A Luneta Âmbar (The Amber Spyglass) – Philip Pullman

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Oi! Enquanto me choco com como outubro desapareceu e como novembro já está quase na metade, olho pras resenhas que estão pendentes e me dou conta de que hoje é dia de terminar uma série! Onde foi parar 2015? Acho que anos bons acabam depressa, e séries boas também. É dia de “A Luneta Âmbar”, pra terminar a trilogia “Fronteiras do Universo”.

alunetaambar

Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“Will é o portador da faca sutil. Ele prometera ao pai, no leito de morte, que iria entregar a lâmina terrível ao Lorde Asriel. Está se aproximando uma guerra, a maior guerra de todos os tempos, e a lâmina é a única arma que pode render o inimigo. Um forasteiro num mundo estranho, Will começa sua jornada perigosa. Mas como pode cumprir a promessa quando Lyra, sua corajosa companheira, está desaparecida?”

No terceiro e último livro a contar a história de Lyra, a grande batalha chegou: é hora de lutar contra a Autoridade, o primeiro anjo criado e que se considera o deus do multiverso, superior a todos e causador do comportamento da Igreja. Lyra e Will têm que ser corajosos para não perderem nesta guerra, pois perder significa que o universo – e os vários mundos dentro dele – como se conhece desapareceria. Alianças que mudam de lado, personagens que não sabemos, até o último segundo, se são boas ou más e um dos amores mais lindos e doloridos da literatura criaram um desfecho impressionante para uma série inteligente e cheia de aventuras, que foi classificada como jovem-adulta mas que é para todas as idades.

Eu disse na resenha do primeiro livro que achava a classificação da história meio equivocada, e continuo a dizê-lo, mas agora explico melhor: não é que adolescentes não fossem gostar ou entender o livro, mas simplesmente que adultos possivelmente se beneficiariam muito da  leitura, e talvez muitos não se aproximem dela por causa da estante em que ficam. Assuntos tão complexos quanto crenças religiosas e ateísmo, primeiro amor e despertar da sexualidade e a capacidade das crianças em se virarem sozinhas, ainda que ninguém acredite que elas podem fazer isso, são abordados o tempo todo, num universo onde não há tanto medo pelos infantes. Essa trilogia me ensinou muito, além de ter me mantido distraída por um tempo, já que eu não parava de pensar na história. Recomendo, recomendo, recomendo!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!

Trilogia “Fronteiras do Universo”:

01- A Bússola de Ouro

02- A Faca Sutil

03- A Luneta Âmbar


Tempos Difíceis (Hard Times) – Charles Dickens

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Oi! Brasília está cheia de nuvens e de calor, mas a chuva ainda não veio. Como uma pessoa que detesta calor, estou sofrendo um bocado esperando por ela – que geralmente cai no dia do meu aniversário, um presente divino, certamente. Nessa de esperar e sofrer escolhi o livro de hoje, de título tão apropriado pro momento. É dia de “Tempos Difíceis” – outra herança da época da faculdade.

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“Thomas Gradgrind é um utilitário, que acredita que fatos e dinheiro são mais importantes do que sentimentos e imaginação. Acompanhando a trajetória de Thomas, “um homem de fatos e cálculos”, e sua família, o livro satiriza os movimentos iluminista e positivista e triunfa ao descrever quase que de forma caricatural a sociedade industrial, transformando a própria estrutura do romance numa argumentação antiliberal. Por meio de diversas alegorias, como a escola da cidade, a fábrica e suas chaminés, a trupe circense do Sr. Sleary e a oposição entre a casa do burguês Josiah Bounderby e a de seu funcionário Stephen Blackpool, o resultado é uma crítica à mentalidade capitalista e à exploração da força de trabalho, imposições que Dickens alertava estarem destruindo a criatividade humana e a alegria. Quando Sissy Jupe, filha de artistas circences, é abandonada, o Sr. Gradgrind a leva para sua casa, buscando educá-la junto com seus outros filhos, Luísa e Tom. Os anos passam e a família Gradgrind encontra dificuldades: Luísa é prisioneira de um casamento sem amor, Tom tem problemas no trabalho e Sissy não parece ter mudado com os anos. Seria a educação dada pelo Sr. Gradgrind o problema ou a solução?”

