Sobre as Fases

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Oi! Este texto foi escrito ontem para ser publicado hoje. É mais uma das minhas reflexões sobre leitura, e um post que já tinha sido prometido há tempos!

É uma tarde quente em Brasília – bela novidade! Essa cidade só vive no calor, me parece… – e eu me pego pensando sobre como minhas leituras andam paradas. Tenho livros da biblioteca do trabalho esperando por mim, além de outros que eu já tinha em casa, mas nada parece me despertar o interesse. Olho para os meu livros e me sinto culpada, porque não quero ler nada – ou, melhor dizendo, o que eu quero ler nunca parece estar por perto, e nem eu sei o que é. Percebo, então, que entrei em outra fase e que preciso me culpar menos, porque tudo é tempo.

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A vida é feita de ciclos. Acredito que percebamos este fato ainda crianças, e vamos convivendo com ele até nosso último dia nesta terra. Eu, pelo menos, sempre me pego pensando, em momentos de extrema felicidade, que devo me controlar, porque aquilo não durará para sempre (pena que não consigo dizer o mesmo em momentos de tristeza). Existe, inclusive, uma fábula sobre um rei que pediu a um sábio que cunhasse uma frase que o animasse nos momentos de tristeza e segurasse sua euforia nos momentos de felicidade extrema. A frase cunhada é “Isto também passará”. É, tudo passa, e se aprendi a respeitar os ciclos da vida já há tempos – pelo menos no plano teórico – não pareço lidar tão bem com as minhas fases de leitura.

É que eu leio muito – já ganhei mais alcunhas e apelidos por causa disso do que poderia contar – mas também passo por momentos em que parece que nenhum livro me chama a atenção, ou eu simplesmente não tenho vontade de ler nada. Passo dias, semanas assim – já cheguei a emendar uns meses -, e aí, um dia, acordo desesperada pelo meu primeiro amor e corro para todos os livros que me esperam; devoro-os um atrás do outro, feliz, sedenta, arrependida. A típica amante que se arrepende da traição ao ser amado e busca seus braços para pedir perdão e implorar amor. Minha relação com a leitura é cada vez mais visceral e cheia de meandros, e percebo que preciso respeitar os momentos desta que é minha maior história de amor: eu e minhas várias vidas, minhas várias viagens, minhas várias personalidades – todas adquiridas nas histórias que leio e que vêm morar em mim.

"Livro. Do latim, "liber", "ser livre"."

“Livro. Do latim, “liber”, “ser livre”.”

Existem as fases de gêneros específico, quando me afundo em romances, ou não consigo pensar em outra coisa que não investigações policiais; existem aquelas em que um país me atrai tanto que não consigo ler algo que se passe fora dele; existem, ainda, aquelas em que quero personagens com características específicas, que supram minha vontade de conviver com pessoas como elas; e existem as fases em que eu quero ficar sozinha, longe de tudo e de todos, e em que meus livros ficam relegados ao silêncio e à espera.

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No meio dos ciclos da minha vida, meus ciclos de leitura se misturam, e eu me pego pensando que forçar um ciclo de não-leitura é me obrigar a passar por um momento que não deveria acontecer ainda, além de arriscar pegar raiva de uma história que não estava pronta para ser conhecida. Isso me leva ao total silêncio ou à releitura e às palavras já familiares e cativas. Se mais alguém se sente assim, fica meu conselho: não forcem a si mesmos. Respeitem os ciclos, da vida e das leituras. O tempo é cura para tudo e respeitá-lo é ser sábio. Vivamos com calma e não tenhamos pressa: o que for pra ser, será, e isto tudo, também, passará.


Sobre o Desapego Literário

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Oi! É segunda feira e a semana começa. Pra mim, na realidade, as semanas começam aos domingos: é quando organizo minha vida para a semana de trabalho, faço faxina e deixo tudo no seu devido lugar. Ontem, enquanto terminava um trabalho no computador, resolvi que era chegada a hora de falar sobre um assunto que anda morando no meu coração e que eu ainda não tinha abordado aqui. É o momento, e hoje eu estreio uma nova categoria aqui no blog, “Reflexões Literárias”, que vai sendo inaugurada com o que eu ando pensando sobre livros – e minhas estantes e meu consumismo. (E não se preocupem, que vai ter resenha na sexta pra compensar hoje!)

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Minhas estantes me fazendo companhia enquanto leio. Já segue o insta do blog? (@omundodamarina)

Estou sentada no meu quarto, no calor de Agosto de Brasília, olhando para as minhas três estantes. Estão abarrotadas de livros, cheias das histórias que eu tenho lido ao longo dos anos, que me fizeram companhia e que eu colecionei vorazmente. Sempre disse para as pessoas que gostava de ter os livros que eu lia porque eu tenho o hábito de relê-los, e é verdade. Mas, de mais ou menos um ano para cá, tenho pensado na minha vida, no que quero para o meu futuro e onde (e como) me vejo daqui alguns anos. A verdade é que, por mais que eu me veja como uma velhinha daquelas que mora num chalé de contos de fada, cheios de livros até o teto, percebo que nem tudo que mora na minha estante atualmente vai caber na minha vida no futuro – e que antes de ser essa velhinha, quero ser uma jovem adulta diferente. É hora daquilo que eu temi por tanto tempo (que ainda temo um pouco, pra ser franca): é hora de desapegar – dos meus livros.

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Meu companheiro kindle – que deve passar a ser mais companheiro ainda…

Vejam bem, não é que eu não queira meus livros à minha volta. Não é que vou deixar de reler meus preferidos – qualquer dia vou falar disso num post, prometo -, mas é que eu me dei conta de que não preciso ter todos os livros que eu leio em versão física – e, francamente falando, isso nem caberia nos planos que eu tenho pra minha vida. Resolvi, então fazer uma seleção do que sai e do que fica, e talvez seja por isso que, há meses, não compro livro nenhum, e tenho aproveitado bastante a biblioteca do meu trabalho. Ando me sentindo mais leve sem a obrigação de comprar livros. Sim, porque deixou de ser um prazer, já que parte do que eu queria era ter tudo que eu já li – o que significa que tenho várias coleções iniciadas que eu nunca completei, além de outras tantas que eu comprei num impulso mas que nem fazia questão de ter, hoje em dia. Não estou nem me cobrando nem me culpando, afinal, tudo na vida são fases, e eu apenas cheguei em uma em que só quero comigo o que amo mais, e se essa triagem tem me feito bem em várias frentes, porque não fazer o mesmo com as minhas estantes?

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Quando ainda tinha um espacinho na estante…

Vou admitir que o prospecto de não ter meus bebês de papel ao meu redor é um tanto apavorante, mas é também um tanto libertador saber que vou manter apenas os que se encaixam em determinados critérios – e, sabe-se lá, esses critérios também podem mudar daqui um tempo. Há mais ou menos um ano eu comecei a mudar radicalmente a minha vida, e meus livros também entraram na baila: agora é começar o processo de categorizá-los e decidir o que fazer com eles. Já dei o primeiro passo: minha coleção (incompleta) da Jane Austen foi dada pra Su, uma amiga minha que eu já até citei aqui no blog (e que me fez prometer que diria, na próxima vez que o nome dela aparecesse, que ela trabalha como faxineira na minha casa desde que eu tenho uns 12 anos). Ela adorou “Orgulho e Preconceito”, e acabou lendo outros, e achei que ela seria a melhor dona pra esses bebês em particular.

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Depois dessa catarse e da libertação que eu sinto no momento, é hora de, efetivamente, começar o processo. Talvez volte pra contar como foi, o que fiz e mostrar o resultado final das estantes. Talvez só mencione casualmente, no meio de uma resenha, como as coisas ficaram. De qualquer modo, parece até que é algo maior que eu que me move e me motiva a mudar. Talvez seja mesmo, ou talvez seja só uma Marina que eu tinha sufocado até agora. Veremos!

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Os livros da faculdade também vão entrar na baila!

Pra se inspirar ainda mais em minimalismos, leiam esses posts da La Cucinetta, onde a Ana Elisa fala sobre a experiência dela de passar adiante boa parte da coleção de livros de culinária dela. Eu já amava o blog dela por diversos motivos, mas tem sido ainda mais incrível lê-la, porque ela parece ter as mesmas visões de mundo que eu em muita coisa, e isso é muito legal!


A Psicanálise dos Contos de Fadas (Psychanalyse des Contes de Fées) – Bruno Bettelheim

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Oi! Mais uma semana que começa cheia de coisas pra fazer, e o ano de 2014 vai voando! Já estamos em novembro, dá pra acreditar? Hoje escolhi falar de um livro que eu passei anos querendo ler: procurei em vários lugares e não encontrava porque está esgotado, e, por fim, consegui uma edição mais antiga em um sebo aqui em Brasília. Rezando pra que a editora o re-publique para que mais pessoas possam lê-lo (e, se minhas pesquisas estão corretas, temos uma nova edição disponível!), hoje é dia de “A Psicanálise dos Contos de Fada”.

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“Em A psicanálise dos contos de fadas, Bruno Bettelheim faz uma radiografia das mais famosas histórias para crianças, arrancando-lhes seu verdadeiro significado. O autor mostra as razões, as motivações psicológicas, os significados emocionais, a função de divertimento, a linguagem simbólica do inconsciente que estão subjacentes nos contos infantis, além de demonstrar a importância que eles têm no desenvolvimento de uma criança e desmistificar alguns mitos sobre o efeito de histórias infantis na vida adulta.”

Bom, esse livro me chamou a atenção porque psicologia me interessa bastante, e quando a análise feita é sobre literatura é um bônus que torna tudo ainda mais interessante! Depois de – finalmente! – ter conseguido encontrá-lo no Sebinho, sentei e o devorei, e ele inclusive me ajudou para um trabalho da faculdade. Não são histórias, nem análises particulares sobre cada uma das histórias infantis no sentido de esmiuçar cada significado em cada história, e sim uma análise de como essas histórias podem ser interpretadas, o que alguns dos símbolos principais podem representar e como uma criança pode usar essas histórias para resolver situações de conflito em sua vida. O autor dá vários exemplos reais de casos em que as crianças puderam usar os contos de fada como uma âncora para sair de um problema na infância e deixar o tal problema para trás à medida que cresciam.

Eu gostei muito do livro porque foi uma forma diferente de ver essas histórias, e me deixou feliz ver que elas não sofrem discriminação a torto e a direito – sim, porque o que eu vejo de gente dizendo que contos de fada só servem para deturpar a noção que as crianças (especialmente meninas) vão ter do futuro não está no gibi! Foi bom encontrar um autor com base para falar sobre o assunto e que não demonizava o papel das histórias infantis, e sim que via a importância delas para o desenvolvimento. Um livro bom, muito diferente e mais do que recomendado!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós, até a próxima, e não se esqueçam que essa sexta teremos a segunda resenha de compensação!


Diversificando suas Leituras

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Oi! Início de ano sempre conta com as tradicionais metas, né? “Vou emagrecer”, “vou parar de fumar”, “vou parar de comer tal coisa”… eu mesma sempre me proponho algumas coisas no início do ano, e tento sempre cumpri-las; isso vale para as minhas leituras também! Todo ano eu me proponho metas literárias, que posto lá no skoob, e cada livro que eu leio vai sendo adicionado à lista “meta de leitura”. Por que estou falando sobre metas de ano novo? Pra falar um pouco sobre diversificar suas leituras!

“Se você só ler os livros que todo mundo está lendo, você só pode pensar o mesmo que todo mundo está pensando” Haruki Murakami

Pra quem viu o post da Retrospectiva Literária de 2013, percebeu que eu leio de tudo e mais um pouco. Não tenho preconceitos literários, ainda que tenha alguns gêneros queridinhos, e por isso acabo lendo sempre um pouco de tudo. Isso é muito bom, diversifica não só as leituras em si, mas também meu vocabulário, meu conhecimento de mundo e aumenta a vontade de conhecer ainda mais.

Hoje eu ia fazer uma resenha, mas resolvi deixá-la para segunda-feira e tentar propor uma nova abordagem para a leitura. O negócio é o seguinte: a maioria das pessoas que eu conheço, que até posta foto de livro no instagram (usando hashtags do tipo #amoler #viciada e afins) só lê as mesmas coisas, sempre. Isso é de todo ruim? Não, de forma alguma! Melhor ler sempre as mesmas coisas do que não ler nada, certo? Mas dá pra diversificar um pouco aquilo que você lê, e, quem sabe, até encontrar outros gêneros que te agradem! Aqui vão algumas dicas para diversificar suas leituras:

Como começar?

– Escolha um gênero similar ao que você já gosta e comece a inseri-lo nas suas leituras. Se for gostando do novo gênero, vá criando um efeito cascata, adicionando ainda outros. Um exemplo: se você gosta de romances eróticos, tente experimentar um chick-lit clássico, e, se gostar dos chick-lits, experimente ler os romances clássicos que foram inspirando esse tipo de literatura (Jane Austen em Pride and Prejudice é um excelente exemplo);

– Escolha um livro (isso, um só), de um gênero que você nunca pensou em ler. Ainda no exemplo aí de cima, se nunca pensou em ler um livro de terror, que tal escolher um clássico do Stephen King e dar uma chance? Pode te surpreender!;

