Orange Is The New Black – Piper Kerman

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Oi! Se você não é professor(a) não deve ser capaz de apreciar o quando as férias escolares se aproximando trazem uma mistura de sentimentos: tem aquela vontade desesperada de descansar, a saudades antecipadas dos alunos mais queridos, o alívio de se ver livre de tanta papelada, e a agonia de fechar notas – um processo burocrático e cansativo. A pior parte é quando você vê algum aluno de recuperação ou pior, reprovado – ainda não me aconteceu, e espero não viver a experiência, mas não sou ingênua e sei que ela virá. -; a melhor parte é quando você vê uma turma inteira aprovada de uma vez, especialmente com notas excelentes! Pois como fechei uma turma assim hoje, escolhi um livro que é quase como a profissão de professora: retrato de uma realidade difícil e cansativa, mas também cheia de momentos de doçura. Vem ver o que eu achei de “Orange is the new Black” – que veio pro Brasil com esse título mesmo!

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“Quando era jovem, tudo o que Piper Kerman queria era viver novas experiências, conhecer pessoas diferentes e descobrir o que fazer com o diploma recém-adquirido da prestigiosa Smith College. Anos depois, com um bom emprego e prestes a se casar, ela recebe uma visita inesperada – a polícia. Piper estava sendo intimada para responder por envolvimento com o tráfico internacional de drogas. A acusação era verdadeira – recém-formada, Piper teve um caso com uma traficante glamorosa que a convenceu a levar uma maleta de dinheiro para a Europa. Sua aventura pelo submundo do crime voltou à tona no dia em que a polícia bateu à porta dela. Depois de uma dolorosa odisseia pelo sistema judiciário americano, Piper acabou condenada a quinze meses de detenção numa penitenciária feminina no meio do nada – longe dos amigos, da família e de tudo o que ela conhecia. Em ‘Orange is the new Black’, Piper apresenta casos curiosos, perturbadores, comoventes e divertidos do dia a dia no presídio. Cercada de criminosas, logo percebe que aquelas mulheres são muito mais complexas do que ela imaginava. Ao mesmo tempo que aprende a conviver com regras arbitrárias e um rigoroso código de conduta, Piper revela as alegrias e angústias das presidiárias e analisa a crueldade com que o sistema carcerário as desumaniza e faz com que sejam invisíveis ao mundo exterior.”

Eu cheguei a este livro como a maioria das outras pessoas que o leu: através da série do netflix! Comecei a assistir à série quando a segunda temporada já estava para estrear, e, no primeiro episódio, pensei: “ah, legal. Mas não é tudo isso. Vamos ver o segundo.”. Quando eu vi já eram 3 da manhã e eu tinha quase acabado a temporada. Devorei a segunda temporada na mesma fome, e quis conhecer mais a história da Piper de verdade, e isso deve ter sido na altura em que botei minhas mãos no livro. Pra quem acha, no entanto, que lendo o livro vai ver ter spoilers do que vem por aí na série, não se preocupe: são duas obras tão independentes que quase não se tocam.

É que a Piper de verdade escreveu sobre as experiências dela na prisão e os roteiristas da série usaram o material para criar algo um tanto mais fantástico, com mais potencial narrativo. Digamos que a introspecção da autora não seria exatamente material para um seriado tão empolgante como a série. O livro é mais parado e mais calmo, mas isso não quer dizer que seja ruim! Pelo contrário, aliás: o realismo com que as coisas são narradas, sem um monte de firulas para aumentar o suspense fazem com que conhecer a realidade das prisões norte-americanas seja ainda mais interessante. Gostei muito de conhecer as histórias daquelas mulheres e de ver mais gente percebendo, no mundo todo, o quanto o submundo ensina. Eu e minhas paixões absurdas… nem preciso dizer que recomendo o livro, né? Mas já aviso: não é pra todo mundo!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


O Diário de Anne Frank (Het Achterhuis) – Anne Frank

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Oi! Mais uma semana começando, e eu prometo que teremos compensação pela resenha perdida semana passada, quando o blog precisou passar por manutenção. Hoje é dia de mais um livro lido no primeiro semestre deste ano, parte do Desafio da Rory e de uma promessa feita pra mim mesma há anos. É dia de “O Diário de Anne Frank”.

