Suave é a Noite (Tender is the Night) – F. Scott Fitzgerald

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Oi! Desculpem-me pela demora em liberar a resenha, mas acho que meu computador anda precisando de uma limpeza, porque não tem colaborado muito comigo nos últimos tempos – o que acaba por me atrasar nas publicações! De qualquer modo, é dia de falar de mais um dos trabalhos de um dos meus autores preferidos. “Tender is the Night” é o livro de hoje – e o título vai no idioma em que eu li o livro, como sempre.

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“O psiquiatra americano Dick Diver e sua esposa Nicole são socialites glamourosos, desfrutando vidas brilhantes em meio a uma enxurrada de associados decadentes em na França, nos deslumbrantes anos 1920. Um círculo de admiradores são atraídos para eles, incluindo a jovem estrela em ascenção Rosemary Hoyt. Mas Dick tem uma fraqueza, Nicole tem um segredo, e a paixão de Dick por Rosemary catalisa o degringolar das relações e mancha a vida sob o sol Riviera.”

Peguei este livro para ler no início do ano por dois motivos: o primeiro era meu óbvio amor pelo autor, que me impedia de simplesmente não conhecer todas as suas obras. O segundo foi o fato de que ele faz parte do Desafio da Rory. Juntando-se os dois motivos eu não tinha mais porque adiar a leitura, e a comecei e terminei ainda mais apaixonada por Fitzgerald.

O livro é quase que auto-biográfico, já que retrata a relação de um casal que tem uma história bem paralela à do próprio Fitzgerald e de sua esposa, Zelda, que na altura da publicação estava internada em um sanatório, se tratando do alcoolismo e de seus distúrbios mentais. Poucas vezes tive tanta raiva de uma personagem quanto tive de Rosemary Hoyt, com sua suposta inocência e beleza, e do próprio Dick, que vai se enfraquecendo, enfeitiçado por uma mulher que, a meus olhos, parecia não só comum como também entediante. Tomei o lado de Nicole a maior parte do tempo, ainda que a achasse irritante em muitos momentos. Parece sandice dizer que gostei de um livro em que as personagens principais me enojaram tanto, em tantos momentos, mas acredito que elas são tão boas, tão bem retratadas e tão possíveis na vida real, que combinadas à narrativa típica do meu autor querido (lírica, poética, quase uma pintura, e ainda assim cheia de sentimentos e emoções cruas e vivas), formam um livro impossível de largar e muito bonito. “Tender is the Night” foi o último livro publicado por Fitzgerald antes de sua morte, e as palavras do próprio autor o resumem bem, emocionalmente: “Gatsby was a tour de force, but this is a confession of faith.” (“Gatsby era um tour de force, mas isso é uma confissão de fé.”). Preciso reforçar que recomendo?

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Este Lado do Paraíso (This Side of Paradise) – F. Scott Fitzgerald

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Oi! Como prometido, hoje é dia resenha extra. Escolhi falar de um dos meus escritores preferidos, de novo. Já deve ter dado pra perceber que eu tenho uma bela quedinha pelo Fitzgerald, e hoje é dia de mostrar isso de novo. É dia de “This Side of Paradise” (preciso repetir que o nome vai em inglês porque foi o idioma em que eu li?).

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“O romance na raiz desta lenda é muito interessante e bom de ler. Trata-se de uma fantasia juvenil, em que as cenas se sucedem rapidamente: uma infância de conforto e privilégio, escola exclusiva, universidade de elite; festas, namoros, clubes, e por fim, um caso de amor mais sério. Graças à linguagem vívida de Fitzgerald e a seu talento para o diálogo, o leitor permanece interessado nos personagens, não apesar de suas imaturidades, mas justamente por causa delas.”

Este livro foi o primeiro que o Fitzgerald publicou. Ele o escreveu na esperança de se tornar um escritor famoso e reconquistar Zelda Sayre, que tinha acabado de terminar seu relacionamento com ele. Funcionou e ela voltou para ele, e os dois acabaram por se casar – se vocês puderem, leiam alguma biografia que conte a história dos dois: é fascinante e ligeiramente deprimente.

Bom, a história em si é bem diferente do que eu encontrei em Gatsby e em The Last Tycoon, especialmente no estilo narrativo. O livro é dividido em “Livro um”, “Interlúdio” e “Livro dois”, e cada um desses livros é sub-dividido em alguns capítulos. Cada um desses capítulos é um tanto diferente do anterior, e, ainda que a história comece a ser narrada do jeito tradicional, que todos conhecem como sendo a forma “normal” de se contar uma história, alguns capítulos mudam e trazem poemas, memórias, narrativas em fluxo de consciência… pra quem não está acostumado, pode ser um livro confuso, mas essa diversidade de narrativas enriqueceu muito a história, que por si só é uma semi-auto-biografia da vida do próprio Fitzgerald.

O protagonista da história se chama Amory Blaine, e as outras personagens que aparecem com constância são o Monsignor Darcy (de quem eu gostei muito, achei bem mais razoável que sua contraparte mais jovem) e alguns dos amigos de Amory durante a faculdade (ele estuda em Princeton). Amory é um rapaz mimado, e todas as suas ações no livro refletem como isso o alterou em termos de escolhas pessoais e relacionamentos, e, ainda que ele tenha me irritado em muitos momentos, não pude deixar de sentir simpatia por ele em outros. Talvez todos os protagonistas do Fitzgerald me causem esse efeito, mas não sei ainda.

No mais, recomendo muito o livro! É uma história bonita, interessante e vibrante, além de ser do Fitzgerald, o que anda parecendo, mais e mais, uma recomendação por si só.

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana para todos nós e até a próxima!


O Último Magnata (The Love of the Last Tycoon) – F. Scott Fitzgerald

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“He was my picture, as sure as if he had been pasted on the inside of my old locker in school. That’s what I told Wylie White, and when a girl tells the man she likes second best about the other one – then she’s in love”
The Last Tycoon – F. Scott Fitzgerald

Oi! Já queria falar desse livro há algum tempo, mas a inspiração só veio uma vez antes de hoje (e acabei por resenhar Chocolate na ocasião), então foi mais uma das resenhas adiadas. Depois de ler “The Great Gatsby”, Fitzgerald entrou para minha lista de autores favoritos, e fui atrás de suas outras obras. Esse foi o segundo romance que li, e a resenha de hoje é dele, “The Last Tycoon”.

“Monroe Stahr é um bem-sucedido e carismático produtor de Hollywood, magnata e workaholic. Vive em uma fogueira das vaidades, em meio a cinismo, hipocrisia, promiscuidade e pessoas dispostas a tudo para serem imortalizadas nas telas do cinema. Mas Stahr, este Grande Gatsby da indústria cinematográfica, não consegue superar a morte de sua esposa, Minna, uma famosa atriz. Até que uma visão o domina: a de uma desconhecida muito parecida com sua falecida mulher. A trágica história do amor do último magnata é contada por Cecilia, filha de um sócio de Stahr, que fora apaixonada por ele quando menina – e parece não ter abandonado seus sentimentos.”

É importante explicar que este livro está incompleto. Fitzgerald o estava escrevendo quando sofreu o ataque cardíaco que o levou à morte, aos 44 anos, e o livro foi postumamente compilado e publicado – a compilação incluía as notas pessoais do autor que deixavam evidente suas intensões para o restante da história – pelo crítico literário Edmund Wilson, que era um amigo próximo de Fitzgerald. Parece uma escolha estranha ler uma história que não foi terminada, mas como eu sou meio obcecada com o trabalho dele, não podia deixar passar nada, e aí entra minha escolha desse livro, que seria, segundo Hemingway e o próprio Fitzgerald, a obra prima de sua carreira. Foi publicado inicialmente com o título “The Last Tycoon”, até que análise de outras notas de Fitzgerald mostraram que ele pretendia chamar o romance de “The Love of The Last Tycoon” (a edição que eu li não tinha nem as notas do autor, nem o título “correto”).

A história tem semelhanças com Gatsby, já que Stahr também se apaixona e é esse amor que o levará à ruína (quando o livro termina, não estamos nem perto desse momento), mas diferentemente de seu protagonista mais famoso, Monroe Stahr teve outro amor, e se tornou o grande Magnata de Hollywood justamente por se afundar em trabalho depois da perda desse amor. É um homem com nuances sombrias, que parece ligeiramente atormentado pelo passado, mas que floresce com a paixão súbita por Kathleen Moore. Ela é uma personagem complicada, pois a parte do livro que foi concluída e publicada só deixa entrever seu caráter, e não dá pra saber o que se passa em sua cabeça. Minha personagem preferida foi Cecília, a narradora e filha do sócio de Stahr, Bradogue Brady. Como não li as notas do autor, só posso imaginar o que ela seria, mas tenho a impressão de que teria um papel importante na história; quem sabe facilitando a queda de seu amado depois de uma rejeição? É o tipo de coisa que eu ia adorar ver…

A história tinha tudo para ser incrível, e mesmo só tendo acesso aos 17 capítulos terminados, já dá pra entrever um quadro complexo e muito interessante. Não duvido que, se terminada, teria sido o maior sucesso de Fitzgerald, como era previsto. Quase o é com apenas 17 capítulos prontos! Sendo um dos melhores livros que já li, não poderia deixar de recomendar!

Espero que tenham gostado! Bom restinho de semana, e até a próxima!


O Grande Gatsby (The Great Gatsby) – F. Scott Fitzgerald

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Oi! Hoje resolvi trazer um dos meus prediletos, lido em 2012 depois de anos enrolando: “The Great Gatsby” (não, não estou escrevendo o título em inglês pra ser pedante, eu li em inglês, e é até estranho pensar no título em português). Depois de ler, resolvi assistir ao filme de 1974 e, na mesma época, descobri que uma versão nova seria lançada em 2012 (acabou sendo adiada pra 2013) com o Leonardo DiCaprio e a Carey Mulligan nos papéis principais, que estou esperando ansiosa!

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Bom, eu acho o clima dos anos 20 extremamente romântico, assim como o dos anos 30, 40 e 50. O negócio é que o clima dos anos 20 parece mais… brilhante. Não faz muito sentido, né? Pois começa a fazer depois da leitura desse livro: “The Great Gatsby” conta a história de Jay Gatsby a partir do ponto de vista do narrador, Nick Carraway, vizinho de Gatsby que acaba de se mudar para a área conhecida como West Egg (fictícia), no estado de New York. Isso, consequentemente, faz com que um pedaço da história de Nick também seja conhecido pelo leitor ao longo da narrativa.

A história principal do livro é sobre a obsessão de Gatsby: Daisy. Ela é uma prima de Nick que mora do outro lado da baía, em uma área conhecida como East Egg (também fictícia). Daisy e Gatsby foram namorados na adolescência, antes da I Guerra, mas ele era pobre e apenas um oficial raso da marinha, ainda em início de carreira, e teve de partir para lutar na Inglaterra. Depois da partida dele, ela se casa com Tom Buchanan, um homem bruto e muito rico, com quem tem uma filha, Pammy. Os dois, Tom e Daisy, tem problemas no relacionamento, já que ele tem uma amante (que ela não sabe quem é, mas que ele não esconde nada bem). Com o fim da guerra, e a descoberta do casamento de sua amada, Gatsby fica obcecado com a ideia de enriquecer, o que acaba acontecendo. O objetivo maior por trás desse enriquecimento é conquistar Daisy de volta. Ele dá festas magníficas em sua casa, todos os sábados, esperando chamar a atenção de Daisy do outro lado da baía; é em uma dessas festas que ele conhece Nick (ele manda um convite para que Nick vá à festa, já que até ali ele não tinha se aventurado a aparecer), que ele usa como ponte para se reaproximar de Daisy e reiniciar um amor que ele acredita ainda existir.

O livro é incrível! Bem escrito, naquele estilo meio louco que só o Fitzgerald parece ter, e cheio de emoções contraditórias. Dá pra notar claramente a critica feita à sociedade americana da época, e sua mania de ostentação, e os contrastes entre ricos e aspirantes à riqueza é tão grande e bem feito que chega a ser gráfico, é quase como ver um filme!

Gosto muito do Gatsby, é um excelente personagem, muito bem construído e cheio de sombras (vocês já devem saber do meu amor pelo submundo, né?). Nick, apesar de ser o narrador e um personagem de, teoricamente, pouco destaque, é, para mim, um brilho a mais! Seu sarcasmo e sua descrença naquilo que presencia mas de que se recusa a fazer parte me tocaram, e fiquei feliz com suas atitudes ao longo do livro: é um personagem coerente. Daisy é um capítulo à parte: esquiva, lobo em pele de cordeiro, não me inspirou confiança em momento nenhum, mas isso se deve ao trabalho magistral do autor: Fitzgerald queria uma bitch mais discreta, não tão direta, e foi o que ele construiu. Das personagens secundárias meu preferido é Wilson. Mas não posso dizer o motivo sem dar spoilers do que acontece.

No mais, excelente livro, super recomendado. Mas pra quem não conhece o estilo de escrita do Fitzgerald, um alerta: pode ser meio doido no início! Beijos e boa quinta feira!

Acima, trailer da adaptação que sairá em maio.