Por quem os Sinos Dobram (For Whom the Bell Tolls) – Ernest Hemingway

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Oi! Agora que as resenhas voltaram ao normal, posso falar de um livro que li no ano passado. Eu o ganhei depois de vencer uma aposta, e até que gostei da história. É dia de “Por Quem os Sinos Dobram”.

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“A trama gira em torno de Robert Jordan, um americano integrante das Brigadas Internacionais, que luta ao lado do governo democrático e republicano, recebendo a missão de dinamitar uma ponte. Nos três dias em que a história acontece, a Guerra Civil Espanhola é o pano de fundo para as relações tensas e carregadas de significado que o norte-americano desenvolve com o grupo de guerrilheiros e ciganos que devem ajudá-lo em sua missão. Integrado por Pilar, mulher com extraordinária força de vontade, o perigoso Pablo e a bela Maria, o grupo se tensiona ainda mais com a relação entre Robert e Maria, que acabou por se tornar uma das mais inesquecíveis histórias de amor da literatura moderna.”

Como eu disse lá em cima, ganhei este livro numa aposta. Nem ia ler Hemingway ano passado, estava na minha lista deste ano, mas fiz um amigo que adorava as obras dele, inclusive me emprestou o primeiro livro dele que eu li (e que já está resenhado aqui). Mensurando entre os dois, acredito que “O Jardim do Éden” é melhor, mas “Por quem os Sinos Dobram” não deixa de ser bom.

O livro tem um clima pesado e tenso desde o início, já que se passa no meio de uma guerra civil. Desde o começo da leitura já se sabe o que Jordan deve fazer, explodir uma bomba, e eu já fiquei temendo o resultado desde aí. Quando o grupo de guerrilheiros é apresentado a coisa só piora, já que há um conflito de poder entre Robert Jordan e Pablo, que é o líder dos rebeldes mas que está perdendo a autoridade para a mulher, Pilar. Toda essa tensão, além do sentimentos gerados pelo relacionamento de Robert e Maria, são bem delineados graças às habilidades narrativas de Hemingway. Ainda que não seja um dos meus autores preferidos e eu ache que Fitzgeald é melhor (faço esta comparação porque os dois são parte dos “Roaring Twenties”), tenho que dar créditos ao modo como ele coloca a Guerra Civil como pano de fundo para a história, mostra sua importância, mas não a dramatiza, chegando, em alguns momentos, a ver o lado daqueles que lutam contra o que ele acredita.

As personagens são boas, mas, francamente, um tanto cansativas. Hemingway pode até não ter dramatizado o pano de fundo de suas narrativas, mas suas personagens certamente carregam muito drama dentro de si, e externalizam isso com certa frequência. Robert Jordan e os guerrilheiros pensam em morte de várias formas e com constância, e, ainda que a ambientação da história atraia esse tipo de pensamento, em determinado momento eu estava cansada. O fato é que o livro tem (na minha edição) 490 páginas, e elas se passam em três dias, então os mesmos temas sendo remoídos várias vezes acabaram por me irritar um pouco. No assunto de irritantes, não gosto das personagens masculinas do Hemingway, pelo menos até agora. São misóginas e nojentas, e acabei por simpatizar mais com as personagens femininas – no caso, Pilar e Maria, Pilar sendo a minha preferida, por sua força e coragem.

Como um todo, o livro é bom sim. O retrato da Guerra é interessante, o modo como as coisas acontecem é bem diferente do que eu tinha lido até conhecer as obras do Hemingway e o conjunto é interessante. Recomendo, mas com as ressalvas feitas durante a resenha, e com a palavra final de que, definitivamente, passa longe de ser um dos meus livros preferidos.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos e até a próxima!


O Jardim do Éden (The Garden of Eden) – Ernest Hemingway

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Oi! A chuva chegou de vez, o ano está mais para o final do que para o meio e amanhã é meu aniversário. Tanta coisa está misturada em mim no momento, que me sinto meio melancólica, e escolhi um livro que me deixou exatamente assim quando o li, no início do ano. Foi meu primeiro Hemingway, emprestado por um amigo. Hoje é dia de “O Jardim do Éden”.

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O livro conta a história do escritor David Bourne e de sua esposa Catherine, que estão em lua-de-mel na Côte d’Azur. Os recém-casados são felizes e levam uma vida relativamente calma, comendo, bebendo, fazendo amor e aproveitando a companhia um do outro, até que David, após receber várias cartas de seu editor elogiando-o por seu último livro, resolve voltar a escrever. Com ciúmes do trabalho do marido, Catherine procura formas de atraí-lo para si novamente, e encontra a solução em Marita, uma jovem bela e atraente por quem os dois Bournes se apaixonam. O triângulo amoroso, no entanto, não parece ser do tipo felizes-para-sempre, e os jogos eróticos dos três dão lugar a ressentimentos e a conflitos, que alteram as vidas dos três inexoravelmente.

É importante conhecer algumas informações sobre o livro, para talvez compreender um pouco melhor seu autor e a mensagem que queria transmitir: Hemingway trabalhou neste livro por mais de quinze anos, e morreu sem concluí-lo. Foi seu segundo livro publicado postumamente, e, como boa parte de suas obras, tem muitos elementos autobiográficos (quando se casou com a primeira esposa, diz-se que o casal Hemingway estava acompanhado de uma mulher durante a lua-de-mel). Colocando-se essas informações em perspectiva, talvez fique mais fácil para o leitor encontrar as respostas que podem vir a faltar quando a leitura termina.

Como eu disse lá em cima, este livro foi meu primeiro Hemingway. Não ia ler nada dele este ano, estava na minha lista do ano que vem, mas fiz um amigo que gosta demais dele, e que um dia me trouxe o livro pra ler. Como sou que nem criança, que não pode ver o brinquedo e quer brincar, acabei por passar o livro na frente de todos os outros. Tinha um tempo que não me sentia tão em conflito por causa de uma história: Catherine, em especial, me despertou uma agonia sem tamanho, e, já que a menciono, começo pelas personagens. David é um zero à esquerda; tão egocêntrico, tão preocupado com o próprio prazer e a própria paz que parece não perceber que algo está seriamente errado com sua esposa, e acaba por deixá-la fazer as coisas como faz. Marita, a terceira ponta do triângulo, me fez rir: tenta agradar a David de uma forma tão óbvia que me deu ligeiro asco – e, ainda assim, admirei sua esperteza e como enganou a todos (imagino que inclusive a alguns leitores) por tanto tempo. Catherine é um mistério: não sei se ela é apenas uma pessoa perdida, querendo se encontrar, ou se tinha alguma coisa errada com ela, para se envolver na situação em que se envolveu. Pensar no livro, para mim, é pensar nela e na situação em que envolveu a si a ao marido, e em seus motivos para fazê-lo.

A história em si é até simples: triângulo amoroso, começa de forma consensual e até amorosa, e acaba por se tornar outra coisa. Foi bem interessante ler o primeiro momento em que Marita entra em cena e os momentos em que ela se adaptou à rotina do casal Bourne, aprendendo a jogar com ambos, e essa foi uma parte muito interessante da leitura. O livro é muito bom, e eu gostei muito, descontando-se, obviamente, a misoginia de Hemingway. É uma história difícil, que não agrada todo mundo, mas é muito bem escrita. Fiquei meio melancólica quando terminei o livro, porque, como disse, foi uma mistura de sentimentos muito grande, e eu ainda não me resolvi sobre Catherine e sobre como ela se sentia, no fim das contas. Recomendo o livro sim, mas aviso que pode ser uma leitura difícil – pra mim, em certos pontos, foi.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!