O Invasor – Marçal Aquino

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Oi! É quarta em uma semana que parece voar, pelo menos pra mim. Tudo parece meio frenética e, pra ser franca, estou até me sentindo meio perdida! O livro de hoje combina com essa doideira que anda a minha vida, então vamos de mais um do Marçal Aquino (eu disse que andava obcecada, não disse?), “O Invasor”.

oinvasor

“O invasor teve um processo de criação inusitado: em 1997, quando existia apenas uma parte do texto, o cineasta convenceu o escritor a interromper a novela e transformar a história no roteiro do terceiro longa-metragem da dupla. Somente cinco anos depois Marçal Aquino retomou e finalizou o livro, lançado juntamente com o filme, que colecionou prêmios em festivais e marcou a estreia no cinema do titã Paulo Miklos, além de ter propiciado uma performance inesquecível ao rapper Sabotage, a quem a novela é dedicada. Ambientado em São Paulo, O invasor narra a história de três engenheiros, sócios numa construtora, que entram em conflito no momento em que são convidados a participar de uma falcatrua. Dois deles decidem eliminar o sócio que atrapalha os negócios, sem imaginar que estão colocando em movimento engrenagens que irão tragá-los num pesadelo de ambição, culpa e violência.”

Como eu já devo ter dito em algum lugar – e se não disse, vocês estão sabendo agora -, Marçal Aquino entrou pra minha lista de autores preferidos depois de eu ler o conto “Sábado” (vou acabar por falar dele aqui, não duvido…), e desde então sempre que eu via o nome dele ficava curiosa. Pois esse ano eu já li dois livros dele, e um já feio até parar aqui no blog, no mês passado. “O Invasor” não é tão perfeito quanto “Eu Receberia”, mas é, ainda assim, excelente, de cair o queixo e de dar um nervoso (do bom) tremendo!

A história de assassinato encomendado, do arrependimento de um dos envolvidos e de como isso afeta tantas vidas, e especialmente o final do livro, são de deixar qualquer um pulando no mesmo lugar, querendo saber como as coisas terminam. A narrativa é bem rápida, mas facilmente compreensível, e os acontecimentos, ainda que muitos, não parecem ter sido apertados em um espaço minúsculo; dá pra acompanhar sem problemas, e a sensação que eu tinha enquanto estava lendo, na realidade, era de que estava vendo um filme! Talvez por isso a história de como esse livro veio à luz e de como um filme foi baseado nele façam tanto sentido, mas aí já não posso dizer se um influenciou o outro ou se o outro influenciou o um, entendem? De qualquer modo o resultado foi bem legal!

As personagens dão um tom interessante à história, e é inevitável querer saber o que vai acontecer com cada uma delas, como o narrador e principal protagonista, Ivan, acaba e como tudo vai terminar. O final é surpreendente, te deixa nervosa e aliviada ao mesmo tempo, com a agonia de querer saber o que acontece. Realmente gostei muito! Ah, um bônus pra mim: tem uma Marina no livro! – pena que ela seja uma personagem marginal, sem nenhuma grande influência no que acontece, além de parecer ser uma pessoa meio ruim. Acho que eu adoraria uma homônima vilã, mas a desse livro, coitada, não é nada além de decoração, me pareceu. De qualquer modo eu recomendo bastante o livro! Vale a leitura e é bem rapidinho pra devorar!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios – Marçal Aquino

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“Queremos o que não podemos ter, diz o professor Schianberg, o mais obscuro dos filósofos do amor. É normal, saudável. O que diferencia uma pessoa de outra, ele acrescenta, é o quanto cada um quer o que não pode ter. Nossa ração de poeira das estrelas.”

Marçal Aquino – Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios

Oi! Mais uma semana que começa, e eu continuo falando dos livros que li no primeiro semestre de 2015. Hoje é dia de um que eu peguei pra ler enquanto esperava começar minha sessão no cinema – e que simplesmente me arrebatou, não consegui tirá-lo da cabeça! De um dos meus novos autores preferidos, hoje é dia de “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”.

lindoslábios

“No momento em que narra os fatos de ‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’, o fotógrafo Cauby está convalescendo de um trauma numa pensão barata, numa cidade do Pará que algum tempo antes fora palco de uma corrida do ouro. Sua voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo – mas não é do ambiente hostil ao seu redor que ele está falando. O motivo de sua descida ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um pastor evangélico. A trajetória do fotógrafo, dado a premonições e a um humor desencantado, vai sendo explicada por meio de pistas – a história de Chang, morto num escândalo de pedofilia; o mistério de Viktor Laurence, jornalista local que prepara uma vingança silenciosa; a vida de Ernani, que no passado tirou Lavínia das ruas e das drogas. Mesmo diante de todos os riscos, Cauby decide cumprir seu destino com o fatalismo dos personagens trágicos. ‘Nunca acreditei no diabo’, diz ele, ‘apenas em pessoas seduzidas pelo mal’.”

Como eu contei logo no início da resenha, peguei esse livro na livraria pra dar uma olhada, enquanto esperava minha hora de entrar no cinema. Tinha umas duas horas e meia pela frente, e ainda ia ver uma amiga, mas precisei de menos que isso pra esquecer que ainda não tinha comprado o livro, sentar numa poltrona e devorá-lo de uma capa a outra. Eu já conhecia Marçal Aquino porque tinha lido um conto dele, “Sábado”, quando estava no quarto semestre da minha primeira graduação. Fiquei tão encantada com a escrita dele, anos atrás, que, quando vi este livro na livraria, reconheci o título de algum lugar e percebi que era dele, não resisti. Li. Devorei. Caí de amores.

“Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios” é uma história de amor, tragédia, sofrimento e redenção que te captura na primeira linha e só te liberta na última, com a sensação de que você viveu o amor de Cauby e Lavínia. Tudo é orgânico, bem narrado e bem amarrado, e mesmo que existam toques de irrealidade na história, eu me envolvi de tal modo, fiquei tão capturada ali, que senti que tudo aquilo era perfeitamente possível, que tinha mesmo acontecido e que eu tinha sentido e vivido tudo em primeira mão. A combinação de uma história interessante, com uma narrativa bem feita e personagens que te enfeitiçam foi demais pro meu coração leitor, faminto de boas histórias – especialmente de bons romances, que realmente enfraqueçam os joelhos e façam palpitar o coração.

Me apaixonei por um livro e por uma história. Isso não acontecia há tanto tempo que fiquei ansiosa esperando o momento de resenhá-lo aqui. Pra variar, como acontece com os livros que eu amo demais, escrevi uma resenha muito apaixonada e, possivelmente, pouco objetiva. Fica obsoleto dizer que recomendo, né? Mas digo assim mesmo: recomendo. Acho que todo mundo devia ter a chance de conhecer um amor assim, mesmo que seja só na literatura!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!

P.S.: O livro virou filme. Aqui o trailer: