Morte de Tinta (Tintentod) – Cornelia Funke

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Oi! Já ia pedir desculpas pela falta de resenha na quarta da semana passada, mas me dei conta que, pelo menos por algumas semanas, vai ter que ser assim: uma resenha por semana até eu me organizar melhor! É que com o fim do semestre se aproximando, meu trabalho aumenta – vida de professora… – e eu preciso dar prioridade a ele. Vocês entendem, né? Pra hoje temos conclusão de uma trilogia incrível, que me conquistou no fim da adolescência e início da vida adulta: é dia de “Morte de Tinta”.

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Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“Nesse universo, um “língua encantada” é alguém que, ao ler uma história em voz alta, tem o poder de trazer o mundo dos livros para a realidade, assim como viajar ele mesmo, e levar quem estiver por perto, para o mundo fantástico da palavra escrita. É o que aconteceu com Mo, um encadernador de livros, e sua família, quando um dia, ao ler em voz alta seu livro favorito – Coração De Tinta -, ele manda a mulher para o mundo da ficção, trazendo em seu lugar alguns vilões da trama. Mo e sua filha Meggie acabaram transitando entre essa fronteira; viveram um bocado de aventuras nessas viagens e conheceram milhares de personagens incríveis – muitos deles malvados até a alma. Desta vez, com a ajuda de Dedo Empoeirado, Farid, Resa e Violante, Mo enfrenta o mais terrível de todos os vilões, o Cabeça de Víbora, numa batalha final, de vida ou morte. Mas, antes dela, personagens já conhecidos dos livros anteriores vivem suas aventuras. Fenoglio, o autor de Coração de tinta, tem que combater Orfeu, plagiador que se utiliza de passagens de seu livro para reescrever e manipular a história. Meggie, ao se apaixonar por Farid, se depara com as alegrias e decepções do primeiro amor. Resa, mãe de Meggie, traz em seu ventre um novo herdeiro. E Mortimer, nosso herói, que no Mundo de Tinta assume a personalidade do Gaio, espécie de Robin Hood, tem que lutar contra o próprio personagem que interpreta, já que pouco a pouco começa a se confundir com ele e a se esquecer de quem é no mundo real.”

Na resenha anterior, eu contei que comprei “Sangue de Tinta” para a minha irmã como presente de aniversário, em outubro. Pois bem. Quando eu comprei o segundo livro para ela, o terceiro, objeto da resenha de hoje, já tinha sido lançado no Brasil, e eu tratei de aproveitar o natal para dá-lo de presente para ela (pouco interesseira, né?). Talvez eu não tenha mencionado, no entanto, que enquanto eu devoro 500 páginas numa manhã com facilidade, o mesmo não pode ser dito das pessoas aqui em casa, Camila inclusa. Ela lê na velocidade de uma pessoa normal, o que, pra mim, parece bem lento. Ela me proibiu de pegar o livro até que terminasse de ler, e eu obedeci comportada por algumas semanas… até ver que não ia aguentar de ansiedade, e começar a ler escondida, quando ela não estava em casa. Quando dei por mim, já tinha terminado a leitura… fazer o que, né?

Neste último volume da trilogia, Mo, Resa, Meggie, Farid, Dedo Empoeirado e companhia estão em problemas cada vez maiores, já que o Gaio, a personalidade meio “Robin Hood” criada por Fenoglio está dominando os pensamentos dos habitantes do Mundo de Tinta, que querem ser salvos de seus governantes cruéis, o que faz com que Mo se sinta obrigado a realmente viver o papel – e começar a se perder nele. As coisas vão de mal a pior em cada pequeno núcleo da narrativa, trazendo um final emocionante e cheio de ação para a história. Aliás esse foi um dos motivos para o livro ser criticado duramente em reviews internacionais: muitos disseram que a autora se perdeu ao mudar seu foco para um público mais adolescente, ao contrário do infantil que ela tinha cultivado nos volumes anteriores, mas eu achei que a transição foi bem natural, já que a própria Meggie cresceu e tem outros pensamentos em mente – só gostaria mesmo que ela não tivesse apenas se divido entre dois interesses amorosos, e sim continuado “brigona” como antes. Ainda assim, “Morte de Tinta” é um livro excelente, que conclui muito bem a trilogia! Recomendo muito!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!

Mundo de Tinta:

01- Coração de Tinta

02- Sangue de Tinta

03- Morte de Tinta


Sangue de Tinta (Tintenblut) – Cornelia Funke

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Oi! É segunda de novo e eu nem aproveitei meu fim de semana, desta vez. Estava de atestado na sexta e no sábado e acabei por não aproveitar pra fazer coisas divertidas. Considerando-se a maré ruim que estou esse foi só mais um dos problemas que apareceram, mas tudo bem. Passa e eu tenho gente muito incrível ao meu lado pra compensar o que vem de ruim, e, além disso, tenho um novo mantra: “algo bom sairá disso”. Pra manter meu humor esperançoso em tempos difíceis, continuo com a trilogia “Mundo de Tinta” com o segundo volume da série: é dia de “Sangue de Tinta”.

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Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“”Sangue De Tinta” dá seguimento à aventura de Meggie e seu pai, Mo, um encadernador de livros que tem o estranho dom de dar vida às palavras dos livros que lê em voz alta, fazendo seres das histórias surgirem à sua frente como que por mágica. No primeiro volume da trilogia “Mundo De Tinta”, a língua encantada de Mo traz à vida alguns personagens de um livro chamado “Coração De Tinta”, e acaba mandando para dentro da trama a mãe da menina. Agora, neste segundo episódio, Meggie dá um jeito de entrar ela mesma no mundo fictício de Coração de tinta, onde tem o prazer de encontrar fadas, príncipes e saltimbancos que dançam com o fogo; e o sofrimento de acompanhar as artimanhas de vilões cruéis e sem misericórdia. Uma jornada sombria, repleta de fantasia e aventura.”

O primeiro livro desta série apareceu aqui em casa como um presente para a minha irmã, dado pela minha mãe. Depois de muito implorar, consegui o livro emprestado e o devorei… só pra descobrir que ele era parte de uma trilogia e que eu teria que ler os próximos para saber o que acontecia. Corta para outubro, mês em que eu e a Camila (minha irmã) fazemos aniversário. Resolvi que o presente dela seria “Sangue de Tinta”, assim eu finalmente poderia ler – eu sempre dava livros de presente para ela, então foi juntar o útil ao agradável. Foi mais uma luta para que ela me emprestasse o livro para ler mas acabei conseguindo.

Neste segundo volume da história, Meggie vai parar dentro do livro, junto com seu pai, sua mãe, Farid e Dedo Empeirado, cada um mandado ali para dentro por um motivo diverso, mas todos sofrendo nas mãos de vários inimigos e tendo de se adaptar a um reino e um mundo completamente diferentes do que conhecem. Pra piorar um pouco, como Fenoglio está vivendo dentro do livro desde os acontecimentos do ano anterior, um ano atrás, ele acabou por alterar e acrescentar coisas na história que fazem com que as vidas de Meggie e companhia fiquem ainda mais complicadas, e os vozes de prata vão ter de usar suas habilidades para salvarem aos que amam.

Eu achei essa continuação muito boa! Me deu uma vontade grande de ir pro Mundo de Tinta e morar lá, ainda que não pareça o lugar mais confortável do mundo para uma pessoa tão acostumada com o mundo moderno como eu. É bem legal ver como as personagens cresceram e amadureceram, e ver o início de coisas que só são realmente confirmadas no terceiro livro. Personagens novas ajudam a história a se manter daquele jeito legal que conhecemos no primeiro livro e a trama é cheia de reviravoltas legais que nos mantém interessados! Continuo recomendando!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!

Mundo de Tinta:

01- Coração de Tinta

02- Sangue de Tinta

03- Morte de Tinta


Coração de Tinta (Tintenherz) – Cornelia Funke

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Oi! As semanas vão se passando e eu, escolhendo o que resenhar, percebi que não adianta tentar ir aos poucos com as resenhas de séries! Hoje em dia elas dominam o mercado editorial, e eu as leio desde criança, então preciso começar resenhá-las aqui com um pouco mais de frequência, ou nunca terminarei todas! A princípio pretendo resenhar pelo menos um livro que seja parte de uma série por semana, então começo hoje com a primeira série nova de 2016, que eu li anos atrás e que me roubou o coração: é dia de “Coração de Tinta”.

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“Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante noturno finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição. É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado “Coração De Tinta”. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de “Coração De Tinta” um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente sequestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.”

Sabe aquele livro pelo qual você se apaixona já na livraria? Aquele te chama a atenção já pela capa e que não sai da sua cabeça? Foi assim com este aqui. Eu o namorei um bom tempo, mas como na época não trabalhava, tinha um orçamento limitado; qual não foi minha surpresa quando minha mãe apareceu com o livro em casa, então? Só que não era pra mim – ela tinha me trazido outro, que eu já nem lembro qual era. O livro era pra minha irmã, e eu tive que esperar que ela terminasse para ler. Ah, mas que espera que valeu a pena!

A escrita da Cornelia é incrível: apropriada para crianças mas nada infantilóide, então qualquer pessoa, de qualquer idade, consegue se apaixonar pelo mundo incrível que ela cria, e que convive, lado a lado, com o nosso. A nossa realidade e a fantasia dela se tocando são, certamente, das coisas mais lindas que eu já li, e as personagens são tão boas que eu queria ser parte do Mundo de Tinta! O pior é que esse desejo só foi aumentando com os próximos volumes da narrativa, já que à medida que a história cresce e entendemos mais sobre o funcionamento desse mundo incrível, dá vontade de deixar nossa vida “monótona” pra lá. Minhas personagens preferidas neste volume foram Meggie, a menina corajosa e apaixonada por seus ideais, e Elinor, a apaixonada por livros que sente um amor de familiar por eles – onde será que eu já vi isso…? Enfim, é uma série incrível com um primeiro livro excelente! Mais do que recomendado!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!

Mundo de Tinta:

01- Coração de Tinta

02- Sangue de Tinta

03- Morte de Tinta


Os Contos de Grimm (Kinder- und Hausmärchen) – Jacob e Wilhelm Grimm

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Oi! Acho que acordei meio nostálgica, lembrando de coisas agradáveis da minha infância, e aí resolvi escolher um livro especial pra resenhar. É o livro mais antigo que eu tenho, é de quando eu era criança, e me embalou vezes infinitas. É dia de conhecer um pouco mais as histórias mágicas dos irmãos Grimm em “Os Contos de Grimm”.

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Essa é a capa da edição que eu tenho, mas tirada da internet. A minha cópia está tão velhinha que não dá pra digitalizar e colocar aqui, e eu não achei uma imagem melhor, desculpem!

“Esse livro apresenta 49 contos clássicos dos irmãos Grimm. São histórias que, mesmo após dois séculos, continuam atuais, pela mestria com que foram contadas. Os autores passaram a vida pesquisando e transcrevendo contos populares e lendas e entraram para a história pelo seu feito. Hoje existem milhares de edições e adaptações de seus contos. Entre essa grande variedade, esse livro tem um diferencial: é mais completo no Brasil (com 49 contos) e é fiel aos textos dos autores, pois foram traduzidos direto do alemão, língua dos irmãos Grimm, pela consagrada escritora Tatiana Belinky, sem transformações no enredo dos contos.”

Eu tenho esta edição há tantos anos que não tenho ideia de quando foi que ela entrou na minha vida. Há uma inscrição feita dentro com o meu nome e o da minha irmã, um coração e a data 19/04/98, tudo em letrinha garranchada de criança (não sei de qual de nós duas), mas eu acho que o livro já estava aqui em casa há mais tempo. O fato é que esta edição, por ter mais histórias, me ensinou desde cedo algumas que não são conhecidas pela maioria das pessoas e algumas que ninguém que eu conheça já tinha ouvido falar.