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“12 de junho de 1942 – 1º de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. A força da narrativa de Anne, com impressionantes relatos das atrocidades e horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento. Seu diário já foi traduzido para 67 línguas, e é um dos livros mais lidos do mundo. Ele destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento. Um retrato da menina por trás do mito.”

Eu já queria ler este livro há anos, mas histórias passadas em Guerras, especialmente a Segunda Guerra Mundial, sempre me deixam muito pra baixo, e eu ficava adiando. Só que eu queria muito conhecer essa menina, que mereceu tantas homenagens e que viveu um horror tão grande, pra tentar entender como era a vida dos refugiados, dos que se escondiam e dos que não conseguiam escapar. Não houve janela maior para essa triste situação do que este livro, que é uma história real, e que mostra tudo de acordo com os olhos de uma menina criada por uma família amorosa mas não sem defeitos ou problemas. Como passei a tentar cumprir o Desafio da Rory e vi que o livro figurava a lista, foi a oportunidade perfeita para deixar o medo de lado e finalmente conhecer a história que eu tanto temia ler.

Não há que se falar de personagens, já que são pessoas reais; não há que se falar de uma história, já que tudo ali aconteceu, o que dá pra dizer é que Anne, apesar de muito jovem, escreve muito bem e parece uma menina dedicada e sensível, ainda que seja óbvio que sofre das dificuldades que passam todas as adolescentes do mundo: sentimento de inadequação, disputa e vontade de se encaixar, que são ainda mais complicados de lidar quando se está presa em um anexo secreto, convivendo 24 horas por dia com as mesmas pessoas e sem ter direito a privacidade. Mesmo com todas as dificuldades que passa, e essas não são poucas, achei que Anne é corajosa e muito doce, até. Fiquei tocada e emocionada com essa menininha que cresceu mais do que devia e antes da hora, e que teve um fim tão triste. É um livro muito bonito, mas se você, como eu, for dado a ataques de melancolia, pode sentir uma pontinha de dor no coração quando a narração for interrompida. Ainda assim, recomendo: acho que é o tipo de livro que todo mundo deveria ler!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


A Sangue Frio (In Cold Blood) – Truman Capote

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Oi! Começa mais uma semana e dou continuidade às resenhas dos livros lidos no primeiro semestre deste ano. “A Sangue Frio” (ou “In Cold Blood”, no original, que foi o que eu li), faz parte do roll dos clássicos da literatura, então não é surpresa que esteja no Desafio da Rory. Era para eu ter lido no ano passado, mas por um motivo ou outro, não deu. Remediei essa situação esse ano, e aqui estão minhas impressões sobre ele.

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“Com o objetivo de fazer uma reportagem sobre o assassinato do casal Clutter e seus dois filhos, ocorrido em 1959 na cidade de Holcomb, nos Kansas, Estados Unidos, Truman Capote passou mais de um ano na região, entrevistando os moradores e investigando as circuntâncias do crime. Sem gravador ou bloco de notas, munido apenas de sua prodigiosa memória e de um talento excepcional para observar detalhes, escrafunchar informações e, sobretudo, contar uma boa história, Capote produziu um clássico do jornalista literário.”

Eu queria ler esse livro há anos. Não sei, aliás, o motivo de não o ter feito, mas este ano foi a vez dele, e não me arrependi da minha escolha. Isso dito, é bom destacar que esse livro é classificado como um romance de não-ficção, ou ainda como um relato jornalístico. A verdade é que uma história real foi usada como base para a escrita – o assassinato da família Clutter realmente aconteceu – mas que Capote pode não ter sido totalmente fiel em sua escrita; explico: Capote fez sua pesquisa, como diz a própria sinopse oficial, sem usar nada para registrar o que ouvia de suas fontes, além de ter dado insights e detalhes sobre os pensamentos de suas personagens que só podem ter sido, no mínimo, fantasiados ou imaginados, já que não dá pra saber o que uma das vítimas, por exemplo, pensou ou deixou de pensar no dia fatídico. Existem várias matérias que indicam que essa minha teoria é verdadeira mesmo, então fiquei me sentindo menos maluca por pensar dessa forma.

Não acho que seja o caso de analisar as personagens, afinal são pessoas reais com os toques de fantasia dados a elas por Capote. Quero, então, falar um pouco do próprio autor. Depois de ler o livro, resolvi procurar um pouco sobre como Capote tinha escrito o livro (existe até um filme falando desse processo, mas eu ainda não o assisti), e percebi que ele ficou estranhamente próximo de um dos assassinos, Perry Smith, e muitos sugeriram que a aproximação dos dois levou a uma relação que não era estritamente de amizade. Talvez nunca saibamos a verdade sobre todas as contradições envolvidas na escrita deste livro, mas a verdade é que nenhuma delas tira nem o mérito nem o interesse da história. “A Sangue Frio” é excelente: muito bem escrito e tão interessante que é impossível largar sem antes conhecer o final – ainda que dê pra saber com uma simples pesquisa o que aconteceu. Recomendo muito!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


A Vida Imortal de Henrietta Lacks (The Immortal Life of Henrietta Lacks) – Rebecca Skloot

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Oi! Começou julho, o ano está oficialmente na metade, e agora começaremos as resenhas dos livros lidos na primeira metade de 2015. Pra hoje escolhi um que me foi recomendado há anos e que eu sempre enrolei pra ler, por um motivo ou outro, mas que finalmente tive a chance de conhecer. É dia de “A Vida Imortal de Henrietta Lacks”.

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“Henrietta Lacks era descendente de escravos e nasceu em 1920, numa fazenda de tabaco no interior da Virgínia. Aos trinta anos, casada e mãe de cinco filhos, Henrietta descobriu que tinha câncer. Em poucos meses, um tumor no colo do útero se espalhou por seu corpo. Ela se tratou no Hospital Johns Hopkins, e veio a falecer em 1951. No hospital, uma amostra do colo do útero de Henrietta havia sido extraída sem o seu conhecimento, e fornecida à equipe de George Gey. Gey demonstrou que as células cancerígenas desse tecido possuíam uma característica até então inédita – mesmo fora do corpo de Henrietta, multiplicavam-se num curto intervalo, tornando-se virtualmente imortais num meio de cultura adequado. Por causa disso, as células ‘HeLa’, logo começaram a ser utilizadas nas pesquisas em universidades e centros de tecnologia. Como resultado, a vacina contra a poliomielite e contra o vírus HPV, vários medicamentos para o tratamento de câncer, de AIDS e do mal de Parkinson, por exemplo, foram obtidos com a linhagem ‘HeLa’. Apesar disso, os responsáveis jamais deram informações adequadas à família da doadora e tampouco ofereceram qualquer compensação moral ou financeira pela massiva utilização das células. ‘A vida imortal de Henrietta Lacks’ reconstitui a vida e a morte desta injustiçada personagem da história da medicina.”

Esse livro me foi recomendado por uma amiga querida, a Cynthia. Nós nos conhecemos no curso de italiano, e ela é aquele tipo de pessoa que faz jus ao ditado “cerque-se de pessoas melhores que você”: além de ter um coração enorme e cheio de coisas boas, é tão inteligente que me dá medo. Como é doutora em microbiologia, ela leu este livro e me disse que eu gostaria. Demorei a conseguir acesso a ele, mas por fim o fiz e cá estou para falar de uma história que me emocionou muito.

Primeiro é importante lembrar que é uma história real, então não há uma romantização das situações que aconteceram: todo o abuso que a família de Henrietta viveu, todo o mau uso das células dela e a má fé dos médicos que a trataram é retratada, além de ser traçado um panorama muito interessante das lutas e mudanças judiciais relativas às doações e usos médicos de partes do corpo. Debates éticos, decisões judiciais e as opiniões de várias pessoas estão recolhidas no livro, e é um tanto assustador ver como essas células influenciam nas nossas vidas e nós nem nos damos conta. Um outro ponto muito importante (e interessante) abordado no livro é, logicamente, a luta racial: Henrietta recebeu o tratamento que recebeu por ter sido uma mulher negra, ou seja, mandada para outro hospital, onde os tratamentos eram diferentes e os procedimentos ainda menos humanos do que seria comum num hospital da época.

Não é um livro fácil, mas é simples. A escrita é compreensível e a narrativa é tão bem amarrada que até quem não entende nada de biologia vai poder compreender o que a autora está argumentando e mostrando. Gostei muito da experiência e de tudo que aprendi com esse livro e essa autora. Não esperava nada diferente de uma recomendação da Cynthia! Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


Comer, Rezar, Amar (Eat, Pray, Love) – Elizabeth Gilbert

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Oi! Já devo ter mencionado várias vezes que tudo que remete a Itália me atrai. Não foi diferente quando o filme inspirado neste livro foi lançado: tratei de assistir, só pra poder ver o país dos meus sonhos (naquela época era só sonho mesmo). Achei a história ok, até legalzinha, e resolvi que ia ler o livro. Foi uma grata surpresa. Hoje é dia de “Comer, Rezar, Amar”.

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“Quando completou 30 anos, Elizabeth Gilbert tinha tudo que uma mulher americana moderna, bem-educada e ambiciosa deveria querer: um marido, uma casa de campo, uma carreira de sucesso. Mas não se sentia feliz: acabou pedindo divórcio e caindo em depressão. “Comer, Rezar, Amar” é o relato da autora sobre o ano que passou viajando ao redor do mundo em busca de sua recuperação pessoal, indo para a Itália para comer, para a Índia para rezar e para a Indonésia para aprender a amar.”

Parece livro de auto-ajuda, né? Tem mesmo uma pitadinha disso, subliminarmente, mas a verdade é que a intenção da autora foi dividir uma jornada de auto-descobrimento que ela não esperava que fosse levá-la até onde levou. Como é uma história “real” (as aspas vêm porque não dá pra saber o quanto da narrativa aconteceu de verdade e quanto é romanceada pela autora) não dá pra falar de personagens no sentido mais tradicional. Vou dizer, então, que as pessoas que Liz encontra em sua jornada sabem ser muito fascinantes, e que eu gostei de ver tanta gente excêntrica que a ajuda a se colocar de volta no eixo.

A questão principal aqui é que Liz realmente tinha tudo, mas se sentia vazia, e passa a se questionar se aquele tudo era mesmo “tudo”. Para ela não era, e aí é que começa essa jornada para se descobrir. Achei interessante ver que ela primeiro procurou sarar o corpo: ir para a Itália é uma excelente forma de ganhar de volta aquele peso que você perdeu por chorar demais por alguma coisa e não querer comer. E lá ela aprende italiano, faz amigos e conhece novos lugares, começando a busca por si mesma. Na Índia ela dá continuidade aos estudos de yoga que já fazia nos EUA, mas que agora se tornam parte de sua rotina e que a ajudam a sarar a mente. Na Indonésia o que ela espera encontrar é ligeiramente diferente do que ela encontra, mas tudo a faz crescer.

O grande atrativo do livro, para mim, foi essa jornada de auto descobrimento: adorei ver Liz procurando por si e dando prioridade para si mesma, procurando descobrir o que a faz feliz para não mergulhar em um relacionamento esperando ser completada. Acho que todos precisamos fazer isso em algum momento da vida, e talvez a história dela sirva de inspiração. Eu sempre digo “toda forma de auto-conhecimento é válida”, e acho que, ainda que esse livro não seja a melhor coisa que eu li na vida, pode ajudar. Recomendo.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!