8 Segundos – Camila Moreira

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Oi! Não sou dessas pessoas que têm problemas com segundas: pra mim é um dia normal. Hoje, no entanto, acordei pensando que bem podia ser fim de semana, pra que eu ficasse em casa com meus livros e uma xícara de chá. Querer, no entanto, não é poder, e cá estou eu com resenha novinha, pra ver se me animo um pouco. É dia de literatura nacional, com “8 segundos”.

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“O que fazer quando dois mundos totalmente diferentes se chocam em uma realidade não esperada? Pietra sempre teve tudo o que desejava, mas após ser obrigada a passar trinta dias isolada em uma das fazendas da família, ela vai descobrir que nem tudo está ao alcance de suas mãos. Um peão de olhos azuis está tirando o sono da princesa da cidade. Lucas Ranger é um homem ligado às coisas mais simples da vida. Suas maiores paixões são o rodeio, o campo e os animais. Lucas não se deixa levar pelos lindos olhos verdes de Pietra, ele sabe que ela significa problema. Mas será que o cowboy indomável, irá se deixar laçar por uma menina de cristal? Oito segundos… uma história de amor e paixão superando as diferenças.”

Bom, peguei este livro pra ler porque a Camis fez uma resenha bem legal no blog dela e eu fiquei interessada – e precisou mesmo da resenha, porque o título, a sinopse e a capa não tinham me interessado em nada. “8 segundos” é o segundo romance da autora Camila Moreira, e eu não conhecia o trabalho dela, então resolvi estrear. A sinopse é clássica: patricinha mimada + bom moço = romance tórrido de final feliz, pós vários obstáculos. Já vi muitos livros seguirem fórmulas batidas mas darem certo, graças ao desenvolvimento. Este daqui, no entanto, seguiu a fórmula e ficou ali na faixa do mais ou menos.

A narrativa é bem simples, então leitores iniciantes, que estão pegando o gosto pela coisa, podem ler sem traumas; somada à história, a combinação fica ali na faixa do simples, e, quando adiciona-se as personagens à mistura, dá pra notar que o livro não é a pior coisa que você vai ler, mas certamente não vai mudar sua vida. Pietra e Lucas são, na minha opinião, igualmente chatos. Uma é tão metida e sem noção que dá vontade de dar uns tapas, o outro é tão metido a perfeito que me deu vontade de revirar os olhos o tempo inteiro. A combinação dos dois não me conquistou, e só pensava comigo que eles bem se mereciam mesmo, porque eram igualmente pentelhos. Acho que as personagens secundárias foram bem mais interessantes, e, pelo menos pra mim, quando isso acontece porque as protagonistas são chatas, é sinal que o livro precisava de mais alguma coisa pra ser realmente bom.

Não me entendam mal, não é que o livro seja terrível e eu não recomende pra ninguém! É só que ele serve pra passar umas horinhas e fim: não vai te acrescentar nada de mais e você não vai ficar pensando nele depois, como acontece com bons romances românticos. Até recomendo, mas com propósitos bem específicos. Pense nele como aquela comédia romântica mais ou menos que você vê pra passar o tempo num domingo à tarde ou coisa parecida, aí você não sente que podia ter pegado coisa melhor pra ler.

Espero que tenha gostado! Boa semana pra todos nós e até a próxima!


Eles Não Usam Black-Tie – Grianfrancesco Guarnieri

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Oi! É feriado mas aqui não tem folga – mentira, ia ter sim, mas eu ainda devo uma resenha no saldo dos dias enrolados de umas semanas atrás. Fiquemos então com uma resenha que é especial: anos atrás eu ia participar de um Desafio Literário, e… oh well, não deu muito certo… de qualquer modo, antes tarde do que nunca, e aqui estou eu com “Eles Não Usam Black-Tie”.

