Lobos de Calla (Wolves of the Calla) – Stephen King

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Oi! Para a última resenha da semana resolvi continuar com uma série que está um tanto atrasada. Demorei com este livro porque o anterior foi realmente o meu preferido, e escrever a resenha dele me sugou um pouco a vontade de continuar resenhando a série; precisava de um tempo dela, mas agora cá estou para continua-la: hoje é dia de “Lobos de Calla”.

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“Depois de sair de uma Topeka alternativa e escapar do mago Randall Flagg, o ka-tet de Roland chega à vila de Calla Bryn Sturgis, onde encontram o Padre Callahan (“A Hora do Vampiro”, em inglês “Salem’s Lot”). O povo da cidade pede aos pistoleiros que o defenda da ameaça dos Lobos — cavaleiros mascarados que surgem uma vez a cada geração para roubar metade das crianças do local e devolvê-las semanas depois, física e mentalmente incapacitadas. Enquanto isso, na Nova York de 1977, a Corporação Sombra planeja atacar o terreno baldio onde floresce a Rosa, manifestação da Torre Negra no mundo atual. O ka-tet tem, então, duas missões: defender o povo da cidade de Calla e proteger a Rosa em Nova York; o relógio corre e o tempo diminui, e as duas missões são dificultadas pelo estranho comportamento de Suzannah, que está sofrendo as consequências de uma atitude que tomou no início da jornada pela Torre.”

Esse livro é bem carregado de tensão, já que o ka-tet descobre uma limitação de tempo entre a NY de 1977 e a cidade de Calla, o que significa que a batalha contra os Lobos deve terminar em um momento quase exato, e os planejamentos para essa mesma batalha são entremeados com viagens para proteger a Rosa. Além disso, o ka-tet percebe que Suzannah está grávida do demônio que a violentou em “As Terras Devastadas”, o que acaba criando outra “missão”: proteger Suzannah de si mesma, do bebê que carrega, e da mãe do bebê, uma personalidade chamada Mia, filha de ninguém, que está “morando” no corpo de Suze. Todas essas missões e tarefas já seriam motivo suficiente para deixar o leitor ligado, mas King não ia deixar tudo assim tão simples: o livro é recheado de referências – diretas e indiretas – a livros, filmes e HQs, além de entremeado com outro livro dele, “A Hora do Vampiro” (que eu ainda não li).

As personagens são as mesmas dos livros anteriores acrescidas dos moradores de Calla e do Padre Callaham. Gostei do Padre, que pelo resumo que ele faz de sua história parece um homem atormentado, mas minhas personagens preferidas foram as mulheres da cidade, que formam as “Irmãs de Oriza” e que mostram, de novo, o poder que as mulheres têm dentro de si (a maioria delas, inclusive, é mais corajosa que a maioria dos homens da cidade).

Gostei muito da história desse livro, mas ele foi o que me deu mais claramente a sensação de que eu só vou entender cada milímetro de narrativa no dia que ler/vir absolutamente tudo que King faz referência (não estou dizendo que isso é ruim, mas que a obra é bem mais complexa do que eu imaginei no início, quando comecei a ler). No meu ranking – bem pessoal – da série esse livro fica em 3º lugar, portanto mais do que recomendado.

Espero que tenham gostado! Bom restinho de semana e até a próxima!

Série “A Torre Negra”:

01 – O Pistoleiro

02- A Escolha dos Três

03- As Terras Devastadas

04- Mago e Vidro

05- Lobos de Calla

06- Canção de Suzannah

07- A Torre Negra

Para ajudar a entender os termos da série, clique aqui e acesse uma wiki que pode ajudar!


Os Olhos do Dragão (The Eyes of the Dragon) – Stephen King

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Oi! Última resenha da semana e eu resolvi falar do primeiro livro do King que eu li. “Os Olhos do Dragão” não é uma narração típica do autor, pelo que eu pude perceber dos comentários de seus fãs, mas é, pelo jeito, uma ótima forma de começar a ler as obras dele, que foi, coincidentemente, o que eu fiz.

“Os Olhos do Dragão” conta a história do distante reino de Delain, do Rei Rolando e seus filhos: Pedro (o mais velho) e Tomás. Rolando não é o melhor dos reis do mundo: ligeiramente tonto e desavisado, ele contornava esses defeitos enquanto a rainha Sacha, sua esposa e mãe de seus filhos, era viva, já que ela era uma mulher sábia e compassiva, que o aconselhava e ajudava a gerenciar o reino. Depois de sua morte, o rei passou a ser quase que controlado pelo conselheiro real, Randall Flagg, um mago poderoso e mau, que trama para matar o rei e culpar seu primogênito, colocando Tomás no poder. Tomás é um jovem limitado, mais até do que o pai, e Flagg vê aí a oportunidade para governar e ter o poder supremo do reino, como sempre quis. Agora Pedro precisa fugir de sua punição e salvar seu reino, antes que Flagg termine de destruir a vida dos súditos e moradores de Delain.

Logo na sinopse dá pra perceber que esse livro não é de terror, e sim uma história infantil. O modo como a história é contada, no entanto, é todo do King. Não estou dizendo que é um livro de contos-de-fadas de terror, e sim que dá pra perceber o estilo próprio do autor em cada linha, mesmo que a história seja tão simples e até previsível. Foi o primeiro livro do King que eu li, como já disse, e acabei por me encantar bastante com a escrita dele, partindo deste para “A Torre Negra” (é, eu sei que foi sandice); pra quem tem curiosidade de ler os livros mais clássicos e famosos dele (“Carrie”, “O Iluminado”, “A Hora do Vampiro”…) mas não sabe se vai curtir tanto, recomendo começar por aqui. Dá pra sentir um gostinho e ter uma ideia se é o que você quer ou não.

As personagens são bem contos-de-fadas mesmo: estereotipadas até não poder mais. Pedro é o menino inteligente, bonito, educado, valente e tudo mais que a sua mente quiser colocar de qualidades, enquanto Tomás não é apenas ligeiramente burro, mas também ligeiramente cruel, vingativo e até mesmo feio. Em qualquer outro tipo de história esse recurso seria pobre e ruim, mas em contos-de-fadas é até característica essencial, então não incomoda tanto. Flagg é um vilão daqueles bem cruéis e malvados, típicos de histórias infantis, mas que não fica restrito à esse tipo de história: “Os Olhos do Dragão” contém muitas referências à “Torre Negra” e seu universo, e Flagg não só apareceu na saga da Torre como em vários outros livros do King! Se você escolheu, como eu, ler “A Torre Negra”, é provável que passe boa parte da vida lendo tudo aquilo que se relaciona à ela, inclusive as obras do próprio King que fazem referência à sua magnum opus.

O livro é muito bom, tem aquele clima de contos-de-fada, mas com uma pitada do terror que consagrou seu autor. Nada pra te fazer medo demais, mas o suficiente pra dar vontade de ler outras coisas do gênero! Recomendo!

Espero que tenham gostado! Bom fim de semana e até a próxima!

P.S.: só pra se ter uma ideia, lista dos livros publicados do King aqui.


Mago e Vidro (Wizard and Glass) – Stephen King

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Oi! Hoje a resenha é – finalmente! – do meu livro preferido da série “A Torre Negra”, “Mago e Vidro”. Já aviso de antemão que o livro é bem triste e dramático, mas belíssimo! Stephen King me surpreendeu várias vezes ao longo da leitura da série com sua capacidade de contar vários tipos de histórias!

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Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“A estranha e inesquecível odisseia de Roland de Gilead em busca da Torre Negra continua. No quarto volume da série imaginada por Stephen King, novos perigos ameaçam o destino de Roland. Mago e Vidro retoma a eletrizante narrativa interrompida em As Terras Devastadas. Depois de enfrentar a terrível ameaça do monotrilho Blaine, o último pistoleiro e seus seguidores desembarcam na cidade de Topeka, no Kansas, e retomam o caminho do Feixe de Luz que conduz à Torre Negra. Roland revela então aos companheiros a história de seu passado, e a trágica perda de seu grande amor de juventude, a bela Susan Delgado de Hambry, no baronato de Meijis.”

O livro basicamente conta a história de amor de Susan e Roland. O Pistoleiro começa narrar sua história mais ou menos na página 100 e termina quase no final, e é nessa narrativa dele, finalmente, que podemos entender até onde ele vai pela Torre. A primeira coisa que eu gostei nessa história foi o fato de poder montar uma cronologia melhor da história do Roland. Até aqui só tinha vislumbres do que tinha acontecido com ele desde que se tornara um pistoleiro, e “Mago e Vidro” preencheu bem essas lacunas. A segunda coisa de que gostei muito foi a oportunidade de conhecer seus amigos de escola, companheiros de seu primeiro ka-tet, Curthbert Allgood e Alain Johns; Bert se parece bastante com Eddie no jeito brincalhão que tanto irrita Roland, e Alain lembra Jake, com sua sensibilidade fora do comum. A terceira coisa que me encantou, e que tornou esse livro meu preferido, foi a história de amor de Roland e Susan.

