Decapitados – Leonardo Brasiliense

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Oi! Ainda estou de férias, então este é mais um post programado. Na sexta feira teremos um post extra para compensar a semana passada, em que só tivemos uma resenha. Hoje é dia de “Decapitados”, que eu ganhei no sorteio do Comentário Premiado do blog Leitora Compulsiva.

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“Em uma demonstração de carinho e respeito, os moradores de Vale São José, uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, decidiram retirar o crânio do falecido monsenhor e mantê-lo em uma urna de vidro no cemitério. Assim, ele jamais seria esquecido. Mas, quando a relíquia religiosa desaparece, tanto as instituições quanto as relações entre as pessoas são desestruturadas, e a cidade se transforma em uma grande confusão. Em meio ao caos está o jovem Alexandre, que encontrou, sem querer, o objeto desaparecido, e vê todo o seu futuro assim como o da cidade ameaçado por não fazer ideia de como devolve o crânio o crânio sem ser descoberto.”

Como eu contei lá no início, ganhei este livro num sorteio do Comentário Premiado do blog da Camis. Foi a segunda vez que eu ganhei, mas dessa vez eu ganhei o livro, além dos marcadores. Camis, eu adorei o presente, muito obrigada!

Bom, a história é bem boa, mas eu senti falta de um desfecho melhor. Explico: é que o desenvolvimento é realmente interessante, cheio de reflexões sobre as personalidades dos moradores da cidade se revelando frente ao mistério da caveira sumida, que afeta mais pessoas do que se poderia esperar à primeira vista (alô amor pelo submundo…), e a cidade vai ficando completamente descompensada com um acontecimento que poderia ser considerado banal por alguém de fora. E aí o desfecho, que vem na forma de um conto, ao final do livro, é bem sem graça. Fiquei esperando alguma coisa bem interessante, mas deu a impressão de que o autor ficou com preguiça de terminar – ou que achou que estava sendo muito revolucionário deixando a história daquele jeito, o que só me dá preguiça.

As personagens são bem razoáveis, mas não são o ponto alto da história, ainda que eu tenha gostado de suas transformações. Gostei do protagonista, Alexandre, e do pobre Padre, de quem acabei por gostar, provavelmente, por pena da situação que acontece em determinado ponto do livro, mas que não posso contar qual é pra não estragar a surpresa. De qualquer modo, o livro é bom. Passa longe de ser a melhor coisa que eu já li na vida, mas é bem razoável sim, e eu recomendo.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos e até a próxima!


A Outra Volta do Parafuso (The Turn of the Screw) – Henry James

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Oi! Hoje é a última sexta feira em que temos resenha de compensação das mini-férias! A partir de segunda o blog volta ao ritmo normal de duas resenhas por semana, às segundas e quartas. Pra terminar esse ciclo de reposições, escolhi um livro que li pra faculdade esse ano, mas que achei bem besta. É dia de “The Turn of the Screw” (o nome vai no idioma em que li o livro).

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A outra volta do parafuso conta a história da jovem filha de um pároco que, iniciando-se na carreira de professora, aceita mudar-se para a propriedade de Bly, em Essex, arredores de Londres. Seu patrão é tio e tutor de duas crianças, Flora e Miles, cujos pais morreram na Índia, e deseja que a narradora (que não é nomeada) seja a governanta da casa de Bly. Ao chegar a Essex, a jovem logo percebe que duas aparições, atribuídas a antigos criados já mortos, assombram a casa. O triunfo íntimo da protagonista, mais que desvendar o mistério de Bly, consiste em vencer o silêncio imposto pela diferença de condição social entre ela e seus pequenos alunos.”

Bom, como eu contei lá em cima, este livro foi lido para a faculdade. Eu fiz uma matéria de Literatura Norte-Americana no segundo semestre e ele era o tema do seminário. Nunca tinha lido nada de Henry James, ainda que ele tenha livros mais famosos e conhecidos do que o que me foi designado, então estava curiosa. Também estava numa vibe de terror, já que sabia que ia ganhar “O Iluminado” de aniversário e fiquei bem curiosa pra ler algo do gênero e mais clássico. Infelizmente, o livro não me conquistou.

A grande questão é que o leitor passa o tempo todo se perguntando se a tutora está mesmo vendo fantasmas pela casa ou se é tudo imaginação dela e ela não é normal. Só que a tutora é tão paranoica sobre as crianças de quem cuida, que eu acabei por nem me preocupar tanto assim com os tais fantasmas! As crianças, aliás, são personagens interessantes e que deixaram a pobre tutora bem doidinha com seu comportamento estranho e meio sem explicações.

A narrativa em si é bem curtinha (a minha edição que é esta da imagem, tem mais ou menos 150 páginas), então dá pra sentar e ler o livro todo de uma vez, mas talvez se o leitor quiser mesmo construir a tensão crescente do terror, deva ler aos poucos. Pra quem já leu Stephen King ou outros autores de terror, já não espere lá nada muito assustador, porque no fim das contas o livro é bem morninho pro gênero. Recomendo como leitura rápida para conhecer um pouquinho melhor os fundamentos da nossa noção de histórias de terror, mas fica por isso.

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana para todos nós e até a próxima!


O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince) – Antoine de Saint-Exupéry

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“Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração”

Antoine de Saint-Exupéry – O Pequeno Príncipe

Oi! Como eu tinha dito nas redes sociais do blog, até o fim do meu semestre na UnB as resenhas vão ficar às terças e quintas, e voltam ao normal durante as férias. Bom, hoje é dia de resenhar um livro especial. Quando criança eu o li e detestei. Pois é, devo ter sido a única. Aí a Aysla(linda) me perguntou se eu já tinha feito uma resenha dele, e eu me dei conta de que não havia. Estou remediando essa situação hoje, depois de ter relido o livro, já uma “pessoa grande”. Hoje é dia de “O Pequeno Príncipe”.

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Le Petit Prince, The Little Prince, El Principito, Der Kleine Prinz – em qualquer uma das mais de 150 línguas em que é publicado, causa encanto a história do piloto cujo avião cai no deserto do Saara, onde ele encontra um príncipe, “um pedacinho de gente inteiramente extraordinário” que o leva a uma jornada filosófica e poética através de planetas que encerram a solidão humana em personagens como o vaidoso, capaz de ouvir apenas elogios; o acendedor de lampiões, fiel ao regulamento; o bêbado, que bebia por ter vergonha de beber; o homem de negócios que possuía as estrelas contando-as e encontrando-as em ambição inútil e desenfreada; a serpente enigmática; a flor a qual amava acima de todos os planetas.

Eu não lembro o motivo de ter detestado tanto essa história na minha infância, mas guardava lembranças ruins dele. Resolvi que, para fazer a resenha para a Aysla, precisaria relê-lo, assim poderia fundamentar minha opinião. Acabei, nesse processo, por descobrir o motivo de detestar a história.

Sobre as personagens, só vou dizer que tanto o príncipe quanto o narrador são fontes quase inesgotáveis de poesia em forma de palavras. As interações dos dois me faziam querer chorar, de tão doces. A narrativa, apesar de ser para crianças, está recheada de questões filosóficas e sérias, que fariam qualquer adulto insensível acordar e pensar sobre os rumos de sua vida. O livro é cheio de elementos da vida de seu autor, e dizem inclusive que a Rosa é a representação literária da esposa de Saint-Exupéry, Consuelo. É um livro fácil de ler, agradável para crianças e adultos – vide a quantidade de produtos licenciados sob a marca e vendidos até hoje – e muito, muito belo.

Como eu disse no início, descobri o motivo de eu não ter gostado do livro quando criança (e ainda ter um pé atrás com ele, já adulta): ele é muito triste e melancólico, e lê-lo me deixou tão triste que minha única vontade era a de voltar pra cama e dormir o dia inteiro, pra não ficar pensando em todas aquelas observações feitas sobre as pessoas grandes, e que podem servir para a vida real. Eu recomendo o livro, mas para quem não anda sensível e chorão feito eu, ou pode ser que a história te deixe meio pra baixo. No mais, é uma bela história de amizade, amor e respeito, que ensina e acalenta o coração.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos e até a próxima!


O Último Voo do Flamingo – Mia Couto

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Oi! Com o fim de mais uma semana, acordei saudosa. De lugares e de pessoas, e uma dessas pessoas é a Najla, que foi minha colega na faculdade. Ela me deu de presente, no dia da nossa formatura, um livro do Mia Couto, um escritor que eu nunca tinha lido, e esse livro foi tão diferente e tão maravilhoso, que eu não podia deixar de mencionar aqui! Hoje é dia de “O Último Voo do Flamingo”.

“Depois da guerra de Independência e dos anos de guerrilha, Moçambique vive um momento de reestruturação social e de reorganização das forças políticas. Na pequena vila de Tizangara, um rapaz negro é nomeado tradutor oficial a fim de recepcionar um italiano, integrante das forças de paz da ONU. O estrangeiro vai a Tizangara investigar estranhos acontecimentos que deixaram a população local aturdida: soldados das Nações Unidas começaram a explodir. Acompanhado do tradutor, o europeu terá de se entregar de corpo e alma à terra africana para desvendar o enigma das explosões.”

Quando comecei a ler esse livro, percebi que ele refletia muito quem o tinha me dado de presente: assim como a Najla, ele é politizado, inteligente e poético. Ela me deu esse livro como agradecimento pela minha ajuda na organização dos detalhes da nossa cerimônia de colação de grau, e eu devorei imediatamente. Nunca esqueci o gesto, e sabia que ele tinha que vir aqui pro blog.

A história é um típico Realismo Fantástico (como as do García Marquéz), então pra quem nunca leu pode ser meio diferente. Não é um livro onde cada pequena história que apareça vai ficar completamente explicada, bem mastigadinha e fácil para entender. Há que se dar um pouco de voltas em torno do que é apresentado ali e interpretar um pouco (bom exercício, hein?), mas ao final vale a pena – além de poder ser um pouco diferente se acostumar com o modo de escrever moçambicano, que a editora escolheu manter na edição brasileira. O livro tem críticas à essa forma de fazer política que vivemos hoje, e é um olhar bem novo: não é mais um colonizador narrando, é o próprio povo (através da voz do narrador, o tradutor) quem conta sua história e seu ponto de vista.

As personagens aqui são muito importantes para a história, pois cada uma delas traz um elemento diferente de si para contribuir com a obra. Massimo Risi, o italiano que vai para Tizangara em nome da ONU, está constantemente confuso e surpreso com os acontecimentos, e acabei por me sentir como ele muitas vezes. O Tradutor (seu nome não é revelado), é aquele que vive essas histórias na pele, mas ainda assim não acredita em tudo – até ter provas do contrário. Poderia falar um pouco de cada uma dessas personagens, pois todas são muito boas, mas queria destacar mesmo minha preferida, a prostituta Ana Deusqueira, que tem um papel importante para a história e uma personalidade honesta com traços de esquivez, e gostei muito do conjunto final.

No geral, a obra é fantástica. Faz pensar, envolve e encanta. Gostei demais e recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana para todos e até a próxima!


O Vendedor de Armas (The Gun Seller) – Hugh Laurie

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Oi! Nem acredito que já estamos no meio da semana e no meio de abril! Onde é que está indo parar o ano? Meu alívio é saber que sexta feira é feriado e que amanhã não tenho aulas, aí posso colocar a vida em dia. Aliás, falando em feriado, eu resolvi me dar uma folga, então esta semana não teremos resenha de compensação de fevereiro. Não se preocupem, ela vai ser feita, só não agora. Para hoje escolhi um livro que esperei muito para ler – e que valeu a ansiedade da espera. Vamos de “O Vendedor de Armas”.

“Quando Thomas Lang, ex-militar de elite recebe uma proposta de 100 mil dólares para assassinar um empresário norte-americano, ele decide, imediatamente, alertar a suposta vítima – uma boa ação que não ficará impune.Em questão de horas Lang terá de se defender com uma estátua de Buda, jogar cartas com bilionários impiedosos e colocar sua vida (entre outras coisas) nas mãos de muitas mulheres fatais, enquanto tenta salvar uma linda moça e impedir um banho de sangue mundial.”

Vou admitir que queria ler esse livro por ser fã do Laurie. Adorava seu trabalho como House, adoro sua música, e pensei comigo mesma que era bem capaz de adorar seu livro. Não estava errada, felizmente.

A história é uma investigação bem eletrizante, até parece um filme de ação em alguns momentos. Pode ser que a conspiração militar e suas consequências pareçam ligeiramente fantásticas, mas ainda assim são críveis, então o livro prende bem a atenção. Como é uma história cheia de detalhes e personagens, além de pequena (o livro é fino, tem só 288 páginas), pode ser meio confusa para alguns. Vale uma leitura mais calma no início para quem não está acostumado com uma narrativa de ritmo mais frenético.

As personagens têm um quê de House, de Mr. Palmer, do cara-no-avião. Pra quem acompanha o trabalho dele, logo dá pra perceber que ele leva um pouco de cada personagem para a narrativa, então é fácil gostar das personagens. O protagonista, Thomas Lang, foi minha personagem preferida, pois não é a sabedoria universal personificada, e podemos ver sua confusão – e sua genialidade – em vários momentos. Gostei muito de Ronnie também, mas não dá pra dizer o motivo sem contar parte da história, então vou deixar só assim.

No mais, a história é boa, rápida e dinâmica. Recomendaria pra quem gosta de investigações e/ou filmes de ação cheios de reviravoltas e surpresas. É uma história que vale a pena, e só complementa seu autor como um artista completo.

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana e bom feriado para todos e até a próxima!