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Eles não usam black-tie situa-se numa favela, nos anos 50, e tem como tema a greve, e ao lado da greve a peça tem como pano de fundo um debate sobre as grandes verdades eternas, reflexões universais sobre a frágil condição humana, sobre os homens e seus conflitos. É a história de um choque entre pai e filho com posições ideológicas e morais completamente opostas e divergentes, o que, por sinal, dá a tônica dramática ao texto. O pai, Otávio, é operário de carreira, um sonhador, um idealista, leitor de autores socialistas e, ao mesmo tempo um revolucionário por convicção e consciente de suas lutas. Forte e corajoso entre os seus companheiros, experimentou várias lideranças, algumas prisões, com isso ganha destaque entre os seus transformando-se num dos cabeças do movimento grevista. O filho, Tião, em razão das prisões do pai grevista, é criado praticamente, na cidade, longe do morro, com os padrinhos, sem conviver com esse mundo de luta e reivindicação da classe operária. Hoje adulto e morando no morro com os pais, vive um dos maiores conflitos de sua vida. Em primeiro lugar não quer aderir à greve, pois acha que essa é uma luta inglória, sem maiores resultados para a classe. Em segundo lugar pretende se casar com Maria, moça simples, porém determinada e leal ao seu povo, e está esperando um filho seu. Desta forma, Tião está mais preocupado com o seu futuro do que com a luta de seus companheiros, que sonham com melhores salários, e é este conflito que faz girar a peça – e que pega o leitor em suas reflexões.”

Bom, como eu contei lá em cima – e se você abrir o link lá em cima poderá ver como funcionava -, esta peça era parte de um Desafio Literário; mas eu não a escolhi sem motivos: minha professora de Artes Cênicas no Ensino Médio falava bastante dessa peça e eu acabei por me interessar, mas minha escola, na época, não tinha uma biblioteca – eu sei, vergonhoso! -, então eu acabei adiando por anos o início da leitura. Este ano resolvi finalmente colocar essa leitura no lugar, e assim, finalmente, trouxe o livro para o blog.

A peça se revolve em torno do conflito do pai, Otávio, e do filho, Tião, que têm visões completamente diferentes sobre greves, o que faz com que a trama levante questões de moral muito interessantes. Me peguei dividida em certos momentos, porque costumo me colocar no lugar das personagens, quando leio, e por isso conseguia entender o conflito que se passava na cabeça de cada uma delas. É uma leitura rápida e muito boa, que faz a cabeça funcionar e que deixa todos pensando. Acho que as personagens bem construídas ajudaram muito, porque são muito humanas e razoáveis, e assim fez mais sentido o quanto o conflito sobre greve ou não greve as afetou. Gostei muito da história e de como ela foi conduzida e recomendo! Acho que todo mundo poderia aprender um pouco mais sobre espírito de equipe, sempre.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


O Invasor – Marçal Aquino

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Oi! É quarta em uma semana que parece voar, pelo menos pra mim. Tudo parece meio frenética e, pra ser franca, estou até me sentindo meio perdida! O livro de hoje combina com essa doideira que anda a minha vida, então vamos de mais um do Marçal Aquino (eu disse que andava obcecada, não disse?), “O Invasor”.

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“O invasor teve um processo de criação inusitado: em 1997, quando existia apenas uma parte do texto, o cineasta convenceu o escritor a interromper a novela e transformar a história no roteiro do terceiro longa-metragem da dupla. Somente cinco anos depois Marçal Aquino retomou e finalizou o livro, lançado juntamente com o filme, que colecionou prêmios em festivais e marcou a estreia no cinema do titã Paulo Miklos, além de ter propiciado uma performance inesquecível ao rapper Sabotage, a quem a novela é dedicada. Ambientado em São Paulo, O invasor narra a história de três engenheiros, sócios numa construtora, que entram em conflito no momento em que são convidados a participar de uma falcatrua. Dois deles decidem eliminar o sócio que atrapalha os negócios, sem imaginar que estão colocando em movimento engrenagens que irão tragá-los num pesadelo de ambição, culpa e violência.”

Como eu já devo ter dito em algum lugar – e se não disse, vocês estão sabendo agora -, Marçal Aquino entrou pra minha lista de autores preferidos depois de eu ler o conto “Sábado” (vou acabar por falar dele aqui, não duvido…), e desde então sempre que eu via o nome dele ficava curiosa. Pois esse ano eu já li dois livros dele, e um já feio até parar aqui no blog, no mês passado. “O Invasor” não é tão perfeito quanto “Eu Receberia”, mas é, ainda assim, excelente, de cair o queixo e de dar um nervoso (do bom) tremendo!