Como eu contei logo lá em cima, este livro foi passado como leitura obrigatória de uma das minhas matérias da faculdade. Comecei a lê-lo e, nas discussões de sala, a detestá-lo. Não pelo livro em si, mas porque minha professora era uma pessoa muito difícil, que já me tinha feito ter raiva de outras histórias – aliás, a maioria das vezes que eu menciono ter deixado um livro de lado na faculdade para depois lê-lo foi por causa das mesmas professoras. Ano passado o inseri na lista deste ano e finalmente terminei a história, de que, aliás, gostei muito.

As várias alegorias principais da história já foram mencionadas ali na sinopse, então queria só falar de um aspecto da narrativa que me chamou a atenção, em especial, por causa da minha formação e da profissão que exerço no momento (sou professora de português para estrangeiros e de inglês, por formação, e dou aula de inglês num grande Centro Binacional); Dickens acabou por, talvez sem perceber, tratar do delicado tema da educação. O viés abordado no livro é de uma educação seca, sem nenhum tipo de interesse na imaginação, na criatividade e na inteligência emocional, o que se assemelha muito ao tipo de educação que tem sido dada nas escolas – pelo menos é o que eu noto em Brasília. Há um desespero tão grande pela aprovação nas melhores universidades que toda a infância das crianças já começa a ser prejudicada e a desaparecer lentamente, o que, como professora e como ser humano, me alarma e preocupa. O que este livro demonstra – e eu tenho visto acontecer lentamente no meu dia a dia – é que quando se suprime demais a infância e o momento de brincar das crianças, algo vai acontecer no futuro para cobrar o preço, e as consequências serão pesadas.

As personagens bem reais e bem caricatas ao mesmo tempo, as várias – inteligentíssimas – críticas e alegorias e a narrativa fácil de acompanhar se combinaram para tornar esse livro um clássico, e do tipo que é sempre atual. Um dos melhores livros que eu já li, mas que não é do tipo feliz e animado, já aviso. Recomendo fortemente, para todos e sem restrições! Todo grupo pode se beneficiar de algo com essa leitura – que devia ser obrigatória para todos os níveis de ensino, em maior ou menor grau.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


O Senhor das Moscas (Lord of the Flies) – William Golding

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Oi! Mais uma semana lotada de coisas pra fazer começa hoje, e segunda é meu dia mais cheio, então aproveito a meia horinha antes do almoço pra colocar as resenhas em dia! Hoje é dia de uma distopia ótima, que li no início desse ano, “O Senhor das Moscas” (que eu li em inglês).

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“Um grupo de crianças e adolescentes. após um acidente, vai parar em uma ilha deserta. Os jovens, aos poucos, vão se reunindo num grande grupo. Em assembléia, os meninos designam um líder. Longe dos códigos que regulam a sociedade dos adultos, esses jovens terão de inventar uma nova civilização, alicerçada exclusivamente nos recursos naturais da ilha e em suas próprias fantasias. Até aí este romance poderia ser lido como simples aventura infanto-juvenil, cheia de caçadas, banhos de mar e, ao final, a descoberta de um tesouro escondido por piratas. Mas não é o que ocorre. Apesar dos esforços iniciais de organizar uma sociedade auto-suficiente e equilibrada, o bando vai progressivamente cedendo à vida dos instintos, regredindo às pulsões de violência e de morte. A disputa pelo poder é um dos estopins da desordem. E o paraíso do “bom selvagem” acaba em carnificina.”

É muito comum ver este livro sendo citado em séries de TV e filmes americanos que falem do Ensino Médio, já que ele é leitura obrigatória para alunos deste nível de ensino, então não é surpreendente que ele tenha sido citado em Gilmore Girls e virado parte do Desafio da Rory. Eu já queria lê-lo há anos, e foi uma grata surpresa poder juntar o útil ao agradável.

