Joana, a Louca (That Other Juana (Juana la Loca)) – Linda Carlino

Posted on

Oi! É quarta e eu estou exausta. O fim do semestre, para mim, é um grande bloco de dias, cheio de aulas finais para planejar e ministrar, provas e trabalhos para corrigir e diários para preencher e entregar. Vida de professora não é fácil, senhoras e senhores. Ainda assim, não consigo deixar de pensar em todas as coisas maravilhosas que estão vindo com o fim deste ano, e acabo por sair do mar de cansaço e colocar a cabeça acima da superfície com cada coisa boa que acontece. O livro de hoje combina com o meu humor estranho e flutuante, então vamos a ele. É dia de “Joana, a Louca”.

joanaalouca

“Espanha, século 16. Traída pelo marido, pelo pai e pelo filho, ela ousou desafiar um império e a Igreja para ser coroada rainha. Uma história de audácia e bravura, fascinante como poucas. O livro narra a saga de uma das personagens mais fascinantes da história europeia dos séculos 15 e 16. Filha dos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, Joana é oferecida em casamento a Felipe, o Belo, sacramentando uma aliança política com os poderosos Habsburgo da Áustria. Com a morte da mãe, torna-se rainha de Castela, mas nunca reinou de fato. Joana é traída sucessivamente por aqueles que mais amou. Alijada do poder, primeiro pelo marido, Felipe, em seguida pelo pai, Fernando, e até pelo próprio filho, que se tornaria o poderoso imperador Carlos V, acaba confinada em um castelo em Tordesilhas, onde passou a maior parte de sua vida. No entanto, jamais se resignou, e não mediu esforços para resistir às traições que lhe foram impostas, lutando contra os poderosos e até contra a Igreja – o que lhe valeu o epíteto de “Louca”.”

Eu ganhei este livro num desapego de uma prima, e ele foi emprestado duas vezes antes de finalmente voltar para as minhas mãos para que eu o lesse. A essa altura eu já estava bem curiosa para ler a história da irmã de Catarina de Aragão, que eu já tinha conhecido através de outra autora (que pretendo resenhar no ano que vem, já que escreveu sobre várias personagens do reinado Tudor), e peguei o livro ansiosa. Que decepção.

A narrativa é forçada e chega a ser truncada em alguns momentos, e me peguei realmente agoniada com como aquela história estava sendo contada. Considerando-se que o romance conta uma história verdadeira, era de se esperar que os fatos não parecessem tão artificiais, mas não foi o que aconteceu: em diversos momentos, senti como se tudo aquilo fosse fruto da imaginação fértil e problemática da autora! Uma história real não deveria causar essa sensação em seus leitores, pelo menos na minha opinião. As personagens, coitadas, me inspiraram, em turnos, raiva, nojo, desprezo e pena. Foi difícil sentir empatia por Joana e seus problemas, especialmente porque o espaçamento entre uma desgraça e outra – a pobre teve várias em sua vida – foi muito mal feito, e o livro parece curto para tantos conflitos e problemas – o que realmente é. Apesar de isso ser um problema para a narrativa, pelo menos encerrou meu sofrimento mais cedo, já que eu realmente não gostei de nada ali. Este é um daqueles livros que eu não recomendo de jeito nenhum – tem jeitos melhores de apreciar a ficção histórica!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Garota, Interrompida (Girl, Interrupted) – Susanna Kaysen

Posted on

Oi! Não teve resenha na segunda porque era feriado, e eu estava aproveitando pra descansar. Hoje voltei ao trabalho e à vida normal, então aqui estou com a resenha do dia. Escolhi um livro complexo, de emoções e personagens complicadas, que casa bem com meu atual estado de nervos: ando agoniada com a proximidade do meu aniversário, o que parece ter virado tendência nos últimos anos, então acho que o livro vai servir bem. É dia de “Garota, Interrompida”.

garota-interrompida

“Quando a realidade torna-se brutal demais para uma garota de 18 anos, ela é hospitalizada. O ano é 1967 e a realidade é brutal para muitas pessoas. Mesmo assim poucas são consideradas loucas e trancadas por se recusarem a seguir padrões e encarar a realidade. Susanna Keysen era uma delas. Sua lucidez e percepção do mundo à sua volta era logo que seus pais, amigos e professores não entendiam. E sua vida transformou-se ao colocar os pés pela primeira vez no hospital psiquiátrico McLean, onde, nos dois anos seguintes, Susanna precisou encontrar um novo foco, uma nova interpretação de mundo, um contato com ela mesma. Corpo e mente, em processo de busca, trancada com outras garotas de sua idade. Garotas marcadas pela sociedade, excluídas, consideradas insanas, doentes e descartadas logo no início da vida adulta. Polly, Georgina, Daisy e Lisa. Estão todas ali. O que é sanidade? Garotas interrompidas.”

Peguei esse livro pra ler por vários motivos: o primeiro é que eu queria ver o filme há anos, mas tinha preguiça de começar (é, tenho dessas coisas), e achei melhor ler o livro antes; o segundo é que ele faz parte do desafio da Rory, o que era um incentivo; o terceiro, e mais importante, é que simplesmente me deu vontade um dia. Acordei e resolvi que queria ler o livro, fui atrás dele e o li. Cá estou, agora, pra contar o que achei dele.

A história contada no livro é a história da própria autora, o que significa que não dá pra saber até que ponto estamos lendo um relato real e até que ponto tudo está sendo romanceado. O que eu sei com certeza é que não é uma história fácil de ler. Não por causa da narrativa, que é tranquila, mas por causa do assunto, que pode ser pesado e bem triste, a depender do estado de espírito em que se está. No meu caso foi tranquilo porque quando eu li o livro estava super bem e a única coisa que não consegui parar de pensar foi que boa parte da “doença” de Susanna nada mais era do que uma fase de sua vida. Não sou psicóloga, mas pelo que a própria autora fala no final do livro (e não, isto não é um spoiler) a condição dela já mudou de nome várias vezes, e acho que nem se classifica mais como doença ou como distúrbio do tipo incurável. Me parece mais que, como não sabiam lidar com o fato de que ela não se adaptava à sociedade, resolveram trancá-la. Acho que isso ainda deve acontecer bastante, na realidade, mas talvez seja um assunto muito profundo para que uma leiga como eu discuta assim tão livremente, então só vou dizer que, todas as características acima mencionadas somadas às personagens, que são muito boas, formaram um livro ótimo, mas não tão cheio de ação como o filme faz parecer que é. Leiam e vejam e vão me entender – e voltem pra contar se concordam! Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!