Susan é uma moça bela e corajosa, que é obrigada pela tia, Cordelia, a fazer coisas que não quer para “ajudar a família”, como por exemplo se comprometer a ser amante do Prefeito Hart Thorin. Ela se apaixona por Roland, que entrou na cidade disfarçado, e acaba por ajudá-lo com a missão que, originalmente, o levou ao baronato de Mejis. Os dois se tornam amantes, e Roland, com a ingenuidade de um menino de 14 anos, tenta manter a relação em segredo ao mesmo tempo em que faz as investigações ordenadas pelo pai e tenta lidar com os Caçadores do Grande Caixão, uma estranha irmandade que parece ter uma influência maligna na cidade de Hambry. Como acontece com quase todos que se envolvem com Roland, o destino de Susan não é feliz, mas não vou dizer o que acontece. O que vou dizer é que, se você está lendo a série e chegou até aqui, já deve ter notado que não dá pra abandonar a leitura. E se você, como eu, for muito “manteiga derretida”, seu coração vai se partir, muitas vezes e em muitos pedaços! Leiam, se puderem! É uma série maravilhosa, o livro é super bem escrito e Stephen King me fez sentir com 14 anos de novo, experimentando o primeiro amor (e um bem dramático, diga-se de passagem!).

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos e até a próxima!

Série “A Torre Negra”:

01 – O Pistoleiro

02- A Escolha dos Três

03- As Terras Devastadas

04- Mago e Vidro

05- Lobos de Calla

06- Canção de Suzannah

07- A Torre Negra

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As Terras Devastadas (The Waste Lands) – Stephen King

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Última resenha da semana e é hora de Roland e seu ka-tet atravessarem “As Terras Devastadas”, ainda em busca da Torre Negra, no livro que realmente começou a me atrair feito um ímã para aquela que é considerada a maior obra de Stephen King. Nesse livro eu comecei a ter um vislumbre melhor da mitologia que envolve a Torre, e comecei a ver sentido em algumas coisas que até então não estavam muito bem explicadas, então comecei a me envolver de verdade. Preparem-se para a resenha do próximo livro: foi meu preferido na série e partiu meu coração mil vezes!

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Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“Neste terceiro volume da série, Roland, o último Pistoleiro, se aproxima ainda mais da Torre Negra de seus sonhos e pesadelos – atravessando um deserto amaldiçoado em um mundo macabro que é uma imagem distorcida do nosso próprio mundo. Junto com Roland estão dois daqueles que ele levou consigo para esse universo: o ex-viciado nova-iorquino Eddie Dean e Susannah, nova identidade da mulher que combina em um mesmo corpo duas personalidades distintas. À sua frente estão as extraordinárias revelações sobre quem ele é e o que o motiva em sua busca. E contra ele se perfila uma legião cada vez mais numerosa de inimigos, humanos ou não. À medida que o ritmo da ação e aventura, da descoberta e do perigo se acelera cada vez mais, o leitor é irremediavelmente absorvido por um drama espetacular ao mesmo tempo assustador como um pesadelo… e estranhamente familiar.”

Bom, as personagens em “A Torre Negra” são basicamente as mesmas ao longo da série, aparecendo, em cada volume novo, algumas secundárias que ajudam a conduzir a história. Nesse livro o ka-tet de Roland finalmente se completa, e a novidade maior é ver a interação entre cada um dos membros desse grupo. Roland passa por uma fase difícil durante a história, e é bem sofrido acompanhar a luta dele para recuperar a razão, mas quando isso acontece é como um banho fresco em um dia quente! Jake é uma personagem de que eu gosto bastante, me identifico com ele: ainda tão criança, e tão precoce, sofrendo problemas de gente grande. Também fui assim quando criança, mas não acho que tenha tido a mesma coragem dele. Gostei de vê-lo interagir com Roland, e gostei de ver a família que o ka-tet vai se tornando, mesmo que a contragosto (principalmente da parte de Eddie).

A história desse livro é tensa, dura, mas bem gratificante: finalmente começamos a entender direito o que é a Torre Negra, o que ela representa para o mundo (mas só dá pra ver a extensão dela na alma do Roland no próximo livro). O único outro livro do Stephen King que eu tinha lido antes dessa série foi “Os Olhos do Dragão”, e ele não me deixou tão tensa quanto essa série! Passei uma boa parte do tempo me sentindo como uma corda que foi muito esticada e que pode quebrar a qualquer momento! Acho que, até aqui, não estava acostumada a esse tipo de leitura, e olha que me orgulho de ler de tudo, sem preconceitos prévios (se vou gostar do livro, ou não, já é outra coisa…). Gostei bastante desse livro, se fizesse um ranking da série, ficaria para mim, em termos de preferência, em segundo lugar (fiquei surpresa ao me dar conta disso! Só percebi enquanto escrevia…). Muito recomendado!