“O Senhor das Moscas” é uma distopia. Vou admitir que quando o via em filmes e pensava em ler eu não tinha ideia do que se tratava, muito menos imaginava que o livro fosse como é, então descobrir do que se tratava a obra e como o autor desenvolveu uma espécie de Robinson Crusoé ao contrário (ou assim me dizem que foi. Não posso dar certeza porque ainda não li, mas não duvido que seja mesmo o caso). De qualquer modo o livro me impressionou muito, porque combina uma história interessante e inteligente a uma narrativa completa e complexa, que me deixou intrigada e presa. Há certo lirismo nas palavras de Golding, ainda que o livro não possa ser exatamente chamado de cândido. Não é para inciantes, mas os amantes de uma boa distopia – especialmente se amarem um submundo, como é meu caso – vão adorar conhecer a história dos meninos que cedem aos próprios instinto primitivos de uma forma brutal e cruel, mas muito real e possível. Não dá pra eu falar de personagens preferidas porque achei que todas formaram um conjunto muito orgânico e possível dentro das possibilidades apresentadas na narrativa. O que eu posso dizer é que gostei muito e que recomendo – mas fica o aviso de que há partes de virar o estômago dos despreparados. Felizmente, não era meu caso!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


A Faca Sutil (The Subtle Knife) – Philip Pullman

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Oi! É dia de série e dia de eu ficar feliz – quando resenhei o primeiro livro desta trilogia estava com um humor ruim e com as coisas piorando. Hoje estou bem, calma. Tem chuva na minha janela – inesperada pra esse tempo de seca, e extremamente bem vinda – e tem paz no meu coração. É dia de um livro tempestuoso, que meche com as emoções – e que eu adoro. É dia de “A Faca Sutil”, segundo livro da trilogia “Fronteiras do Universo”.

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Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“Will tem apenas 12 anos e tudo começa quando, depois de matar um homem, ele parte para descobrir a verdade sobre o desaparecimento de seu pai. Como num passe de mágica, atravessa o ar e penetra num mundo onde conhece uma estranha garota, Lyra, que, como ele, também tem uma missão a cumprir. Em Cittàgazze, onde os dois se encontram, as ruas são habitadas por espectros letais, devoradores de almas e outras criaturas aterradoras que disputam com todas as forças um poderoso talismã, capaz de cortar o nada e abrir brechas para outros universos – a faca sutil. Lyra e Will precisam do objeto, mas correm risco mortal, pois criaturas de vários mundos estão dispostas a tudo para possuí-lo.”

O segundo volume da série introduz uma personagem importante: Will Parry. Will e Lyra começam a enfrentar aventuras juntos, já que têm objetivos em comum e precisam encontrar as mesmas respostas, e é assim que, após a introdução ao mundo fantástico do primeiro livro, o nosso mundo entra na narrativa: em Fronteiras do Universo, vários mundos (ou realidades) são paralelos, e se tocam em determinados pontos. É também neste livro que alguns pontos da narrativa começam a se juntar para dar uma pista sobre qual é o grande conflito/a grande batalha que vai ocorrer no último livro, ainda que não dê pra entender tudo (por hora).

A narrativa segue o mesmo estilo daquela apresentada no livro anterior, e a introdução de Will cria novos conflitos inclusive para Lyra – mas isso é algo que só fica claro mesmo no terceiro livro, e mesmo assim não é do jeito como se espera que essas coisas aconteçam. As personagens novas que aparecem aqui – e são muitas – são ótimas e muito importantes para guiar a explicação dos acontecimentos. Fiquei realmente encantada com essa série, e esse segundo livro é tão bom quanto o primeiro. Se a resenha parece meio confusa, leia os livros e ela será perfeitamente compreensível – e talvez você me perdoe por ser tão vaga, afinal, eu só estou tentando preservar a magia que está em ler algo tão diferente e fantástico (só de escrever sobre essa série já está me dando vontade de relê-la). Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!

Trilogia “Fronteiras do Universo”:

01- A Bússola de Ouro

02- A Faca Sutil

03- A Luneta Âmbar


A Bússula de Ouro (Northern Lights) – Philip Pullman

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Oi! Parece piada cósmica: fico mais de duas semanas tristes e o universo resolve me mostrar que as coisas podem piorar, ou seja, devo parar com minha auto-piedade e enfrentar a vida. Sou dessas que escuta os próprios instintos e lê os sinais, então, pra combater esse período estranho (e a porcaria do resfriado que está querendo morar em mim), escolhi começar uma série especial. “A Bússola de Ouro” é o primeiro livro da trilogia “Fronteiras do Universo”, que vocês logo entenderão porque me cativou tanto.

bussola

“A órfã Lyra Belacqua está satisfeita em correr solta entre os estudiosos da Faculdade Jordan, com seu familiar dæmon, Pantailamon, sempre a seu lado. Mas a chegada de seu temível tio, Lorde Asriel, a atrai para o coração de uma luta terrível – uma luta de Papões e crianças roubadas, clãs de bruxas e ursos de armadura. E enquanto ela se precipita em direção ao perigo no frio do extremo Norte, Lyra não suspeita da chocante verdade: sozinha, ela está destinado a ganhar ou a perder esta batalha mais-que-mortal.”