A história de assassinato encomendado, do arrependimento de um dos envolvidos e de como isso afeta tantas vidas, e especialmente o final do livro, são de deixar qualquer um pulando no mesmo lugar, querendo saber como as coisas terminam. A narrativa é bem rápida, mas facilmente compreensível, e os acontecimentos, ainda que muitos, não parecem ter sido apertados em um espaço minúsculo; dá pra acompanhar sem problemas, e a sensação que eu tinha enquanto estava lendo, na realidade, era de que estava vendo um filme! Talvez por isso a história de como esse livro veio à luz e de como um filme foi baseado nele façam tanto sentido, mas aí já não posso dizer se um influenciou o outro ou se o outro influenciou o um, entendem? De qualquer modo o resultado foi bem legal!

As personagens dão um tom interessante à história, e é inevitável querer saber o que vai acontecer com cada uma delas, como o narrador e principal protagonista, Ivan, acaba e como tudo vai terminar. O final é surpreendente, te deixa nervosa e aliviada ao mesmo tempo, com a agonia de querer saber o que acontece. Realmente gostei muito! Ah, um bônus pra mim: tem uma Marina no livro! – pena que ela seja uma personagem marginal, sem nenhuma grande influência no que acontece, além de parecer ser uma pessoa meio ruim. Acho que eu adoraria uma homônima vilã, mas a desse livro, coitada, não é nada além de decoração, me pareceu. De qualquer modo eu recomendo bastante o livro! Vale a leitura e é bem rapidinho pra devorar!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Não se Apega, Não – Isabela Freitas

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Oi! Agora tenho que acordar tão cedo às segundas que acabo demorando mais pra fazer a resenha – preciso acordar antes de começar a escrever, e acabo demorando um pouco no processo de despertar de vez! Como eu tive um fim de semana esquisito e cheio de emoções distintas, resolvi resenhar um livro que me despertou várias emoções também. É dia de “Não se apega não”, da brasileira Isabela Freitas.

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“Desapegar: remover da sua vida tudo que torne o seu coração mais pesado. Loucos são os que mantêm relacionamentos ruins por medo da solidão. Qual é o problema de ficar sozinha? Que me desculpe o criador da frase “você deve encontrar a metade da sua laranja”. Calma lá, amigo. Eu nem gosto de laranja. O amor vem pros distraídos. Tudo começa com um ponto-final: a decisão de terminar um namoro de dois anos com Gustavo, o namorado dos sonhos de toda garota. As amigas acharam que Isabela tinha enlouquecido, porque, afinal de contas, eles formavam um casal PER-FEI-TO! Mas por trás das aparências existia uma menina infeliz, disposta a assumir as consequências pela decisão de ficar sozinha. Estava na hora de resgatar o amor-próprio, a autoconfiança e entrar em contato com seus próprios desejos. Parece fácil, mas atrapalhada do jeito que é, Isabela precisa primeiro lidar com o assédio de um primo gostosão, das tentações da balada e, principalmente, entender que o príncipe encantado é artigo em falta no mercado.”

Peguei esse livro pra ler porque fiquei curiosa com o título e com a premissa: desapegar. Já há meses eu ando com essa palavra grudada na minha cabeça e na minha vida, e a liberdade que o desapego tem me ensinado tem sido fantástica, então queria muito ver a perspectiva de outra pessoa sobre isso. Peguei o livro da Isabela sem saber o que esperar, e fiquei um tanto surpresa com o desenvolvimento da “história”. É uma mistura estranha de não ficção com autobiografia com romance; é quase uma coming of age novel, mas não totalmente. Deixando de lado essa indefinição de gênero, posso dizer que fiquei ao mesmo tempo decepcionada e impressionada. Impressionada porque as lições sobre o desapego em si são muito interessantes. Decepcionada porque de nada adianta ter uma premissa interessante se o desenvolvimento não é lá essas coisas!

