Dublinenses (Dubliners) – James Joyce

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Oi! Ontem foi um dia super corrido, cheio de coisas pra fazer e com uns momentos de tensão, mas tudo correu – aparentemente – bem e cheguei em casa cansada e feliz. Como fui dormir ainda com essa felicidade gerada pelo alívio, hoje acordei calma, então escolhi falar de um livro que gostei muito – e que li na faculdade mas só por acaso do destino, já que estava na minha lista desse ano de qualquer jeito. Vamos de “Dublinenses”, do Joyce.

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Na virada do século XX, o coração da Irlanda bate no peito dos personagens que percorrem as ruas de Dublin. Vidas comuns que personificam o declínio não apenas econômico, mas moral, com o qual o país se debate naquele momento histórico. Em quinze contos, James Joyce contempla com realismo e dureza a vida de seus conterrâneos em ordem cronológica: a perda da inocência na infância, as angústias e incertezas da adolescência e a desilusão dos adultos ao encararem sua epifania, o momento em que a verdadeira natureza de algo se dá a conhecer.

Eu nem me lembro quando foi que decidi que leria esse livro, mas lembro que a primeira vez que considerei seriamente começar a leitura foi quando meu primo Tagore foi morar na Irlanda por um ano, e começou a ler esse livro antes de embarcar. Por algum motivo acabei adiando a leitura, ele foi, voltou (mais de um ano depois), e nada. Esse ano, quando o tinha colocado definitivamente na minha lista, descobri que três de seus contos eram leituras obrigatórias em uma das minhas matérias: não perdi tempo e li o livro todo.

Nunca tinha lido nada de Joyce e fiquei muito impressionada com seu estilo narrativo: pra quem lê de forma superficial parece que ele está apenas narrando cenas cotidianas da vida na Irlanda, e cenas que nem são assim tão interessantes, mas pra quem presta atenção, vai muito além disso. Cada conto e a obra como um todo têm simbologias, críticas à situação da Irlanda à época, além de um senso de melancolia que deixa tudo muito bonito. Como são quinze contos, não dá pra falar de cada um deles individualmente, ou eu ficaria horas por aqui, mas dá pra dizer que o conjunto é bem orgânico e funciona super bem.

Em termos de personagens vale a mesma ideia: são muitas, não dá pra analisar individualmente, mas dá pra eu dizer que são elas que dão o tom à narrativa, que, sendo tipicamente irlandesas, tipicamente dublinenses, criam e mantêm a atmosfera criada por Joyce, e que, dizem, permeia todas as suas obras. Vou ter que ler – e com todo o prazer do mundo – outras obras dele para confirmar essa informação, mas, pelo menos por enquanto, no que concerne a Dublinenses, posso dizer que adorei o livro, e que o recomendo!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Pigmaleão (Pygmalion) – George Bernard Shaw

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Oi! Já que na última resenha mencionei as várias histórias legais que li no início do ano, achei uma boa ideia falar um pouco sobre mais uma dessas histórias que li por causa da faculdade. Hoje é, de novo, uma peça, e uma que eu sempre quis ler, mas, por algum motivo, nunca encontrava tempo! É dia de conhecer Pygmalion, que deu origem ao famoso “My Fair Lady”.

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Pigmaleão conta a história de Eliza Doolitle, uma vendedora de flores ambulante na Londres do início do século 20. Sua linguagem é uma afronta à língua inglesa, seu vocabulário, paupérrimo e de baixo calão, e sua pronúncia, uma desgraça. Um eminente fonético impõe a si mesmo um desafio: reeducá-la e faze-la passar por uma dama da sociedade. Mas esse será apenas o início dessa comédia deliciosa em que Shaw denuncia as diferenças sociais e de classe.

Eu assisti “My Fair Lady” anos atrás, porque amo a Audrey e vejo qualquer coisa em que ela esteja, mas não conhecia a história. Acabei por gostar do musical, e quando descobri que era inspirado em uma peça fiquei, obviamente, doida pra conhecer de onde vieram aquelas músicas que ficam na minha cabeça o tempo todo, mas nunca tinha a oportunidade. Quando vi que era leitura obrigatória em uma das minhas aulas de literatura inglesa, fiquei feliz – e ainda mais quando vi que o autor era o Shaw.

