O Canto da Sereia – Nelson Motta

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Oi! Quem não é de Brasília nunca entende meu mau humor e sofrimento nos meses de agosto e setembro, mas ele tem uma explicação simples: o calor e a seca me deixam muito indisposta, assim como a maioria dos brasilienses. Como gostaria de poder passar meus dias inteiros debaixo de um ar condicionado programado pra 10 graus, escolhi hoje um livro que também se passa num calorão – o da Bahia! É dia de “O Canto da Sereia”!

sereia

Esqueça os detetives de outrora, que circulam por ruelas escuras e frias, envoltos em trajes soturnos e enigmáticos. O investigador baiano Agostinho Matoso, o insaciável Augustão, prefere calças brancas e camisas floridas, frequenta os ensaios do Olodum e nunca enfrentará questões de magnitude com a cara limpa – um cerveja gelada, por favor, uma rede, quem sabe um baseado, Miles Davis e Jorge Benjor, porque há que se matutar, e muito para decifrar o crime que paralisou a cidade. Nunca se viu nada parecido na Bahia. O assassinato da musa do carnaval em plena terça-feira gorda, eletrizou Salvador – quem teria motivos para matar a linda Sereia, que aos 22 anos se tornara uma estrela exuberante do pop nacional? A princípio ninguém, mas a lei do suspense clássico também vigora neste noir baiano: incluindo o mordomo, são todos suspeitos. Plugado no computador, seu bom e velho Macintosh, Augustão vai rastrear a vida dos principais envolvidos nesta trama insólita. Os criadores de Sereia, seus produtores artísticos, a fiel empresária, o chefe político local, a mãe-de-santo mais poderosa da Bahia – a vida de cada um será vasculhada pelo sagaz investigador, capaz de cometer deliciosas irresponsabilidades para atingir seus objetivos.

Como a maioria das pessoas, eu conheci a história do Nelson Motta por causa da minissérie da globo, que eu assisti no youtube. Fiquei interessada na premissa, e o fato de ter sido baseada em um livro foi o maior atrativo. Assisti à série, achei ok, bem razoável, e resolvi comprar o livro. Comprei e li numa tarde de domingo no início do ano, e agora já posso dizer o que achei.

A história é super fácil de ler, tanto que você lê o livro numa sentada e nem percebe. É uma investigação, conduzida pelo Augustão, de certa forma o protagonista da história, que investiga a morte da Sereia porque sente que a investigação oficial não está evoluindo. Ele acaba por saber quem foi o culpado, que é diferente do da série de TV, e prova para o leitor que, apesar do seu jeito meio esquisitão é competente como detetive.

As personagens são boas: Augustão é irreverente e divertido, Mara, a empresária da cantora, é durona e decidida, Paulinho, o produtor que a descobriu e ex-namorado, é um idiota, mas um idiota legal e Mãe Marina (é, temos uma Marina aqui!) é uma mãe de santo muito da misteriosa, mas de quem acabei por gostar. Não são as melhores personagens do mundo, bem podiam ter sido aprofundadas, e senti falta de ver um pouco da própria Sereia em ação, já que só se escuta falar dela através de outras pessoas, mas no geral é um conjunto bem razoável. Não é o melhor livro que eu li na vida, certamente não o melhor romance policial, mas é bem divertido e eu recomendo!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Fortaleza Digital (Digital Fortress) – Dan Brown

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Oi! Comecei a semana extremamente estressada, o que não é coisa boa, logicamente. Como não estou no melhor dos humores, escolhi resenhar o único livro do Dan Brown que achei interessante, e que ainda assim não é a melhor coisa que eu li na vida. Vamos de “Fortaleza Digital”.

Quando o supercomputador da NSA (Agência de Segurança Nacional), até então considerado uma arma invencível para decodificar mensagens terroristas transmitidas pela Internet, se depara com um novo código que não pode ser quebrado, a agência recorre à sua mais brilhante criptógrafa, a bela matemática Susan Fletcher. Presa numa teia de segredos e mentiras, sem saber em quem confiar, Susan precisa encontrar a chave do engenhoso código para evitar o maior desastre da história da inteligência americana e para salvar a sua vida e a do homem que ama. Uma corrida desesperada se desenrola paralelamente nos corredores do submundo do poder, nos arranha-céus de Tóquio e nas ruas de Sevilha. É uma batalha de vida ou morte que pode mudar para sempre o equilíbrio de forças no mundo.

Esse foi o segundo ou terceiro livro do Dan Brown que eu li – o único que não li até agora foi “Inferno”, que vou acabar por ler só pra ver as descrições da minha amada Firenze -, e acabei por gostar bastante da história, o que me surpreendeu.

A narrativa é como todas as do Dan Brown: narrador em terceira pessoa, perspectiva de várias pessoas, cortando pra outro narrador nos momentos de clímax e com uma investigação que envolve segredos de Estado/segurança nacional. Brown é um dos vários escritores que seguem uma fórmula de escrita. Não estou dizendo que isso o desmerece, apenas que, no caso da narrativa dele, eu não me interesso tanto. Esse livro tem a vantagem de ter uma investigação super interessante, e isso prendeu minha atenção o tempo todo.

As personagens talvez tenham ajudado, ainda que parte das histórias delas sejam inverossímeis em diversos momentos. Gostei de Susan, que, ainda sendo ingênua quando se trata de seus supostos atrativos, é inteligentíssima, e uma criptógrafa excelente. Seu noivo é uma graça também, mas um pouco irritante com aquela bobagem que alguns homens têm de sentir que são inferiores por ganharem menos que as companheiras. Essa vaidade o leva a ter problemas, então respeito essa frescura ainda menos.

No mais, o livro é bem legalzinho. Considerando-se que os livros do Brown não têm nada de muito especiais, esse é até bem razoável. Recomendo pra quem quer passar o tempo e curtiu “O Código Da Vinci”, já que segue a mesma linha.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


O Vendedor de Armas (The Gun Seller) – Hugh Laurie

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Oi! Nem acredito que já estamos no meio da semana e no meio de abril! Onde é que está indo parar o ano? Meu alívio é saber que sexta feira é feriado e que amanhã não tenho aulas, aí posso colocar a vida em dia. Aliás, falando em feriado, eu resolvi me dar uma folga, então esta semana não teremos resenha de compensação de fevereiro. Não se preocupem, ela vai ser feita, só não agora. Para hoje escolhi um livro que esperei muito para ler – e que valeu a ansiedade da espera. Vamos de “O Vendedor de Armas”.

“Quando Thomas Lang, ex-militar de elite recebe uma proposta de 100 mil dólares para assassinar um empresário norte-americano, ele decide, imediatamente, alertar a suposta vítima – uma boa ação que não ficará impune.Em questão de horas Lang terá de se defender com uma estátua de Buda, jogar cartas com bilionários impiedosos e colocar sua vida (entre outras coisas) nas mãos de muitas mulheres fatais, enquanto tenta salvar uma linda moça e impedir um banho de sangue mundial.”

Vou admitir que queria ler esse livro por ser fã do Laurie. Adorava seu trabalho como House, adoro sua música, e pensei comigo mesma que era bem capaz de adorar seu livro. Não estava errada, felizmente.

A história é uma investigação bem eletrizante, até parece um filme de ação em alguns momentos. Pode ser que a conspiração militar e suas consequências pareçam ligeiramente fantásticas, mas ainda assim são críveis, então o livro prende bem a atenção. Como é uma história cheia de detalhes e personagens, além de pequena (o livro é fino, tem só 288 páginas), pode ser meio confusa para alguns. Vale uma leitura mais calma no início para quem não está acostumado com uma narrativa de ritmo mais frenético.

As personagens têm um quê de House, de Mr. Palmer, do cara-no-avião. Pra quem acompanha o trabalho dele, logo dá pra perceber que ele leva um pouco de cada personagem para a narrativa, então é fácil gostar das personagens. O protagonista, Thomas Lang, foi minha personagem preferida, pois não é a sabedoria universal personificada, e podemos ver sua confusão – e sua genialidade – em vários momentos. Gostei muito de Ronnie também, mas não dá pra dizer o motivo sem contar parte da história, então vou deixar só assim.

No mais, a história é boa, rápida e dinâmica. Recomendaria pra quem gosta de investigações e/ou filmes de ação cheios de reviravoltas e surpresas. É uma história que vale a pena, e só complementa seu autor como um artista completo.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana e bom feriado para todos e até a próxima!


Sr. e Sra. Smith (Mr. and Mrs. Smith) – Cathy East Dubowski

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Oi! Agora que o carnaval finalmente acabou posso resolver todos os problemas pendentes pós-viagem, e estou animada. Para me manter no espírito, resolvi resenhar um livro divertido, que me fez rir bastante. Hoje é dia de conhecer melhor os Smith.

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“Jane Smith é charmosa, sexy, bem sucedida e inteligente, uma rara combinação de deusa doméstica e empresária experiente. John Smith é rico, ousado, atlético e inteligente, um cara que bebe seu uísque da mesma maneira como subiu ao topo dos negócios de construção: straight up. Apesar de parecerem ser o par ideal, a centelha desapareceu do casamento. Isto é, até que eles ganham sessões gratuitas com um terapeuta de casais. O que eles mantêm escondido de seu terapeuta e um do outro, eles confiam nos diários que devem escrever: Jane e John Smith são, na verdade, assassinos de aluguel que trabalham para organizações rivais – e seus próximos alvos são… um ao outro! E assim começa o tipo de jogo de gato-e-rato que os atraiu em primeiro lugar – uma roleta russa que ou os levará a uma paixão com a qual a maioria dos casais só pode sonhar… ou a assassinato a sangue frio.”

Eu li esse livro há pouco tempo, entre 2011 e 2012, se não me engano, e tinha visto o filme quando foi lançado, então fiquei bem curiosa para descobrir se o filme tinha originado o livro (como foi o caso de Penelope), ou se tinha sido da forma mais tradicional, com o livro inspirando o filme. Minhas pesquisas até o momento se mostraram inconclusivas para essa descoberta – sempre quis dizer isso! – então vou dizer apenas que, seja como for, uma obra é muito parecida com a outra.

O livro é contado sob o ponto de vista de Jane e de John, alternadamente. Eles narram suas aventuras nos diários que devem escrever por sugestão do terapeuta, e, à medida em que escrevem, vão se soltando mais e mais, e acabam por revelar mais seus segredos – e é aí que seus verdadeiros empregos aparecem. No começo do livro eles também narram uma pequena parte no escritório do terapeuta, e ali parecem desconfortáveis e perdidos – um contraste interessante com a narração do diário. Esse tipo de narração, como eu já disse várias vezes por aqui, é um dos meus preferidos, e achei que ficou bem interessante no livro, já que além de serem dois pontos de vista, são dois diários diferentes, e não me lembro de já ter lido algo assim antes. Diários são submundos pessoais, já que neles, teoricamente, você desnuda a alma, e eu adorei ver dois de uma vez.

As personagens são até bem boas, mas não têm nada de fantástico. Gostei do casal principal e achei que o relacionamento dos dois é bem divertido. Como se completam bastante, gostei muito dos resultados trazidos pelas interações deles, mas o que tem de mais incrível termina por aí. As personagens secundárias e os amigos dos dois são bem sem graça; acabei por não me interessar por nenhum em particular para poder destacar aqui.

No geral o livro é divertido e leve. É pequeno, então é uma boa leitura rápida para se distrair, mas obviamente não é nada edificante ou a melhor coisa que alguém vai ler na vida.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos e até a próxima!

P.S.: não se esqueçam que teremos três resenhas por semana até eu compensar todas as resenhas não-feitas de fevereiro!