– Estabeleça metas no início do ano e esforce-se para cumpri-las. Eu sempre tenho as minhas, e se não cumpro alguma, ela automaticamente passa pro ano seguinte pra eu tentar de novo! Essas metas podem servir para que você diversifique suas leituras e também para que as aumente, se não lê tanto quanto gostaria;

– Participe de desafios literários. São vários espalhados pela internet, difícil é só escolher o que você quer! Depois de escolher um, esforce-se para cumpri-lo até o final;

– Encontre um clube do livro ou uma biblioteca perto da sua casa. Se você frequenta um clube do livro, tem mais chances de receber sugestões legais e diferentes de leituras, e o mesmo vale para a biblioteca: os funcionários com certeza ficarão mais do que felizes em te ajudar a encontrar algo bacana!;

– E, por fim, divirta-se! Literatura é pra isso, pra nos fazer rir, chorar, viajar sem sair do lugar, refletir e se divertir! Transforme o hábito da leitura em diversão e você vai ver como fica mais fácil ler mais e mais!

Lembrando que você pode seguir todas essas dicas ou só algumas: o objetivo é só te ajudar a diversificar aquilo que você lê!

Bom, por hoje é só! Não se preocupem com a falta de resenhas dessa semana: na semana que vem e na outra teremos três resenhas (segundas, quartas e sextas) pra compensar essa primeira do ano, que não teve nenhuma. Pra quem ficou curioso com minhas metas de leitura desse ano, vou colocá-las aqui em baixo, no final do post.

Espero que tenham gostado! Bom final de semana para todos e até a próxima!

Metas de leitura de 2014 da Marina:

1ª- Atingir os 800 livros lidos
2ª- Atingir 300.000 páginas no paginômetro
3ª- Ler 108 livros no ano (uma média de 9 por mês)
4ª- Terminar de ler a série “Iron Fey”
5ª- Ler 12 “clássicos da literatura” no ano (equivalente a um por mês)
6ª- Ler pelo menos 15 livros do “Desafio Literário de Rory Gilmore””


Quanto você lê?

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Dia desses, enquanto limpava minha estante, notei, novamente, que meus livros não são apenas de literatura ou técnicos da faculdade. Tenho livros sobre todos os assuntos possíveis, ou em forma física, ou em ebook, isso sem contar os que peguei emprestado ao longo da vida.

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Parte dos meus livros de literatura inglesa e literatura norte-americana

Na minha estante tenho livros de literatura, linguística, teoria da literatura, línguas estrangeiras, biografias, moda, ballet, de indicação de outros livros… basicamente qualquer assunto que me chame a atenção acaba indo parar na minha estante, e aí há um padrão: não importa se faço buscas na internet, se procuro a ajuda de profissionais das minhas áreas de interesse, se vou a palestras e cursos… tudo o que eu gosto de estudar e conhecer vai parar na minha estante.

Sempre disse que era apaixonada por livros, sempre disse que ler era certamente minha maior paixão, mas até parar para notar que até o ballet foi parar na minha estante, acho que não tinha percebido como os livros são a maior parte da minha vida – e um detalhe: todo mundo já tinha notado essa minha característica!

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Línguas estrangeiras, linguística, literatura, gramática, educação; esse é um pedaço da estante de livros da faculdade

Isso me faz pensar sobre o papel dos livros na vida de cada pessoa, e pergunto para vocês: quanto vocês leem? Qual é o papel da leitura na vida de vocês? Quantos livros vocês leem em uma semana, em um mês, em um ano? Já pararam para pensar se os livros alteram algo em vocês? E se alteram, quanto alteram e o quê alteram?

Sempre advoguei que os livros ajudam a formar o caráter, ensinam lições valiosas, nos divertem e podem nos ajudar a ver o mundo de uma forma diferente; percebo isso em mim há muitos anos, e todo mundo sabe que as histórias que leio se tornam parte da minha história pessoal, e que as personagens são minhas melhores amigas, mas será que cada um de vocês já parou para olhar para dentro e (re)questionar a importância da leitura?

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Nível de amor à leitura: viajar e trazer 8 livros e um e-reader na mala…

Esse não é um texto para oferecer respostas, é para abrir questionamentos; para fazer com que cada um olhe para seus hábitos e perceba se a literatura, se o hábito da leitura faz parte de sua vida ou não. As imagens que ilustram o post são dos meus livros e das minhas estantes, que muita gente já me pediu pra mostrar. Se quiserem dicas de livros de outros assuntos que não literatura e que eu não só tenho na estante como também adoro, é só clicar no botãozinho de ler mais, e, se quiserem resenhas mais detalhadas de algum deles, é só pedir.

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