O Rei da Vela – Oswald de Andrade

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Oi! Mais uma semana começando e eu, de novo, me questionando sobre o tempo. Preciso parar de fazer isso antes que enlouqueça! Escolhi um livro pra hoje que combina com o que ando estudando na faculdade – se eu li o livro de hoje na época do Ensino Médio em que estudei o Modernismo Brasileiro, hoje estudo o Modernismo Português como universitária em sua segunda graduação. O tempo – e a vida – são mesmo estranhos. É dia de “O Rei da Vela”.

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“O rei da vela tornou-se um marco no teatro brasileiro em 1967, com a montagem dirigida por José Celso Martinez Corrêa naquele mesmo ano. Escrita por Oswald de Andrade, em 1933, a peça é uma crítica à sociedade e à política de um Brasil que vivia a crise do café e as conseqüências do crack de 1929 da Bolsa de Nova York. Dividida em três atos, a peça tem como protagonistas Abelardo I, Abelardo II e Heloísa. Dono de uma empresa de usura, Abelardo & Abelardo, Abelardo I é um empresário que enriqueceu às custas dos fazendeiros desesperados com a crise do café. Enquanto o mundo amarga as consequências do crack da Bolsa, o empresário tem a “brilhante” solução de produzir e comercializar velas. “Num país medieval como o nosso, quem se atreve a passar os umbrais da eternidade sem uma vela na mão? Herdo um tostão de cada morto nacional”, afirma o personagem oportunista Abelardo I, explorando superstições nacionais. Já Abelardo II mata seu homônimo para assumir os negócios, inclusive a noiva Heloísa.”

Eu li este livro para o PAS, que é o vestibular “parcelado” da UnB, e lembro que, à época, não gostei tanto. Precisei de uma segunda leitura e um pouco mais de maturidade para entender a história, e acho que isso reforça minha teoria sobre leituras de clássicos – talvez eu deva falar um pouco sobre isso aqui, no futuro. A história de Abelardo e Heloísa – uma alegoria ao famoso casal – é apenas um pedaço dentro de uma trama complexa, com críticas à sociedade em diversas de suas facetas, além de ser uma crítica aos movimentos e estilos literários existentes até então, implantando a estética modernista pela qual lutaram os participantes da semana de 22.

A narrativa é fácil de entender, pelo menos superficialmente falando, mas acredito que para realmente entender todos os temas e símbolos do texto é necessário um pouquinho de entendimento histórico, ou pelo menos alguma pesquisa. As personagens carregam histórias e simbologias bem próprias, então eu recomendo essa atenção durante a leitura, para compreender o texto direitinho. No mais, posso dizer que é um texto interessante, inteligente e um tanto complexo, de que eu acabei por gostar. Recomendo!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


Dublinenses (Dubliners) – James Joyce

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Oi! Ontem foi um dia super corrido, cheio de coisas pra fazer e com uns momentos de tensão, mas tudo correu – aparentemente – bem e cheguei em casa cansada e feliz. Como fui dormir ainda com essa felicidade gerada pelo alívio, hoje acordei calma, então escolhi falar de um livro que gostei muito – e que li na faculdade mas só por acaso do destino, já que estava na minha lista desse ano de qualquer jeito. Vamos de “Dublinenses”, do Joyce.

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Na virada do século XX, o coração da Irlanda bate no peito dos personagens que percorrem as ruas de Dublin. Vidas comuns que personificam o declínio não apenas econômico, mas moral, com o qual o país se debate naquele momento histórico. Em quinze contos, James Joyce contempla com realismo e dureza a vida de seus conterrâneos em ordem cronológica: a perda da inocência na infância, as angústias e incertezas da adolescência e a desilusão dos adultos ao encararem sua epifania, o momento em que a verdadeira natureza de algo se dá a conhecer.

Eu nem me lembro quando foi que decidi que leria esse livro, mas lembro que a primeira vez que considerei seriamente começar a leitura foi quando meu primo Tagore foi morar na Irlanda por um ano, e começou a ler esse livro antes de embarcar. Por algum motivo acabei adiando a leitura, ele foi, voltou (mais de um ano depois), e nada. Esse ano, quando o tinha colocado definitivamente na minha lista, descobri que três de seus contos eram leituras obrigatórias em uma das minhas matérias: não perdi tempo e li o livro todo.

Nunca tinha lido nada de Joyce e fiquei muito impressionada com seu estilo narrativo: pra quem lê de forma superficial parece que ele está apenas narrando cenas cotidianas da vida na Irlanda, e cenas que nem são assim tão interessantes, mas pra quem presta atenção, vai muito além disso. Cada conto e a obra como um todo têm simbologias, críticas à situação da Irlanda à época, além de um senso de melancolia que deixa tudo muito bonito. Como são quinze contos, não dá pra falar de cada um deles individualmente, ou eu ficaria horas por aqui, mas dá pra dizer que o conjunto é bem orgânico e funciona super bem.

Em termos de personagens vale a mesma ideia: são muitas, não dá pra analisar individualmente, mas dá pra eu dizer que são elas que dão o tom à narrativa, que, sendo tipicamente irlandesas, tipicamente dublinenses, criam e mantêm a atmosfera criada por Joyce, e que, dizem, permeia todas as suas obras. Vou ter que ler – e com todo o prazer do mundo – outras obras dele para confirmar essa informação, mas, pelo menos por enquanto, no que concerne a Dublinenses, posso dizer que adorei o livro, e que o recomendo!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!