Essa trilogia veio parar nas minhas mãos quando eu estava no Ensino Médio. Entrei de férias no meio do ano e minha mãe chegou em casa com os três livros, que colocou nas minhas mãos com o pedido que eu, por favor, os lesse devagar – digamos que ser tão fominha de livros poderia ter levado minha família à falência facilmente, não fossem as várias bibliotecas a que eu me afiliei ao longo dos anos. Abri o primeiro livro naquela mesma hora e comecei a ler, sem saber o que esperar. Nunca tinha ouvido falar daquela série, e a internet não era exatamente algo comum no meu dia a dia – e mesmo que fosse, duvido que eu fosse pensar em procurar um livro por lá. Quando dei por mim, era (bem) menos de uma semana depois e eu estava olhando atordoada para o terceiro livro, que tinha acabado de terminar. Claramente os pedidos para que lesse devagar foram solenemente ignorados, já que a história era boa demais…

Essa série é distópica, mas de qualidade, ao contrário da maioria das narrativas do gênero que vemos por aí hoje em dia. A história de Lyra se passa em um mundo muito parecido com o nosso, mas paralelo (nosso mundo, aliás, aparece na narrativa, eventualmente), e uma das diferenças essenciais desse mundo é que a alma dos seres humanos mora fora do corpo, na forma de animais chamados dæmon – uso a palavra animais na falta de uma melhor, já que dæmons são amorfos, podendo assumir qualquer forma animal instantaneamente durante a infância e depois da puberdade se fixando para sempre. Dæmons são sempre do sexo oposto da pessoa, por isso Pan é “macho” enquanto dæmons de homens são “fêmeas”. Outra coisa muito importante a levar em consideração quando lendo a série é a relação da Igreja e da Ciência no mundo de Lyra – é muito semelhante à relação que existia em nosso próprio mundo durante a Idade Média, em que experimentos científicos podem ser considerados heréticos se vão contra os preceitos religiosos. É nesse contexto que Lyra descobre que seu tio está fazendo pesquisas sobre uma misteriosa substância conhecida como “Pó”. É também nesse contexto que ela descobre sua origem, luta contra inimigos para salvar a quem ama e começa a descobrir o motivo da tristeza e da morte – não só em seu mundo, mas em todos os que se tocam, de forma paralela.

“A Bússola de Ouro” conta uma história complexa dentro de um universo ainda mais complexo, mas a leitura é fácil e completamente viciante. São muitos detalhes e pequenos elementos, mas em nenhum momento me senti totalmente perdida, já que o autor ancorou tanto em nossa realidade, fazendo com que a compreensão fosse não só possível mas simples. Devia ter 15 anos, 16 no máximo, quando li a trilogia, e mesmo tendo tanto ainda para aprender do mundo – e das valiosas lições que os livros instilavam – pude entender o que acontecia sem traumas, então acredito que idade não seja um problema para compreender o que está se passando. Só fiquei com a ligeira impressão de que esse livro é bem mais adulto que sua classificação, mas vou falar disso mais pra frente, nas próximas resenhas. Sei que esta resenha está batendo o recorde de “giganteza”, mas não posso deixar de falar que as personagens são excelentes, especialmente Lyra: pra uma menina de 11 anos ela é muito bem resolvida e corajosa, e fiquei admirada com a capacidade dela de sair das confusões em que se mete – não sem motivo ela acaba por ganhar o apelido “Língua Mágica” (em inglês é mais legal, “Silvertongue”, ou “Língua de Prata”). Acho que ficou bem óbvio que recomendo muito o livro, né? Certamente é uma das melhores coisas que eu já li na vida!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!

Trilogia “Fronteiras do Universo”:

01- A Bússola de Ouro

02- A Faca Sutil

03- A Luneta Âmbar

P.S.: A quem interessar possa, o primeiro livro virou filme. Aqui o trailer: