse livro na adolescência, um presente sem motivo especial de um dos meus pais. Sentei pra ler e devorei depressa, e várias vezes, nos anos seguintes, eu reli este livro (adolescentes são dramáticos em qualquer lugar, eu não fui exceção à regra!: tinha um problema, corria pra me inspirar na Sam!). Acabou se tornando um dos meus livros preferidos da Meg, e eu detestei quando, anos depois, uma continuação muito chatinha foi lançada, então prefiro considerá-lo um voo solo!

Bom, a narrativa segue aquele estilo da Meg: é um livro para (pré)adolescentes, então é cheio de mensagens sobre como você deve enfrentar os desafios do dia-a-dia, de como o trabalho duro e a sinceridade ao que você é podem te ajudar a alcançar qualquer sonho – e como o cara gatinho sempre fica com você no final, se for o amor da sua vida mesmo. Obviamente que um adulto não veria tanta graça no livro, mas eu, do alto dos meus 15 anos, achava a história daquela menina corajosa muito inspiradora (e, de certo modo, ainda acho). É um livro fácil de ler, que acaba mais depressa do que eu gostaria, na verdade.

As personagens são ótimas! Sam é minha preferida, e passei muito tempo (leia-se: até hoje), recalcando o fato de ela ser ruiva. Além de Sam gosto de David, o filho do presidente, e não porque ele é o tal gatinho-amor-da-vida, mas porque é inteligente e maduro para a idade, e porque ajuda a Sam a encontrar a força dentro de si mesma para fazer o que é necessário. Minha personagem secundária preferida foi Susan, professora de arte dos dois, que também se mostra uma ajuda e tanto para a jornada pessoal de Sam. Gostei de todas as personagens do livro, na verdade! Talvez o combo da boa narrativa com a boa história e as personagens encantadoras tenha sido o que me roubou o coração – e que tenha deixado o livro marcado como um preferido da adolescência. Recomendo, de verdade!

Espero que tenham gostado! Boa semana (cheia de chuva!) para todos nós e até a próxima!

Série “A Garota Americana”:

1- A Garota Americana

2- Quase Pronta


Pigmaleão (Pygmalion) – George Bernard Shaw

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Oi! Já que na última resenha mencionei as várias histórias legais que li no início do ano, achei uma boa ideia falar um pouco sobre mais uma dessas histórias que li por causa da faculdade. Hoje é, de novo, uma peça, e uma que eu sempre quis ler, mas, por algum motivo, nunca encontrava tempo! É dia de conhecer Pygmalion, que deu origem ao famoso “My Fair Lady”.

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Pigmaleão conta a história de Eliza Doolitle, uma vendedora de flores ambulante na Londres do início do século 20. Sua linguagem é uma afronta à língua inglesa, seu vocabulário, paupérrimo e de baixo calão, e sua pronúncia, uma desgraça. Um eminente fonético impõe a si mesmo um desafio: reeducá-la e faze-la passar por uma dama da sociedade. Mas esse será apenas o início dessa comédia deliciosa em que Shaw denuncia as diferenças sociais e de classe.

Eu assisti “My Fair Lady” anos atrás, porque amo a Audrey e vejo qualquer coisa em que ela esteja, mas não conhecia a história. Acabei por gostar do musical, e quando descobri que era inspirado em uma peça fiquei, obviamente, doida pra conhecer de onde vieram aquelas músicas que ficam na minha cabeça o tempo todo, mas nunca tinha a oportunidade. Quando vi que era leitura obrigatória em uma das minhas aulas de literatura inglesa, fiquei feliz – e ainda mais quando vi que o autor era o Shaw.

Bom, a peça é boa, interessante e fácil de ler e entender. Existem algumas versões que cortam duas cenas na peça, então eu li duas diferentes para ver o texto de duas formas, mas se você pegar uma versão que, por acaso, não tenha as tais duas cenas, não se preocupe, porque não vai prejudicar seu entendimento. A história é bem parecida com o que vemos no filme, e Henry Higgins é bem machista e grosseiro, e existem teorias baseadas no uso de certas expressões do texto em inglês, que ele seria gay, e, por isso, não se apaixonaria por Eliza – essa paixão seria produto da imaginação dos leitores. É, com certeza, algo a se pensar, já que muda alguns aspectos na peça, mas dos dois modos é uma leitura interessante.

Gostei mesmo foram das personagens: Eliza foi minha preferida, já que demonstra força e coragem, ainda que seja bem ingênua e ignorante para algumas coisas. Gostei também da Senhora Higgins, que é bem razoável e que não cede aos caprichos do filho. Apesar de ter simpatizado com o Coronel Pickings ainda acho que ele tem seus momentos de bobalhão em que acha bonito qualquer coisa que Higgins faça, então perdia a paciência com ele de vez em quando. Claramente não fui muito com a cara de Higgins, mas é uma personagem necessária, e ajuda a formar um conjunto interessante com as outras, para que a história fique completa. No geral, gostei bastante da peça. Não é a melhor coisa que eu já li na vida, vou dizer, mas é realmente muito boa. Recomendada!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


O Auto da Compadecida – Ariano Suassuna

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Oi! Não sei a de vocês, mas minha segunda feira começou com uma prova, o que explica o atraso da resenha de hoje. Em dias em que tenho momentos ruins ou faço algo que não gostaria de fazer, escolho para resenhar, histórias divertidas, que tenham me agradado. É uma forma de desanuviar minha mente dos problemas e do que me deixa estressada, e hoje eu escolhi uma história assim. Hoje é dia de “O Auto da Compadecida”.

“Acompanhe as aventuras de Chicó, João Grilo, o padeiro e sua mulher e tantas outras personagens típicas da literatura de cordel brasileira, todas vivendo situações hilárias – e meio hereges – que os levam a um julgamento no alto do Reino dos Céus com a presença de figuras ilustres – e assustadoras.”

Por mais incrível que possa parecer, nunca vi nenhuma adaptação da história, nem mesmo o famoso filme de 2000, então nem sei de onde veio minha vontade de ler a peça. Li assim mesmo e me diverti muito com as desventuras de João Grilo e Chicó.

Bom, mesmo “O Auto da Compadecida” sendo uma peça, e mesmo para quem não está acostumado com esse tipo de leitura, é fácil entender a história. Na verdade eu achei que o formato colabora para a história, já que, às vezes, os diálogos das personagens – e as confusões em que eles se metem – são rápidos e ágeis, e mesmo lendo apenas o texto, não vendo nenhuma adaptação, somos capazes de ver como ficaria em um palco (ou numa tela de cinema).

As personagens são bem caricatas e divertidas, e acabei por gostar de todas. Em especial, gostei da dupla Chicó-João Grilo, e do padeiro e sua mulher, que com suas confusões, avarezas e ciúmes (e a infidelidade da mulher) criam boa parte das situações vividas pelos protagonistas. De forma geral as personagens são divertidas de uma forma homogênea, e junto com o texto e a história em si, trabalharam para formar um conjunto homogêneo e divertido. Existem críticas importantes dentro da história, então não deixem que o humor apague o que Suassuna quis mostrar com seu trabalho – mas não deixem de apreciá-lo também, já que é uma parte importante da história.

No todo, a história é boa, divertida, mas também faz pensar – se você abrir sua cabeça para isso. Gostei demais e recomendo bastante!

Espero que tenham gostado. Boa semana para todos nós e até a próxima.