O Médico e o Monstro (The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde) – Robert Louis Stevenson

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Oi! Achei que o fim de semana me deixaria de melhor humor – ledo engano. Como continuo desanimada e beirando a tristeza, escolhi um livro que tem vários elementos dos dois sentimentos – além do terror. É dia de “O Médico e o Monstro” (ainda que essa tradução seja tremendamente inadequada e adequada, ao mesmo tempo).

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“É quando o Sr. Utterson, um seco advogado de Londres, confere o testamento de seu velho amigo Henry Jekyll que suas suspeitas são despertadas. Qual é a relação entre o correto e respeitável Dr. Henry Jekyll e do malvado Edward Hyde? Quem matou o distinto MP, Sir Danvers? Estaria Jekyll sendo chantageado – e se sim, o que poderia ter feito para ser objeto de tal extorsão? Seria Hyde o monstro que assombra as ruas de Londres, cometendo crimes atrozes? Tantos questionamentos acabam por se explicar de forma surpreendente, assustadora e trágica.”

Este livro também faz parte do Desafio da Rory, e fez parte das minhas leituras do primeiro semestre do ano. Achei que ia encontrar um livro grande e chato, cheio de morais vitorianas, com aquele terror besta que sequer dá medo. Fiquei feliz de ser provada errada, já que o livro (que é bem curtinho, na realidade) não é chato nem cheio de lições de moral apresentadas de forma óbvia e moralista – não me entendam mal: elas existem!, só foram melhor disfarçadas do que eu esperava. Ainda assim tenho que dizer que o terror em si não é de assustar, e olha que eu já contei aqui que não vejo filmes do gênero, o que me faz fraquinha pra sustos.

Superficialmente o livro fala das transformações do médico em seu alter-ego, o “monstro” – aspas porque, afinal de contas, monstro aqui é uma referência à personalidade de Hyde, não à sua aparência. Não sei o que dá nas pessoas que acham que o uso dessa palavra em livros da Era Vitoriana significa que a personagem é um monstro de verdade (vide “Frankenstein“, que, coitado, ganhou estereótipo de monstro-feioso-verde-e-costurado)… de qualquer modo, ainda que haja essa questão da tradução e do que implica para os leitores, a história é realmente boa! Cavando abaixo da superfície encontramos tantos questionamentos interessantes que a divisão do médico “em dois” passa a ser realmente superficial, enquanto o que essa divisão implica moralmente passa a ser muito mais interessante. As personagens são bons conduítes para as discussões que o livro propõe, então a combinação da história, da narrativa e daqueles que a protagonizam criam um livro interessante e (pelo menos pra época) diferente e inovador. Recomendo!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!