O negócio é que o livro da Isabela é sobre uma personagem chamada Isabela que é, aparentemente, a própria escritora! Tem problema escrever sobre uma personagem ficcional? Não. Tem problema escrever sobre você mesmo? Claro que não! Tem problema escrever sobre uma personagem ficcional que visivelmente é você na vida real? Talvez não, se você souber fazer isso direito! A questão é que foi bem aí que a autora se perdeu: a personagem principal é chata e mimada, e só tem uns insights de vez em quando, o que não redime o mimimi que é boa parte do livro, cheio de lições de moral grandiosas (no discurso) e vazias (na essência). É: tinha tudo pra ser excelente, mas é só razoável. Eu recomendo esse livro pra quem quer uma leitura rápida, mas se você, como eu, espera que as personagens te acrescentem algo ou pelo menos sejam interessantes, não recomendo – tem coisa bem melhor e mais leve por aí!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios – Marçal Aquino

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“Queremos o que não podemos ter, diz o professor Schianberg, o mais obscuro dos filósofos do amor. É normal, saudável. O que diferencia uma pessoa de outra, ele acrescenta, é o quanto cada um quer o que não pode ter. Nossa ração de poeira das estrelas.”

Marçal Aquino – Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios

Oi! Mais uma semana que começa, e eu continuo falando dos livros que li no primeiro semestre de 2015. Hoje é dia de um que eu peguei pra ler enquanto esperava começar minha sessão no cinema – e que simplesmente me arrebatou, não consegui tirá-lo da cabeça! De um dos meus novos autores preferidos, hoje é dia de “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”.

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“No momento em que narra os fatos de ‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’, o fotógrafo Cauby está convalescendo de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará que algum tempo antes fora palco de uma corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo – mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico. A trajetória do fotógrafo, dado a premonições e a um humor desencantado, vai sendo explicada por meio de pistas – a história de Chang, morto num escândalo de pedofilia; o mistério de Viktor Laurence, jornalista local que prepara uma vingança silenciosa; a vida de Ernani, que no passado tirou Lavínia das ruas e das drogas. Mesmo diante de todos os riscos, Cauby decide cumprir seu destino com o fatalismo dos personagens trágicos. ‘Nunca acreditei no diabo’, diz ele, ‘apenas em pessoas seduzidas pelo mal’.”

Como eu contei logo no início da resenha, peguei esse livro na livraria pra dar uma olhada, enquanto esperava minha hora de entrar no cinema. Tinha umas duas horas e meia pela frente, e ainda ia ver uma amiga, mas precisei de menos que isso pra esquecer que ainda não tinha comprado o livro, sentar numa poltrona e devorá-lo de uma capa a outra. Eu já conhecia Marçal Aquino porque tinha lido um conto dele, “Sábado”, quando estava no quarto semestre da minha primeira graduação. Fiquei tão encantada com a escrita dele, anos atrás, que, quando vi este livro na livraria, reconheci o título de algum lugar e percebi que era dele, não resisti. Li. Devorei. Caí de amores.

“Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” é uma história de amor, tragédia, sofrimento e redenção que te captura na primeira linha e só te liberta na última, com a sensação de que você viveu o amor de Cauby e Lavínia. Tudo é orgânico, bem narrado e bem amarrado, e mesmo que existam toques de irrealidade na história, eu me envolvi de tal modo, fiquei tão capturada ali, que senti que tudo aquilo era perfeitamente possível, que tinha mesmo acontecido e que eu tinha sentido e vivido tudo em primeira mão. A combinação de uma história interessante, com uma narrativa bem feita e personagens que te enfeitiçam foi demais pro meu coração leitor, faminto de boas histórias – especialmente de bons romances, que realmente enfraqueçam os joelhos e façam palpitar o coração.

Me apaixonei por um livro e por uma história. Isso não acontecia há tanto tempo que fiquei ansiosa esperando o momento de resenhá-lo aqui. Pra variar, como acontece com os livros que eu amo demais, escrevi uma resenha muito apaixonada e, possivelmente, pouco objetiva. Fica obsoleto dizer que recomendo, né? Mas digo assim mesmo: recomendo. Acho que todo mundo devia ter a chance de conhecer um amor assim, mesmo que seja só na literatura!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!

P.S.: O livro virou filme. Aqui o trailer: