O Som e a Fúria (The Sound and the Fury) – Wiliam Faulkner

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Oi! Meio de uma semana que parece não chegar ao fim, mas eu estou tranquila. Ando pondo minhas raízes italianas pra trabalhar, aproveitando meu dolce far niente, e isso me deixa bem calma – não meu estado normal, eu diria. Como sou uma criatura de humores inconstantes, o livro de hoje me ganhou no título anos atrás, mas eu só pude lê-lo no início deste ano, último semestre da minha segunda graduação. Sinto nostalgia chegando, e é dia de “O Som e a Fúria”.

thesoundandthefury

“O ambiente da escritura de Faulkner é o sul dos Estados Unidos, escravocrata e derrotado na Guerra da Secessão. O som e a fúria narra a agonia de uma família da velha aristocracia sulista, os Compson, entre os dias 2 de julho de 1910 e 8 de abril de 1928. Um apêndice, acrescentado pelo escritor em 1946, fornece outras informações sobre a história dos Compson entre 1699 e 1945. Assim, é possível afirmar que o grande personagem desta obra-prima é o Tempo, o que lhe confere interesse universal.”

Poucas vezes na história do blog eu tive tanta dificuldade pra colocar em palavras uma explicação sobre uma obra. “O Som e a Fúria” é um livro complexo em todos os sentidos: apesar de narrar apenas alguns dias, com quatro pontos de vista distintos e digressões de pensamentos, coisa comum na literatura de hoje, Faulkner foi um dos primeiros a fazer essa mistura, e, apesar de os elementos serem comuns atualmente, o modo como as coisas são apresentadas continua a ser completamente diferente. Primeiro porque não dá pra fazer um resumo mais claro da história sem estragá-la inteira – há que se beber da fonte original, e não procurar informações que possam estragar o prazer da leitura em si. Personagens e história se misturam para formar uma narrativa diferente e cheia de segredos, dor e beleza – do tipo submundo, que eu já confessei várias vezes amar.

O que eu posso dizer sobre a obra: levanta muito mais questões do que eu esperava encontrar, apresenta personagens complexas e cheias de dores particulares, e me fez pensar, de novo, que Faulkner é um autor realmente impressionante – eu só o conhecia de textos menores, da época da faculdade. Não é um livro pra qualquer um, mas pra quem gosta é imperdível. Recomendo.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


O Fantasma da Ópera (Le Fantôme de l’Opéra) – Gaston Leroux

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Olá! Como passaram de feriado? Por causa dele descansei bastante, mas também saí da rotina e é por isso que o post de hoje está atrasado, então peço minhas desculpas. O livro de hoje é mais conhecido por suas várias adaptações para o cinema e por ter inspirado o musical mais visto na história da Broadway, sendo exibido constantemente desde sua estreia em 1986: “O Fantasma da Ópera”.

“O Fantasma da Ópera” conta a história de um triângulo amoroso que se desenrola na Ópera de Paris. Christine Daaé é uma jovem bailarina, parte do corps de ballet (corpo de baile) da ópera, mas que sonha em cantar, pois tem uma bela voz. Ela é treinada na arte da música por um professor que ela não vê e não sabe quem é, mas que ela chama de “Anjo da Música” e que acredita ser um espírito enviado pelo pai já falecido para ajudá-la a continuar seus estudos. Nesse meio tempo a Ópera está sob a responsabilidade de dois novos administradores, monsieurs Armand Moncharmim e Firman Richard, que são chantageados por um espírito que, segundo os empregados da ópera, assombra o prédio e castiga quem não obedece a seus desmandos: o Fantasma da Ópera; suas exigências são o pagamento de um salário de 20 mil francos mensais e a reserva constante do camarote nº 5. O Fantasma é, na realidade, o Anjo da Música de Christine, e está apaixonado por ela. Tramando, ele consegue que ela se apresente no lugar da diva da Ópera, Carlotta, fazendo um papel principal. Nessa apresentação o patrocinador do teatro, Visconde Raoul de Chagny, que foi o amor de infância de Christine, a reconhece. Os dois iniciam um romance, que é o gatilho para a loucura do Fantasma, que fará de tudo para separar os dois amantes e ter Christine para si.

Eu conhecia a história por ter visto a adaptação de 2004, e o espetáculo da Broadway, mas como não tinha gostado muito nem do filme nem do musical, resolvi que o livro devia ser melhor, então procurei para ler. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com uma história ainda mais dramática e melosa do que nas adaptações cênicas que já tinha visto! Como foi justamente o melodrama da história que me incomodou, o livro também não entrou no roll dos favoritos. A história é exagerada e dramática, e o livro conta com ainda mais momentos de agonia do que o filme e o musical.

As personagens, provavelmente, me deram mais nos nervos do que a história em si. Christine é tão ingênua que é enervante e Raul parece um adolescente com hormônios em ebulição; ainda dá pra desculpar o Fantasma, já que para se tornar o que é passou por alguns apertos, que não vou contar pra não dar spoilers, e o Persa, personagem que ajuda Raoul, que parece ser mais sensato que o restante da “trupe.” O que eu acho mais triste é que a sinopse da história me atraiu muito, e acho que se fosse escrita de outra forma talvez me agradasse mais. Achei o estilo do Leroux um pouco floreado demais pro meu gosto, o que também não comprou minha simpatia para o livro.

No caso do musical da Broadway eu fui assistir porque só ia poder ver um, e é o grande clássico de todos os tempos, mas ele teve vantagens que o livro e a adaptação cinematográfica não tiveram: eu adoro teatro, então ver ao vivo desculpa um bocado de coisas; além disso os efeitos são simplesmente incríveis! De repente aparece um lago! Recomendaria o musical só pela magia (mecânica) da coisa, é bem impressionante! Recomendo o livro se você tem paciência pra histórias melodramáticas, se não for o caso, procure outros, vai encontrar melhores!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!