Espero que tenham gostado! Bom restinho de semana (e fim de semana), e até a próxima!

Série “A Torre Negra”:

01 – O Pistoleiro

02- A Escolha dos Três

03- As Terras Devastadas

04- Mago e Vidro

05- Lobos de Calla

06- Canção de Suzannah

07- A Torre Negra

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A Escolha dos Três (The Drawing of the Three) – Stephen King

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Oi! Faz uma bela segunda feira em Brasília, iniciando minha última semana de aulas do semestre (o 2º/2012 ainda…) e última semana de trabalho no MRE. Não vou chorar minhas pitangas sobre isso, pelo menos não agora. Quero ficar bem calma e feliz pra fazer boas provas amanhã, mas a verdade é que sempre fico meio tensa e ansiosa, então, pra combinar com esse humor, a resenha de hoje continua a série “A Torre Negra” com o segundo volume da saga, “A Escolha dos Três”.

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Pode conter spoilers involuntários dos livros anteriores

“Um derradeiro confronto com o homem de preto revela a Roland, nas cartas de um baralho de tarô, aqueles que deverão ajudá-lo em sua busca pela Torre Negra: o Prisioneiro, a Dama das Sombras e a Morte. Para encontrá-los, o último pistoleiro precisará atravessar três intrigantes portas que se erguem na deserta e interminável praia do mar Ocidental. São portas que o levam a um mundo diferente do seu, em outro tempo, de onde ele deverá trazer seus escolhidos: Eddie Dean, um viciado em heroína; Odetta Holmes, uma bela jovem negra que perdeu as pernas em um medonho acidente e sofre de misteriosos lapsos de memória; e o terceiro escolhido, a Morte, que vai embaralhar mais uma vez o destino de todos. A primeira porta o leva à Nova York dos anos 1980 e a Eddie Dean. A segunda transporta o pistoleiro à mesma cidade, mas dessa vez na década de 1960. A Dama das Sombras que Roland encontra atrás dessa segunda porta é Odetta Holmes. Roland e Eddie não demoram a descobrir que a mente de Odetta abriga também a malévola Detta Walker, num evidente distúrbio de dupla personalidade. Com o terceiro escolhido, A Morte, as cartas tornam a se embaralhar e a busca de Roland pela Torre Negra sofre uma nova e imprevisível reviravolta.”

A história se desenvolve melhor nesse livro, é bem mais interessante que o primeiro, e eu li rapidamente. Bom, pelo menos depois que a primeira porta aparece. Eddie, a primeira personagem nova a aparecer, é um jovem bonito e no caminho da destruição: viciado em heroína e carregando drogas em um avião para libertar o irmão do criminoso Enrico Balazar, não parece ser alguém que durará muito mais na vida. Roland intervém para ajudá-lo a se livrar de Balazar e o leva para seu mundo, o que não agrada Eddie nem um pouco, ainda mais depois que Roland joga suas drogas no mar. Odetta é doce, educada, inteligente; não demonstra resistência ao mundo de Roland, e chama a atenção de Eddie. Detta é agressiva, maldosa e cruel; não gosta de ter sido levada ao estranho mundo do Pistoleiro, e tenta retornar de todas as formas. Não vou falar de Jack Mort, pois seria um spoiler muito grande. O que posso dizer é que é um alívio ver que essa peregrinação do Pistoleiro não será tão solitária, e que apesar de não termos um vislumbre tão bom assim das personagens, elas já começaram a me conquistar.

“A Escolha dos Três” é um bom livro, mas eu não sei se é porque eu gostei muito mais dos próximos que não consigo considerá-lo ótimo. É, no entanto, bem escrito e interessante. Não é o melhor da série (para mim é o 4º, “Mago e Vidro”) e passa longe de ser o melhor que já li, mas é essencial para o entendimento da série, e, como eu disse na resenha d’O Pistoleiro, a série é excelente. Eu a terminei logo depois daquela resenha, e fiquei muito feliz com o final. Leiam, não vão se arrepender!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós, e boa sorte pra mim.

Série “A Torre Negra”:

01 – O Pistoleiro

02- A Escolha dos Três

03- As Terras Devastadas

04- Mago e Vidro

05- Lobos de Calla

06- Canção de Suzannah

07- A Torre Negra

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