Como são muitas histórias e muitas personagens, vou dar uma opinião mais geral sobre o livro; a linguagem é bem simples, pode ser compreendida por crianças sem nenhum problema. Isso não quer dizer que não vá agradar aos adultos, afinal a linguagem é simples mas não é infantilizada, então até hoje, quando eu leio pra minha sobrinha mais velha, me sinto tão animada quanto – ou até mais que – ela! É um livro delicioso de ler, cheio de histórias diferentes das que já conhecemos, e com finais mais próximos dos originais – tem vilão morrendo do jeito que, à época, se acreditava que mereciam! Um livro pra ler e reler, desde a infância até a vida adulta, quantas vezes e nos momentos que você achar necessário, sem contra indicação! Mais do que recomendado!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima! (E fiquem ligados: sexta tem mais post sobre a viagem!)


A Menina sem Qualidades (Spieltrieb) – Juli Zeh

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Oi! Hoje acaba meu recesso e minha rotina começa a voltar, então precisei escolher um livro que fosse acompanhar os primeiros dias de volta ao trabalho. Escolhi um que me foi indiretamente recomendado – e vou explicar isso mais pra frente. É dia de “A Menina sem Qualidades”.

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“Em uma escola do extremo oeste alemão, na cidade de Bonn, se desenvolve a história de uma obsessiva dependência entre Ada e Alev, dois jovens estudantes que constroem uma relação de amizade capaz de ultrapassar todas as fronteiras da moral, da compaixão e das relações previsíveis. Ambos escolhem o professor Smutek como alvo de uma chantagem. Ada, uma estudante de 14 anos, é recém chegada na escola Ernst-Bloch. De inicio ela provoca pouca curiosidade, mas esse é apenas o primeiro passo de uma empolgante historia. Enquanto no gigantesco mundo político as vanguardas do que é bom ou mau se subvertem, no microcosmo da escola Ernst-Bloch se desenvolve uma historia vibrante, com uma série de acontecimentos que conduzem o professor Smutek a uma orgia de violência contra seus alunos.”

Eu conheci este livro por causa da série brasileira que foi inspirada nele. A MTV produziu em 2013 uma série baseada no livro, e um amigo, que já me indicou outros livros e que eu já mencionei aqui outras vezes (aqui e aqui) me disse que era boa, que eu devia assistir; eu o fiz e, pouco depois, vi o livro na livraria, recém traduzido para o português (ainda que tenha sido escrito em 2004) mas não o comprei. No fim do ano passado, no entanto, não resisti, e acabei por em ir busca dele; quase não o encontro! Estava esgotado na maioria dos lugares, mas por fim encontrei um exemplar – que devorei antes de ir para Paris.

A narrativa é fácil de entender, então a leitura acaba por ser rápida. O livro é médio, em termos de tamanho, minha edição tem 508 páginas de história, mas a história é tão fascinante que é daqueles que se devora depressa, na curiosidade de saber o que acontece; atenção, no entanto! Não é um livro para ser lido de forma descuidada, já que os questionamentos morais e os conceitos desenvolvidos (ou mostrados) pelas personagens são dignos de rodas de discussão que tomariam horas, então para aproveitar a leitura de verdade, é bom ter atenção.

As personagens são, provavelmente, o que fazem com que o livro seja tão incrível: Ada, Alev e Smutek (que na série da MTV se chamam Ana, Alex e Tristán) formam uma tríade à princípio estranha, e, à medida que a história avança, um time, e um que funciona bem. Minha personagem preferida foi Ada, porque me identifiquei com muitas coisas sobre ela: sua antissociabilidade, a aparência comum, que desaparece na multidão, a leitura compulsiva (ainda que sejamos impulsionadas por motivos diferentes) e o ligeiro desprezo que ela carrega me fizeram sentir aquele reconhecimento de quando encontramos alguém muito parecido – e também muito diferente, afinal, não sou idêntica a Ada nem ela a mim. Alev e Smutek se tornaram secundários quando comparados à personagem título, que carrega consigo uma inteligência tão impressionante que assusta os que estão em volta.

Este livro foi, definitivamente, o mais inquietante que eu li em 2014. A história e as personagens que a formam mexeram comigo de uma forma inexplicável, do jeito que só a literatura – e raros episódios de realidade – conseguem. Recomendo a leitura para todos e qualquer um – todo mundo pode aprender um pouco com a Ada.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!

Para conhecer mais a história:

Esse post super legal do Papo de Homem

IMDb do filme inspirado no livro

1º episódio da série da MTV no youtube