Bom, a peça é boa, interessante e fácil de ler e entender. Existem algumas versões que cortam duas cenas na peça, então eu li duas diferentes para ver o texto de duas formas, mas se você pegar uma versão que, por acaso, não tenha as tais duas cenas, não se preocupe, porque não vai prejudicar seu entendimento. A história é bem parecida com o que vemos no filme, e Henry Higgins é bem machista e grosseiro, e existem teorias baseadas no uso de certas expressões do texto em inglês, que ele seria gay, e, por isso, não se apaixonaria por Eliza – essa paixão seria produto da imaginação dos leitores. É, com certeza, algo a se pensar, já que muda alguns aspectos na peça, mas dos dois modos é uma leitura interessante.

Gostei mesmo foram das personagens: Eliza foi minha preferida, já que demonstra força e coragem, ainda que seja bem ingênua e ignorante para algumas coisas. Gostei também da Senhora Higgins, que é bem razoável e que não cede aos caprichos do filho. Apesar de ter simpatizado com o Coronel Pickings ainda acho que ele tem seus momentos de bobalhão em que acha bonito qualquer coisa que Higgins faça, então perdia a paciência com ele de vez em quando. Claramente não fui muito com a cara de Higgins, mas é uma personagem necessária, e ajuda a formar um conjunto interessante com as outras, para que a história fique completa. No geral, gostei bastante da peça. Não é a melhor coisa que eu já li na vida, vou dizer, mas é realmente muito boa. Recomendada!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Melancia (Watermelon) – Marian Keyes

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Oi! Minha semana segue boa, espero que a de vocês também! Hoje acordei meio sem criatividade, no entanto, e aí resolvi falar de um livro que li há muitos anos, diretamente sequestrado da estante da minha irmã. Vamos de “Melancia”.

“Foi demais da conta para Claire o dia do nascimento da sua filha. Ao acordar no quarto do hospital depara com o marido olhando-a na cama. Deduzindo tratar-se de algum tipo de sinal de respeito, ela nem suspeita de que ele soltará a notícia da sua iminente separação. Em seguida, dá meia-volta e deixa rapidamente o quarto. De fato, ele sai quase correndo. Com 29 anos, uma filha recém-nascida e um marido que acabou de confessar um caso de mais de seis meses com a vizinha, Claire se resume a um coração partido, um corpo inteiramente redondo, aparentando uma melancia, e os efeitos colaterais da gravidez. Claire volta a morar com sua excêntrica família: duas irmãs, uma delas obcecada pelo oculto, e a outra, uma demolidora de corações; uma mãe viciada em telenovelas e com fobia de cozinha; e um pai à beira de um ataque de nervos. Depois de muitos dias em depressão, bebedeira e choro, Claire decide avaliar os prós e contras de um casamento de três anos. E começa a se sentir melhor. É justamente nesse momento que James, seu ex-marido, reaparece, para convencê-la a assumir a culpa por tê-lo jogado nos braços de outra mulher.”

Como boa parte dos chick-lits que eu li, peguei na estante da minha irmã. É o gênero literário preferido dela, então ela sempre tem alguma coisa na estante. “Melancia” é dos mais “diferentões” do gênero, mas é uma leitura bem legal.

A narrativa da Marian é bem diferente, bem própria, mas é fácil de ler. Muita gente não gosta dela porque ela usa elementos da própria vida para compor seus livros, e ela teve uma vida meio trágica – nesse livro mesmo ela aborda depressão pós-parto e começa a falar um pouco de abuso de drogas. Eu não me incomodei, e achei até que foi um sopro de ar fresco um livro para entretenimento que não é tão previsível quanto seus pares.

As personagens são muito legais. Gostei muito de Claire, porque ela é muito determinada e tratou de dar a volta por cima depois da rasteira que levou da vida. De sua família, gostei de seu pai, meio avoado mas com um coração enorme e muito divertido. Não gostei muito das irmãs, dois exemplares de criaturas desmioladas e mimadas, e nem preciso dizer que o ex-marido merece total desprezo, né? No geral, as personagens e a história conversaram bastante bem, formando um conjunto orgânico. É um livro divertido mas não propriamente engraçado. Não vai mudar a vida de ninguém, mas com certeza vai render umas boas risadas. Recomendo!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos e até a próxima!


Rover Saves Christimas – Roddy Doyle

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Oi! Hoje é dia de continuar mais uma série, e eu quis terminar mais uma. Como essa é provavelmente a série que está a mais tempo aqui no blog, é a escolha de hoje. Vamos continuar a viver aventuras com Rover em “Rover Saves Christmas”.

“É véspera de Natal, e Rudolph, a rena do nariz vermelho, está gripado! Jimmie e Robbie Mack estão tão desesperadas para o Natal chegar que eles deixaram vinte e sete sanduíches para o Papai Noel. Mas Rudolf está doente e de licença, e Papai Noel está com o trenó preso no Polo Norte – com todos os presentes! Será que o grande dia pode ser cancelado? Ou será que Rover, o cão-maravilha, pode salvar o Natal? Bem, o que você acha?”

Como eu contei na resenha anterior dessa série, esse livro veio pra mim da Irlanda, presente do meu primo Tagore. Eu li o primeiro traduzido, depois de ganhar de presente do meu pai quando criança, e fiquei curiosa para ver como a série terminava.

Seguindo a mesma linha dos livros anteriores, esse é leve e divertido, mas por causa de uma pequena frase, senti uma pontadinha de tristeza: em determinado momento, é mencionado que Rover já não é tão jovem, e aquilo me deixou meio triste. É óbvio que ninguém vive para sempre, e que personagens literários podem envelhecer, mas é triste se apegar a um e depois vê-lo envelhecido, mudado. Acho que o motivo para eu ter ficado meio pra baixo foi por isso ter acontecido em um livro infantil, mas não sei se as crianças que lessem essa história perceberiam o mesmo que eu.

As personagens continuam as mesmas, com o acréscimo do Papai Noel e de seu pessoal – as renas e tudo o mais -, então não tenho mais o que falar aqui: continuo gostando das personagens exatamente como são. Como eu já disse das outras vezes, recomendo muito essa série. São livros lindos e inteligentes, e Roddy Doyle é um dos meus autores preferidos.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos e até a próxima!

The Rover Adventures”:

1- Os Risadinhas

2- The Meanwhile Adventures (ainda não traduzido no Brasil)

3- Rover Saves Christmas (ainda não traduzido no Brasil)


The Meanwhile Adventures – Roddy Doyle

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Oi! Pra compensar a falta de resenha da segunda feira, cá estou com uma nova. O livro de hoje, assim como o anterior, ainda não foi traduzido no Brasil, mas é um que não poderia ficar de fora das resenhas do blog, logo explicarei o motivo. O livro de hoje é “The Meanwhile Adventures”, segundo volume da série “As Aventuras de Rover”.

Em “The Meanwhile Adventures”  acompanhamos como o Sr. Mack, depois de perder o emprego de provador de biscoitos, começa uma nova carreira: inventor. Só que o senhor Mack não é muito bom inventor, e acaba por criar uma confusão quando tenta conseguir um empréstimo no banco. Ele vai preso e as crianças precisam fugir da mulher do orfanato e resgatar o pai – sem poder contar com a ajuda da mãe, que está tentando quebrar um recorde mundial (o que, é claro, deve ser feito em segredo). Quem pode ajudar as crianças nessa hora? Rover, é claro!

Quando ganhei “Os Risadinhas”, primeiro livro da série, me apaixonei pela história e pela escrita de Roddy Doyle, hoje um dos meus autores preferidos. Quando meu primo Tagore foi morar na Irlanda, sabia na hora o que queria de presente, e ele me trouxe não só este livro, que foi o que eu pedi, mas também o último da série e um que reúne as três histórias.

A narrativa segue a mesma linha de “Os Risadinhas”: leve, divertida e deliciosa de ler. A história é cheia de gracinhas e ilustrações fofas no meio do caminho, que não só tornam a leitura mais engraçada, mas realmente te prendem. Apesar de ser um livro infantil, eu fiquei apaixonada!

As personagens são as mesmas do livro anterior, com um pequeno acréscimo de personagens secundárias que ajudam a história a andar, mas nenhum me chamou a atenção em especial. Gosto do Sr. Mack, com sua doçura e ingenuidade, mas minha personagem preferida é Kayla, a filha mais nova. Ela é praticamente um super-bebê, e mesmo só dizendo duas palavras, todos a entendem! Rover, o protagonista da série, é um cachorro muito incrível, eu gosto bastante dele, mas não é minha personagem preferida.

No geral o livro é uma doçura , e, como eu disse na resenha do primeiro, bom para desanuviar depois de uma leitura mais pesada. Mais do que recomendado!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana e até a próxima.

The Rover Adventures”:

1- Os Risadinhas

2- The Meanwhile Adventures (ainda não traduzido no Brasil)

3- Rover Saves Christmas (ainda não traduzido no Brasil)